| |

Recebo o “Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de História do Centro de Ciências Humanas e da Educação, da Universidade do Estado de Santa Catarina, como requisito parcial para a obtenção do grau Bacharel e Licenciado em História”, de Felipe Gattino Nogueira, cuja orientadora é a professora doutora Mariana Joffily ((aqui: http://www.pergamum.udesc.br/dados-bu/000000/000000000016/00001672.pdf), que analisa o que seria o “diário” de Maurício Grabois após o início dos combates no Araguaia contemplando a minha polêmica com os farsantes da “CartaCapital” (aqui:http://outroladodanoticia.com.br/inicial/17647-espirito-de-armando-falcao-paira-sobre-a-cartacapital-.html).
O texto parte de duas premissas erradas — a de que eu teria publicado a resposta no Portal Vermelho (uma das acusações levianas de Figueiredo para atacar o PCdoB) e a de que a “discórdia” não fora sobre a autenticidade do documento e sim sobre a forma como ele foi interpretado e registrado. Minha resposta foi publicada no meu blog “O outro lado da notícia” (aqui:http://outroladodanoticia.com.br/inicial/12774-mauricio-grabois-e-os-devaneios-de-um-jornalista-da-cartacapital.html) e reproduzido, com a fonte devidamente citada, pelo Vermelho (aqui: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=152515&id_secao=1) e pelo blog do Luis Nassif (aqui:http://www.advivo.com.br/node/442158). Figueiredo mentiu sobre a fonte com o claro intuito de desqualificar a polêmica.
Quanto a autenticidade, eu disse mais de uma vez que a possibilidade de o documento ser uma farsa é enorme — muitas passagens não condizem com a escrita e as análises de Grabois, dedução fácil de se fazer para quem leu a biografia; e quem o divulgou foram as viúvas da ditadura em 2006 (aqui:http://www.midiasemmascara.org/arquivos/4925-diario-do-‘velho-mario’-comandante-militar-da-guerrilha-do-araguaia-–-alguns-trechos-1a-parte.html), outro flagrante da farsa de Figueiredo e de Sérgio Lírio, o redator-chefe da “CartaCapital”, ao qualificá-lo como “inédito”.
A conclusão de Felipe é de que houve, “de um lado, Lucas Figueiredo afirmando que o comandante (grabois) era um homem completamente despreparado” e “do outro lado, Osvaldo Bertolino, defendendo o heroísmo e o martírio de Maurício Grabois”. “Mais do que o comandante guerrilheiro em si, o debate parece refletir as diferentes leituras sobre o movimento guerrilheiro, seja de exaltação, seja de crítica por quem considerou o movimento uma aventura”, escreve ele.
Na fecho do “Trabalho”, Felipe faz a síntese entre “a visão romantizada e heroica do biógrafo de Maurício Grabois, Osvaldo Bertolino, e a do jornalista Lucas Figueiredo, que tende a banalizar o autor do diário”: “o primeiro foca-se nas passagens voltadas para a escrita para outro, os elementos autobiográficos, os epitáfios, as avaliações políticas confiantes e exaltadoras da guerrilha, enquanto que o segundo privilegia as passagens da ‘escrita de si’, do desabafo voltado às agruras cotidianas, onde se expõem as dúvidas, as necessidades primárias, os incômodos aparentemente banais do homem diante da grandeza da floresta e do cerco do Exército.” Posso falar pela biografia: quem a leu sabe que não há nada lá que possa dar margem para “visão romantizada”. Heroica talvez, levando-se em conta o que foram os combates no Araguaia, que nada tem a ver com a banalização do adjetivo — como fez Figueiredo.
Antes de entrar na análise do documento, porém, Felipe diz que “depois de ler o diário e comparar alguns trechos com a bibliografia disponível sobre a guerrilha, minha preocupação foi com a autenticidade do material e até que ponto poderia confiar nas informações do diário e usá-lo como fonte histórica”. Mais adiante, ele toma a decisão: “Não percebendo mais elementos que me fizessem desconfiar dos registros do diário, aceitei o desafio de trabalhar com a Guerrilha do Araguaia a partir da escrita de Maurício Grabois.” É uma opção: na primeira e na segunda edição (esta bem mais alentada pelo elementos propiciados pelo tempo) descartei o “diário” por sua fonte desqualificada e por sua origem duvidosa.

O farsante Lucas Figueiredo — aquele que achincalhou a memória de Maurício Grabois (aqui: http://outroladodanoticia.com.br/inicial/17647-espirito-de-armando-falcao-paira-sobre-a-cartacapital-.html) — anuncia que foi contratado como consultor da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para desenvolver pesquisa sobre a estrutura de repressão política na ditadura. "O trabalho correrá em paralelo com o que já desenvolvo na Comissão Nacional da Verdade", diz ele em seu blog (aqui:http://lfigueiredo.wordpress.com/2013/03/06/consultoria-para-a-unesco/).
Como pode? O que anda acontecendo nos bastidores dessas "pesquisas" é muito estranho. Talvez seja a minha forma de ver as coisas. Sou radical com alguns tipos de desrespeito, de imposturas. Considero que há situações que não são mancadas cirscunstanciais, mas falhas estruturais de caráter da pessoa, daquelas que só poderão ser pavimentadas à custa de muita vontade e de muito esforço. Aí decido que não quero estar lá para ver se a pessoa se emendou ou não, que não tenho tempo para isso, que tenho mais o que fazer, boa sorte, seja feliz, tchau.

A defesa obstinada que Merval faz de causas antipopulares dá a ele uma série de coisas: coluna no Globo, microfone na CBN e na Globonews e, por isso, bons cachês para palestras. Mas admiração, carinho, afeto por parte da chamada voz rouca das ruas, evidentemente, não. Merval e congêneres são amplamente detestados, e é surpreendente que não tenham noção disso. Parecem viver num universo paralelo.

A fala do procurador-geral da República — o farsante Gurgel — de que o Ministério Público está promovendo uma razia pelo país afora contra a “corrupção” apenas como mera represália à tramitação da PEC 37 é de uma desfaçatez sem tamanho. O Judiciário é, de longe, o pior dos poderes da República. E o Ministério Público e o STF são, de longe, o que há de pior no Judiciário. Gurgel utiliza o MP para chantagear os que se opõem aos seus queridinhos (Cachoeira, Pirilo, Veja, Globo e outros criminosos). A PEC 37 pode corrigir esses abusos. Sinto falta do debate e das campanhas de esclarecimentos contra esses embustes nos meios alternativos, especialmente nos veículos das organizações populares (sindicatos, associações de moradores, entidades estudantis e etc.).

A mídia-lixo — e a Globo em particular — não tira o tomate da pauta. Agora, Miriam Leitão e et caterva estão fazendo uma campanha aberta, descarada, barulhenta para que a reunião do Copom da semana que em eleve os juros, usando o índice de inflação — o IPCA — que o IBGE deve divulgar hoje. O dogma neoliberal da meta da inflação é o mote. A pressão gigantesca é pela continuidade da mamata da ciranda financeira, uma forma dessa gente passar a mão nas finanças públicas — uma gigantesca montanha de dinheiro que sai do meu, do seu, do nosso bolso com os impostos que pagamos e que deveria ir para os hospitais, estradas e outras necessidades prementes do povo. É o resultado da privatização do Erário, o maior crime da privataria tucana do qual pouco se fala. Infelizmente.

Durante o debate sobre os estudos d’O Capital no Brasil, no âmbito do seminário "Margem Esquerda — Marx e O Capital" (veja aqui:http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=7&id_noticia=10767), o sociólogo Emir Sader disse que o PCdoB não só surgiu em 1962 (falseta também defendida pelo crítico literário Roberto Schwarz), como nasceu enquadrado pela “linha chinesa”. São falsificações já desmascaradas aquihttp://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=1&id_noticia=208879) e aquihttp://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=8&id_noticia=8294. O que causa indignação é a falta de rigor intelectual na difusão dessas mistificações. Qual a causa disso? Há, talvez, um anticomunismo recôndito nessas atitudes? Na foto: Roberto Schwarz, João Quartim de Moraes, Sofia Manzano, Emir Sader e José Arthur Giannotti.
O cientista político Michael Heinrich em entrevista a Fábio Palácio, na Fundação Maurício Grabois. Em visita à Fundação Maurício Grabois, ele opina sobre as perspectivas para o pensamento marxista, que tem angariado enorme interesse, na atual crise do capitalismo dos países desenvolvidos.
Curta documentário sobre os antigos cinemas de rua da cidade de Maringá - PR. Produzido por alunas da UEM.

Do 10º Congresso, realizado entre 9 e 12 de dezembro de 2001
O 10º Congresso do PCdoB realiza-se sob as condições de significativas mudanças no quadro mundial; de graves impasses à soberania e à democracia em nosso país; de perdas de conquistas do povo brasileiro; e de favorável expansão de nosso Partido.
Quadro mundial de crise: guerra e recessão
O curso da conjuntura mundial atual está marcado pela crise de grande dimensão que se instalou a partir dos atos terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, agravando mais ainda o quadro de recessão econômica global e sincrônica que vem se gestando desde o final de 2000. A presente situação de guerra e recessão é uma manifestação violenta e cruel da realidade do capitalismo globalizado e neoliberal que ameaça o destino da humanidade e o bem-estar dos povos.
A atual crise vai demonstrando o real objetivo do império do norte de impor a hegemonia, o expansionismo e o domínio unilateral planetário, revelando a superioridade militar como fator decisivo para a imposição dessa supremacia. Invoca os recentes atentados para legitimar o seu propósito de dar centralidade à “segurança”, com todas as suas implicações. A sua política externa se estrutura em eixos fixados no belicismo e na busca agressiva da conquista de objetivos geopolíticos. Os órgãos e fóruns multilaterais são esvaziados, prevalecendo acordos bilaterais conforme seus interesses em cada situação. Essa tendência da hegemonia norte-americana vai impondo o ordenamento mundial pós-Guerra Fria.
A situação é mais grave ainda porque os imperialistas estadunidenses querem impor sua tirania ao mundo. As manifestações democráticas, as lutas das forças de esquerda contra o neoliberalismo, os movimentos revolucionários e de resistência passam a ser reprimidos como tendências ao terrorismo. A pretexto de combate ao terrorismo, é legitimada a política do Estado de Israel de ocupação e colonização dos territórios palestinos. Essa força agressiva e de provocação, com o apoio norte-americano, impõe violento cerco armado a um povo desarmado, realizando bárbaro genocídio de uma população encurralada.
Nos Estados Unidos o governo Bush reedita os piores tempos do macartismo. As prisões arbitrárias em massa se sucedem; até mesmo, tribunais militares sumários são instalados para julgar estrangeiros. Medidas de restrição às liberdades civis são aprovadas a toque de caixa no Congresso norte-americano e apelos e pressões nesse sentido são feitos para que os outros países adotem uma legislação antidemocrática. Inúmeros setores democráticos e progressistas no mundo demonstram preocupação diante do risco de se firmar uma tendência neofascista.
Mais aqui:
http://grabois.org.br/portal/cdm/noticia.php?id_sessao=49&id_noticia=158

A restituição dos mandatos dos deputados do Partido Comunista do Brasil cassados em 1948, na noite da quarta-feira (20/03/2013), por iniciativa de Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), é um acontecimento histórico. Veja na foto como o jornal "Diário da Noite" — o carro-chefe dos Diários Associados de Assis Chateaubriand — retratou a fatídica sessão da Câmara dos Deputados de 8 de janeiro de 1948, que consolidou a cassação dos mandatos. A seguir, o capítulo 22 da biografia de Maurício Grabois — o líder da bancada comunista — sobre o ocorrido:
_________
Capítulo 22
1947-1948
Assembleia de servis, segundo Maurício Grabois, cassa mandados comunistas. Pessedistas sacam revólveres para deputado do PCB.
O Senado aprovou o projeto de cassação dos mandatos comunistas por trinta e cinco contra dezenove votos. Segundo Maurício Grabois, os senadores votaram, na verdade, o suicídio daquela Casa, uma medida em grande parte devida ao golpe de 29 de outubro de 1945 que manteve em posições-chave da administração pública fascistas notórios. “Nós, comunistas, estamos tranquilos; não tememos de maneira alguma aquela votação, porque sabemos que cumprimos nosso dever para com o povo brasileiro. A nação, amanhã, ou hoje mesmo, irá julgar esses senadores que não foram capazes de honrar seus mandatos”, afirmou.
Na sua avaliação, a votação do projeto, tanto no Senado como na Câmara, tinha o poder de mostrar ao povo quem respeitava sua vontade e quem passava por cima da legalidade democrática para impor tiranias. “O povo brasileiro está com os olhos voltados para esse parlamento, e no dia em que a Câmara votar — se, por acaso, assim fizer — a cassação dos mandatos, não mais merecerá — sobre isso não tenho dúvida — a consideração e o respeito do nosso povo. Nosso mandato não foi obtido ilegalmente, por meios fraudulentos; não o conseguimos enganando o povo. Nosso mandato resultou do sufrágio de seiscentos mil brasileiros que deram seus votos conscientes aos representantes eleitos sob a legenda do Partido Comunista do Brasil.”
Maurício Grabois foi à tribuna da Câmara dos Deputados no começo de novembro de 1947 para antecipar-se à chegada do projeto 900 em plenário, conforme anunciou no início do discurso. “Hoje, senhor presidente, quando comemoramos a passagem de mais um aniversário da maior figura das letras jurídicas brasileiras — Rui Barbosa — podemos ajustar algumas de suas palavras, relativamente a governos de sua época, ao do senhor general Dutra que permite, em vésperas de eleições, que homens como o senhor Adhemar de Barros criem um clima de desordem e insegurança na principal unidade da federação brasileira.” As posições que o governador paulista vinha adotando eram embaraçosas para os comunistas.
Dois dias depois da decisão do TSE que cassou o registro do PCB, Adhemar de Barros recebeu do ministro da Justiça, Benedito Costa Neto, uma mensagem por rádio instruindo o governo paulista sobre como a polícia deveria agir. A ordem era fechar e interditar as sedes comunistas e arrolar “bens, papéis e documentos encontrados” e lacrar “outros quaisquer locais em que o Partido porventura passe a exercer atividades”. Uma das condições para a aliança do PCB com o governador era a defesa da “existência legal de todos os partidos”. Mantida na gaveta durante o processo de cassação do registro, depois da ordem do ministro da Justiça Adhemar de Barros jogou-a no lixo e assumiu o papel de verdugo dos comunistas.
Em 1947, São Paulo seria tabuleiro de uma jogada eleitoral decisiva para a sucessão do presidente Dutra. As eleições para vereador, prefeito e vice-governador atraíam a atenção de todas as forças políticas do país. Com os olhos voltados para os movimentos políticos no estado, o governo federal pressionava Adhemar de Barros, exigindo que ele eliminasse a força dos comunistas. Estes, por sua vez, conclamavam as forças democráticas para que cerrassem fileiras contra novos golpes na democracia.
O clima estava exaltado quando o PCB tentou organizar comícios no estado para defender seus mandatos e fazer “propaganda dos candidatos recomendados pelo senador Luiz Carlos Prestes”. O ambiente de “intranquilidade” era fomentado pela passagem do governador para o posto de simples interventor de Dutra. Seria um daqueles delegados tão comuns na época do Estado Novo, um concorrente do “louco de Maceió”, segundo disse Pedro Pomar ao jornal do PCB em São Paulo Hoje, fazendo alusão ao tresloucado governador de Alagoas, Silvestre Péricles de Góis Monteiro, que atacava os comunistas sistematicamente.
Segundo Maurício Grabois, o grupo ao qual agora Adhemar de Barros também pertencia, obcecado pelo ódio insaciável aos comunistas, empregava todos os esforços “no sentido de fazer desaparecer da política brasileira, e mesmo da própria face geográfica do Brasil, mais de quinhentos mil compatrícios que concorreram às eleições de 2 de dezembro de 1945 e 19 de janeiro de 1947”. “Por isso, senhor presidente, na data em que se comemora o nascimento de Rui Barbosa, gênio das letras jurídicas de nossa pátria, não há melhor homenagem a esse grande brasileiro do que ler algumas palavras por ele preferidas, acusando o governo de então, também de incapaz e inepto. Assim permito-me ler o seguinte trecho de discurso proferido no Supremo Tribunal Federal, a 23 de abril de 1892:
Não há mais justiça, porque o Governo a absorveu. Não há mais processo, porque o Governo o tranca. Não há mais defesa, porque o Governo a recusa. Não há mais códigos nem leis, porque os Governo as substitui. Não há mais Congresso, porque o Governo é senhor da liberdade dos deputados. O Governo... o Governo, o oceano do arbítrio em cuja soberania desempenham todos os poderes, se afoga todas as liberdades, se dispersam todas as leis. Anarquia vaga, incomensurável, tenebrosa como os pesadelos das noites de crime. De toda parte a desordem, por todos os lados a violência. E flutuando apenas à sua tona, expostas à ironia do inimigo, as formas violadas de uma Constituição, que os seus primeiros executores condenaram ao descrédito imerecido e à ruína precoce.
Senhor presidente, essas palavras do grande Rui Barbosa se aplicam hoje, sem dúvida, à situação presente, quando já podemos dizer que não vivemos mais sob o império da lei, não temos mais um governo que respeite à Constituição. O que temos é uma ditadura terrorista, à frente da qual se encontra um homem cujo passado não é dos mais democráticos, porque ninguém pode contestar ter sido o senhor Eurico Gaspar Dutra um dos executores do golpe de 10 de novembro de 1937, que apoiou durante longo período o Estado Novo com as suas perseguições e todos os seus atos antidemocráticos. E só desembainhou a espada quando a democracia já estava vitoriosa em nossa terra. Só soube desembainhá-la no dia 29 de outubro de 1945.”
As palavras de Rui Barbosa eram bastante oportunas, reforçou Maurício Grabois, principalmente naquele momento em que a Câmara dos Deputados teria a necessidade de se manifestar sobre o projeto de lei enviado do Senado que, segundo ele, surgiu sob a inspiração direta do Catete e, “podemos afirmar, do bolso do senhor general Eurico Gaspar Dutra”, que não dormia, não descansava enquanto ele não fosse aprovado. “Assim, não só perderão os mandatos os representantes comunistas como também será ferida a Constituição e liquidada a democracia em nosso país.”
Maurício Grabois considerava possível a confirmação de uma informação de José Maria Crispim dando conta de que, caso o projeto fosse aprovado, logo após chegaria à Câmara dos Deputados o pedido de estado de sítio, sob ameaça de dissolução do Congresso Nacional caso a medida não fosse aprovada. “Devemos compreender, portanto, que esse projeto de cassação de mandatos é, sem dúvida, repito, profundamente político. A partir disso, querem utilizar o projeto como pretexto para novos assaltos à democracia. O Poder Executivo — esse grupo fascista que tem à frente o senhor Eurico Gaspar Dutra — pretende assim encobrir sua inépcia administrativa, a desorganização em que vive o país, as dificuldades econômicas que atravessa nossa pátria.”
Os comunistas compreendiam o projeto, disse Maurício Grabois, como objetivo profundamente político, cortina de fumaça. “Não tenho pretensões a cultor de letras jurídicas e a envolver-me em discussões de caráter puramente constitucional. Vindo do seio do povo, escolhido pela população do Distrito Federal para representá-la nesta Casa, aqui, no trato com os constitucionalistas, tenho aprendido algumas noções referentes aos problemas jurídicos. No entanto, qualquer estudioso do assunto, por certo, observará que esse projeto de cassação de mandatos, de autoria do ‘luminoso’ senhor Ivo de Aquino, sem dúvida, é uma chicana, constituindo mesmo um ridículo lançado à face da nação e que cobre mais que a seu próprio autor, o Congresso Nacional.”
Maurício Grabois citou uma matéria do jornal A Noticia classificando o projeto “de uma vergonha e mesmo de acinte, porque procurava regulamentar aquilo que não exige regulamentação”. “Visa-se, para arrecadar as cadeiras dos parlamentares comunistas, forjar uma lei, criar uma teoria sui generis para os casos de extinção de mandatos. Como bem afirmou ao jornal Diretrizes o deputado pessedista senhor Vieira de Melo, ‘procura-se forçar uma porta aberta’.” Em tom irônico, Maurício Grabois comentou superficialidades e contradições primárias do projeto.
Segundo ele, Ivo de Aquino fez uma grande descoberta quando dizia que, passados oito anos, seria extinto o mandato do senador. “Depois, o supersábio senador — e digo supersábio porque sua excelência ultrapassou em sabedoria aqueles famosos cinco sábios que enviaram a petição em nome do Conselho Nacional do Partido Social Democrático ao Superior Tribunal Eleitoral —, como cultor das letras jurídicas, também fez notável descoberta ao declarar que o mandato se extingue por morte do representante do povo.
Acreditará sua excelência que uma alma do outro mundo possa ocupar no parlamento a cadeira, vaga por falecimento de um deputado ou senador? Não terá sido preenchido pelo respectivo suplente o lugar daquele saudoso senador desaparecido durante os trabalhos de elaboração da Constituição? Pensou, àquele tempo, o senhor Ivo de Aquino ser indispensável que o representante falecido mantivesse ainda seu mandato? É inconcebível, senhor presidente, pretender-se elaborar uma lei estabelecendo que, pelo fato de um membro do parlamento morrer, fica extinto o mandato de representante do povo.”
Com esse conteúdo, afirmou Maurício Grabois, o projeto era um conjunto de chicanas, constituindo afronta à mentalidade jurídica do parlamento. Quando ele foi discutido no Senado, poucas vozes se levantaram “para defender a indecorosa e inconstitucional proposição”. “Homens cujos méritos pessoais serão desconhecidos da população brasileira anônima, cujos argumentos não convencerão a ninguém e cujas afirmações são superficiais e vazias de conteúdo. Que fazem eles? Servem a interesses dos poderosos que querem desmoralizar o parlamento, dos que desejam acabar com a democracia em nossa terra.”
Em contraposição, disse, nomes esclarecidos da pátria, figuras respeitadas de juristas com grande folha de serviços prestados à democracia, estavam contra o projeto. “Não procurarei mais argumentos para demonstrar a inconstitucionalidade de tal projeto, porque nenhum assunto foi tão debatido, com tão vasta literatura, como o da cassação dos mandatos. Quase todos os juristas já se manifestaram sobre ele. Tive oportunidade de comparar as afirmações de senadores e juristas consagrados, relativamente à questão”, asseverou. Mas, para que a Casa ficasse bem elucidada, ele citou mais “algumas opiniões abalizadas”. “Assim, senhor presidente, inúmeros representantes do povo e juristas deram sua opinião contrária à cassação de mandatos. Poderia citar o parecer do desembargador Vieira Ferreira, do advogado Sobral Pinto, enfim, de muitos juristas e políticos de nossa pátria com autoridade para afirmar que este projeto é inconstitucional e ofende a democracia.”
***
A votação do projeto 900 foi marcada para 8 de janeiro de 1948. Um dia antes, Maurício Grabois foi à tribuna da Câmara dos Deputados para dirigir a voz, conforme afirmou na primeira frase do discurso, não para os deputados, pelo menos a maioria deles, mas, sim, diretamente ao povo brasileiro, à imensa massa dos trabalhadores do Brasil. “Porque estou certo de que minhas palavras neste recinto não terão a virtude de convencer aqueles homens que já traçaram seu roteiro, sua posição em face do projeto de cassação dos mandatos. Não tenho ilusões sobre o caráter tremendamente reacionário que orienta a maioria parlamentar, nem espero que a minha palavra possa convencer a esses homens que se esqueceram da dignidade do parlamento nacional, da soberania desta Casa do Congresso Nacional, permitindo a sua automutilação e com seu voto favorecendo a liquidação do próprio regime democrático em nossa pátria.”
O discurso foi rápido. Afirmou que nunca, no cenário político do Brasil, um parlamento tomara uma atitude como aquela, que sem dúvida passaria à história como sendo de conivência com os traidores da pátria. “Não tenhamos ilusões: o historiador saberá julgar essa maioria parlamentar que não ouve os reclamos da população, não é o intérprete da vontade popular, e não faz outra coisa senão se submeter, de maneira subserviente, aos imperativos desse grupo fascista que infelicita nossa pátria, levando o país para o caos e a catástrofe.”
Para Maurício Grabois, ali estava se encerrando mais um capítulo amargo da história do Brasil. “Sim, senhor presidente, usando esta tribuna não me dirijo a essa maioria parlamentar incapaz de defender o regime democrático, porque sei que não é a capitulação desta Câmara, a que se pode aplicar o qualificativo que Silveira Martins deu a uma determinada Câmara, que há de servir para a salvação do regime democrático; nesta hora em que se debate o projeto de cassação de mandatos, minha voz se volta para o povo brasileiro, para esse povo que a 2 de dezembro de 1945 acorreu às urnas cheio de esperanças, cheio de entusiasmo, certo de que as eleições iriam trazer para nossa pátria uma nova época de progresso e de liberdade. Logo após o pleito, empossado o candidato eleito através de acordos eleitorais, porque não tinha nenhum prestígio popular, que vimos? A marcha do Brasil no sentido da ditadura, no sentido da reação, a fim de liquidar com todas as conquistas obtidas pelo nosso povo na gloriosa jornada de 1945.”
Nos dias que antecederam à votação, a bancada comunista fez uma marcação cerrada sobre o projeto. Enquanto ele era discutido na Comissão de Constituição e Justiça, os deputados do PCB revezavam-se para denunciar, todos os dias, na tribuna, o que representava aquela medida proposta. O governo tinha pressa. Seu líder, Acúrcio Torres, corria de deputado em deputado, de bancada para bancada, a fim de impedir que os comunistas continuassem a falar. A mídia seguia a procissão e acusava a bancada do PCB de “sabotar os trabalhos parlamentares”.
O jornal A Classe Operária reproduziu um duro entrevero iniciado por Pedro Pomar com Acúrcio Torres, que discursava de maneira efusiva para tentar justificar o projeto:
— Vossa excelência está lendo um discurso de encomenda.
Acúrcio Torres esbraveja.
Diógenes Arruda interrompe suas cavilações de rábula do imperialismo, gritando-lhe:
— Vossa excelência se diz patriota, mas está falando em nome do “partido americano”.
Marighella acrescenta:
— Se dinheiro tivesse cheiro, o projeto Ivo de Aquino teria cheiro de dólares.
E Gregório Bezerra:
— Vossa excelência diz que não conhece os americanos, mas conhece o dinheiro americano.
Acúrcio Torres sua, desconversa, torna-se patético. O líder do PSD fala em liberdade.
Amazonas interrompe:
— A liberdade de vossa excelência é a liberdade de fazer negociata.
O “líder” queremista continua aos trancos e solavancos.
Diógenes Arruda o desmascara:
— As palavras de vossa excelência e as palmas da maioria revelam o medo que vossas excelências têm da bancada comunista e dos comunistas que sempre defenderam e defenderão os interesses do proletariado e do povo. Vossas excelências têm medo.
A “maioria” cumpre o seu triste papel: vota, passando por cima do próprio regimento.
No encerramento da discussão, a bancada comunista grita:
— Maioria subserviente a Dutra e ao imperialismo americano! Coveiros da democracia!
A voz cheia de empáfia de Acúrcio Torres pôs à prova os nervos dos que não soletravam pela sua cartilha. O Jornal de Notícias disse que na confusão que se estabeleceu houve uma nuvem de palavras ásperas trocadas entre Gregório Bezerra e o pessedista Pereira da Silva, que sacou um revólver contra o deputado comunista pernambucano. Benedito Valadares, também do PSD, igualmente sacou sua arma em defesa do companheiro de partido. Outros deputados e até jornalistas se envolveram no quiproquó. Indagado se o uso de arma era permitido no plenário, o presidente respondeu que não podia revistar os parlamentares.
No dia da votação do projeto, Maurício Grabois fez o último discurso da bancada comunista na Câmara dos Deputados. Lembrou que no dia anterior, no encerramento da sessão, tinha conseguido usar da palavra durante cinco minutos. “Naquele exíguo espaço de tempo, tive ensejo de recordar palavras de uma das figuras políticas de nossa história, Gaspar Silveira Martins, que, ao se dirigir à Câmara de sua época, considerava-a uma Assembleia de servis. E, neste instante, senhor presidente, não há outras palavras senão aquelas pronunciadas por Silveira Martins, para dirigir-me a uma Assembleia que se dobra aos imperativos e à vontade do grupo que se encontra encastelado no Catete, levando o país para a catástrofe e para o caos.”
Era com esse espírito que ocupava a tribuna, asseverou Maurício Grabois, compreendendo que já não falava para um parlamento soberano capaz de defender a democracia, capaz de defender sua dignidade. “Por isso, usando da palavra, dirijo-me, não a essa maioria que liquida com a democracia, mas, particularmente, ao povo brasileiro, porque, nesta hora, em que o regime democrático está em completa derrocada, somente o povo – e somente ele organizado – é capaz de assegurar a democracia em nossa pátria.”
Ele homenageou os homens do povo, homens anônimos que deram seus votos aos comunistas para representá-los no parlamento, para que defendessem o regime democrático e que nas ruas clamavam contra o “crime monstruoso que é o projeto número 900-A, o qual irá golpear, temporariamente, a democracia em nossa pátria, mas só temporariamente, porque a democracia é invencível”. “Quero render minhas homenagens àqueles homens que estão vertendo sangue para que a democracia não pereça, olhos voltados para o operário Anísio Dario, morto pela polícia de Aracajú, o qual perdeu a vida clamando contra o crime que se pretende perpetrar com a cassação dos mandatos de representantes legitimamente eleitos.”
Maurício Grabois repetiu o argumento de que os comunistas eram vítimas de uma trama contra a democracia. “Não assomamos à tribuna para nos defender, nem fazer a defesa de nossa posição dentro do Parlamento, porque, senhor presidente, se aqui estamos é mais para acusar, pois somos o alvo desse grupo fascista, dessa maioria subserviente. Se sairmos desta Casa, será com nossa consciência tranquila, com a cabeça erguida, porque temos a certeza de haver cumprido o nosso dever, fiéis ao nosso eleitorado e ao povo brasileiro, defendendo, palmo a palmo, suas reivindicações e a própria Constituição.”
O golpe de violência anticonstitucional, por parte dos maiores inimigos da democracia, disse, seria temporário. “Estou certo, porém, de que, amanhã, em outra eleição, quando a democracia ressurgir em nossa pátria — não essa democracia de fachada, que serve a meia dúzia de politiqueiros e generais fascistas, que estão entregando o Brasil ao imperialismo norte-americano —, quando ressurgir a verdadeira democracia, a democracia do povo, quando for respeitada sua vontade, podem estar certos os senhores representantes que neste instante cassam nossos mandatos de que voltaremos, não apenas com uma bancada de dezesseis deputados, mas com número bem maior, capaz de derrotar todos os reacionários que infelicitam o povo brasileiro e impedem o progresso nacional.”
Maurício Grabois afirmou que não alimentava ilusões de reverter a decisão da maioria. “Senhor presidente, inoperante, sem nenhum resultado, seria desenvolver nesta altura dos debates, argumentos jurídicos para atacar o projeto de cassação de mandatos. As maiores figuras da cultura jurídica nacional já se manifestaram, demonstrando a inconstitucionalidade do projeto — homens como o Ministro Eduardo Spinola, como João Mangabeira, como o Desembargador Vieira Ferreira, como o Professor Homero Pires, como o Desembargador Bianco Filho, como o professor Luiz Carpenter, como o doutor Sobral Pinto, como o professor Jorge Americano e inúmeros constitucionalistas de reconhecido valor. Não há, na consciência de qualquer homem honesto, a convicção de que este projeto seja constitucional e venha beneficiar a democracia. Aqui mesmo, neste parlamento, poucos são os representantes do povo, mesmo aqueles que opinam pela cassação de mandatos, que estejam convencidos da constitucionalidade do projeto.”
Os votos seriam por motivos políticos, disse, por interesses próprios e pessoais. “É uma verdadeira farsa querer fazer debate jurídico em torno dessa monstruosa proposição, porque tem a sua origem, não na vingança de um homem, como o senhor Barreto Pinto, mas nos círculos reacionários encastelados no Catete e diretamente inspirados nos trustes e monopólios norte-americanos. Essa a origem do projeto, deste golpe contra a democracia em nosso país. Há outros homens que estão defendendo seus interesses e procuram manter suas posições sob a máscara da constitucionalidade. Sabemos mesmo que não há nenhuma convicção nesse argumento.”
Maurício Grabois fez um alerta à nação contra o “grupo fascista que aí está no poder e aproveita-se da ofensiva imperialista, no mundo inteiro, para liquidar com as liberdades e instaurar a mais feroz ditadura em nosso país”. Está à frente de tal grupo um fascista, conhecido homem que foi condecorado por Hitler e recebeu a espada dos samurais das mãos dos militaristas do Japão, homem que só no último instante, sob a pressão das massas, foi capaz de concordar com o envio das forças expedicionárias para combater o nazismo no solo da Itália.” Dutra, afirmou, transformado por obra do acaso em presidente da República em virtude da instabilidade política em que vivia o país, era um homem de tendências fascistas, que não fazia outra coisa senão aplicar diretrizes políticas que favorecem ao imperialismo.
A atitude dócil do Congresso Nacional diante do autoritarismo do presidente da República, disse Maurício Grabois, seria desastrosa para o próprio parlamento. “Neste discurso, desejo ainda lembrar que o Parlamento está assumindo grandes responsabilidades. Em 1937, ele não foi capaz de defender sua dignidade, curvando-se às vontades dos senhores que dominavam no Catete. Foi ele que votou as leis de segurança, o estado de sítio e o de guerra, permitindo a prisão e processo de membros seus. Esse parlamento, portanto sucumbiu, apodrecido, sem o protesto popular, porque quando a polícia cercou este mesmo Palácio do Congresso, nenhuma voz do povo se levantou para proteger um parlamento incapaz de defender suas próprias prerrogativas! Os fatos se repetem de maneira muito mais trágica e mais séria, porque esta Casa se mostra muito abaixo daquela de 37. Aquele cedeu ao futuro ditador, votando leis de arrocho e exceção; o atual corta na própria carne, expulsando de seu seio homens legitimamente eleitos pelo voto popular, sem contestação alguma.”
Uma vez consumado o crime, o parlamento não mereceria o respeito da opinião pública. Seria um parlamento desfibrado, que o povo não levaria a sério. E, quando os inimigos da democracia procurassem implantar uma ditadura sem aparência legal, bastaria simplesmente um vigilante noturno para fechá-lo, pois nenhuma voz seria capaz de se interessar por um parlamento de capitulação e de traição nacional, analisou Maurício Grabois. “Atrás de todo esse projeto de cassação, entretanto, esconde-se toda uma política contrária aos interesses do povo. Quando encerramos a última sessão legislativa tive oportunidade de dizer que este parlamento não votou nenhum projeto de caráter social. Durante quase um ano de funcionamento, só se votaram as mensagens enviadas pelo Executivo, solicitando abertura de créditos para o governo, ou isenção de direitos para empresas imperialistas. É um parlamento que serve aos poderosos; não se viu aqui aprovado nenhum projeto que viesse beneficiar o povo brasileiro. Esta a realidade palpável.”
Ao votar a cassação dos mandatos, afirmou Maurício Grabois, o Congresso nacional assumia uma conduta reacionária. “Incomoda aos representantes da classe dominante ouvir a voz da classe operária e do povo brasileiro que tem assento neste Parlamento. Dói aos reacionários, aos negocistas, aos exploradores, ouvir a voz rude, às vezes mal formulada, dos operários que têm assento nesta Casa, do deputado negro Claudino Silva, do ferroviário Agostinho de Oliveira, porque é a voz do povo que aqui está vigilante, desmascarando as manobras do senhor Dutra e do grupo fascista contra o país. Aqui também está a origem do projeto de cassação de mandatos: se votam por subserviência, também o fazem por interesses pessoais para afastar a voz do povo, do proletariado, do recinto desta Assembleia. Mas podem estar certos de que este parlamento, sem os representantes da classe operária, sem os representantes que vêm do povo, não merecerá mais o respeito e a devida consideração, não será mais o terceiro poder, mas um apêndice podre da ditadura do senhor Eurico Gaspar Dutra.”
Maurício Grabois denunciou o jogo de cena que a maioria dos deputados fazia ao falar de democracia demagogicamente. “Senhor presidente, a democracia não é um jogo de palavras. A democracia são os fatos, a prática diária e concreta do respeito à nossa Constituição e da defesa dos interesses do povo, e não a subserviência, o calar ante as manobras e as violências dos poderosos. Estou certo de que os acordos e arranjos, que tiveram como objetivo principal facilitar a marcha deste indecoroso projeto, não darão resultado, porque as contradições aumentarão. As posições são poucas e os cargos não chegam para todos. As divergências prosseguirão, porque, para contemplar a UDN, se descontentará o PSD.”
Ele comentou também a discriminação social manifestada por alguns deputados. “O nobre deputado senhor Munhoz da Rocha, em discurso aqui proferido afirmava que todos nós falamos uma só linguagem. É verdade. Falamos a linguagem do povo, do interesse nacional. Mas todos nós, da bancada comunista, saímos dos mais diferentes setores da sociedade. Lá não estão os negocistas, os industriais reacionários e advogados de empresas imperialistas. Lá estão homens como Gregório Bezerra com sua vida dedicada ao povo pernambucano; Abílio Fernandes, operário metalúrgico; Jorge Amado, uma das glórias da literatura nacional; Alcedo Coutinho, médico, que honra a ciência pátria; João Amazonas, Pedro Pomar, Diógenes Arruda e Carlos Marighella, provados lutadores da causa democrática; Henrique Oest e Gervásio de Azevedo, heróis da FEB; Claudino Silva, Francisco Gomes, Agostinho Oliveira e José Maria Crispim, a voz patriótica da classe operária.”
No encerramento do discurso, Maurício Grabois disse que a vitória seria do povo e não de Dutra com seu parlamento de ficção, simples chancelaria do Catete, visando apenas aos atos do governo. “Não será o senhor Dutra nem esta maioria — repito — que acabarão com o movimento comunista no Brasil, porque nós somos a vanguarda das forças do progresso e da democracia. Somos a juventude do mundo, os homens que lutam pelo progresso do Brasil. Somos soldados do grande Prestes. Sabemos que a luta para muitos, será difícil, muitos serão sacrificados; mas outros ocuparão nossos lugares, erguerão a bandeira de defesa da democracia e do nosso povo e o triunfo será certo e decisivo. O governo do senhor Dutra cairá sob a pressão das massas e será execrado por todos os brasileiros e por toda a humanidade.”
***
O projeto foi aprovado por cento e oitenta e um a setenta e quatro votos. Depois da votação, a bancada comunista subiu nas poltronas e, de pé, com o braço esquerdo levantado e a mão fechada, brandiu: “Viva o Partido Comunista do Brasil! Viva Prestes! Viva o proletariado! Nós voltaremos!” Uma comissão de deputados, indicada pela mesa, se encaminhou ao Palácio do Catete para que o presidente da República sancionasse a lei aprovada. Em uma cerimônia simples, Dutra assinou a sentença contra a bancada comunista precisamente às vinte e duas horas do dia 8 de janeiro de 1948. Estavam presentes, entre outros, os ministros da Justiça, do Trabalho e da Agricultura; os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado; o chefe do Gabinete Militar Alcio Souto e o chefe da Casa Civil, José Pereira Lira.
Os comunistas estavam fora da Casa especialmente construída sob a invocação de Tiradentes para servir de sede à Câmara dos Deputados e do Palácio Monroe, a sede do Senado. Na Câmara dos Deputados, das catorze vagas abertas sete ficaram com o PSD, cinco com a UDN, uma com o PR e uma com o PTB. A vaga de Prestes no Senado ficou para a UDN. Quarenta e oito horas depois da sanção presidencial, os TREs oficiariam as assembleias legislativas e as câmaras municipais, enviando a relação dos eleitos pelo Partido Comunista do Brasil. Ao receber a lista, os presidentes daquelas casas deveriam declarar vagas as cadeiras dos citados.
Um mandado de segurança — assinado por Maurício Grabois, Abílio Fernandes, Agostinho Dias de Oliveira, Alcedo Coutinho, Carlos Marighella, Gervásio Gomes de Azevedo, Gregório Lourenço Bezerra e José Maria Crispim — foi impetrado pelo advogado Sinval Palmeira no Supremo Tribunal Federal apontando a inconstitucionalidade da lei, que seria negado por unanimidade.
Por Patricia Manrique
Desarrollar periodismo de investigación en medios locales independientes es una difícil tarea por la presión de los ‘caciques’ locales, a menudo mediante la vía judicial.

“En el vídeo que ahora tenemos que retirar, apuntábamos hace un año a o que ahora están investigando la Guardia Civil, la Fiscalía, los jueces… pero, aun así, no sólo vamos a tener que retirar el vídeo, sino que tal vez tengamos que pagar una multa de diez mil euros”, explica con indignación Albano Dante, periodista y editor de la revista Cafè Amb Llet, un día antes de retirar el vídeo “El robo más grande de la historia de Cataluña”, resultado de una investigación de dos años del semanario, en el que denuncian “la enorme opacidad en el sistema sanitario catalán y cómo esta opacidad permite enriquecerse a unas cuantas personas”.
Dante está especialmente indignado porque otras dos de las personas nombradas en la investigación han pasado a disposición judicial esa misma semana: Carles Manté, exdirector del Servicio Catalán de la Salud, y Josep Prat, presidente del Instituto Catalán de la Salud hasta junio de 2012, detenidos por presunta estafa, apropiación indebida y malversación de fondos públicos en el marco de la “Operación Cirugía”, por denuncias que parten del nodo local de la CUP en Reus y del partido local Ara Reus. Antes que ellos, Ramón Bagó, otro objeto de sus investigaciones, fue investigado por la Fiscalía Anticorrupción por contratar a sus propias empresas del grupo Sehrs mediante su cargo en el Consorcio de Salud y Social de Cataluña. Y otro de los mencionados en el reportaje, el diputado de CiU en el Parlament y exalcalde de Lloret de Mar, Xabier Crespo, ha sido imputado por su vínculo con la mafia rusa. “Mientras tanto, nosotros somos los únicos condenados”, subraya Marta Sibina, coeditora del semanario.
El promotor de la querella, Josep María Vía, destacado cargo de la sanidad pública y privada catalana y asesor de Artur Mas, tan sólo aparecía nombrado en el vídeo a colación de un artículo en El País en el que reflexionaba sobre el exceso de control en la sanidad catalana; sin embargo, a la juez María Millán Gisbert –condecorada el 17 de noviembre de 2011 por el mismo Artur Mas, como ha destacado el semanario catalán La Directa–, el hecho de aparecer en un documento visual en cuyo título figura la palabra “robo”, y la frase “gente como usted, como Bagó, como Manté y tantos otros, que se han enriquecido a costa de hundir nuestra sanidad” le han parecido motivos suficientes para condenarles por lesión al honor de Vía a pagar 10.000 euros y retirar la información. Reporteros Sin Fronteras ha criticado duramente la sentencia, y el exfiscal anticorrupción, Carlos Jiménez Villarejo, ha señalado que “una vez más, la balanza se ha inclinado a favor de quienes ocupan posiciones de poder frente a quienes, con rigor y valentía, se atreven a denunciarlas”.
NO ME TOQUES LO CONCRETO
El sistema tolera toda la presión del mundo en opinión, incluso en las redes, pero el zapatazo te lo dan cuando denuncias algo concreto”, señala Patxi Ibarrondo, director del desaparecido semanario cántabroLa Realidad. Este periodista, que trabajó para diversos medios, como El País, Cambio 16 o La Hoja del Lunes, se lanzó allá por el año 2000 a impulsar la creación de un semanario independiente con un fuerte componente de denuncia. “Se volcaron a fondo para cargarse el periódico”, explica. Lo molesto que era para los poderes locales devino en el cierre del semanario: una denuncia tras otra, casi todas archivadas, amenazaban cada semana su existencia. En 2001, llegó la querella definitiva: la presentada por el entonces secretario general del PP de Cantabria, diputado autonómico y presidente de Caja Cantabria, Carlos Sáiz, por una nota en la sección sarcástica denominada “Tinta Confidencial” firmada por Ulises Quintacolumna, en la que se reseñaba que, allá por 1996, “a raíz de una elecciones municipales”, Sáiz y una secretaria del partido “fueron por carretera hasta Zúrich (Suiza) de los bancos a manejar fondos” y que “a la entidad bancaria entró solamente la secretaria porque Carlos Sáiz no quería que le filmasen las cámaras de seguridad”. Esta y otra nota similar, también de corte humorístico, bastaron para que la juez Laura Cuevas Ramos estimase que se lesionaba “objetivamente” el honor de Sáiz. La condena inicial fue de 120.000 euros, y se ejecutó provisionalmente, con lo que la falta de recursos económicos para atender a la misma provocó la quiebra de la cooperativa de trabajadores que editaba el periódico. Finalmente quedó en 12.000, 27.000 con los costes procesales e intereses. Ibarrondo, que enfermó de párkinson, aún sigue pagando a Sáiz con el embargo de una parte de su pensión de invalidez.
‘La Realidad’ sufrió el acoso constante, semana tras semana, de demandas que no prosperaron
Ya por aquel entonces, el desaparecido periodista Javier Ortiz, que denunció el caso desde las páginas delEl Mundo, apuntaba las dificultades de ejercer el periodismo independiente, mayores en el ámbito local. “Los obstáculos son constantes y las presiones más fuertes en el periodismo de investigación periférico”, apunta Ibarrondo: “Cantabria –y, como aquí, ocurre en otros territorios– es un coto cerrado de caciques que se reparten el pastel en plan mafia, y rige la omertá siciliana, el silencio cómplice”. A su juicio, “se han cargado el periodismo de investigación porque atenta contra los cimientos de la impunidad”, y éste ha dado paso al “periodismo de filtración”, espoleado, demasiado a menudo, por intereses espurios.
El periodista Carlos Otto sufrió también presiones en el ámbito local. Trabajaba en El Día de Ciudad Real, periódico propiedad del constructor Domingo Díaz de Mera, uno de los principales promotores del aeropuerto de Ciudad Real, ligado durante muchos años a diversos medios de comunicación y al extinto club Balonmano Ciudad Real. En octubre de 2008, cuando estaba a punto de abrirse el aeropuerto, se denegó la licencia de apertura por diversas irregularidades y Otto, en su blog personal Modus Tollens, escribió un post muy duro contra varias de las personalidades ligadas al aeropuerto, a quienes llamó “capos”, denunciando la compra de favores y el amiguismo existente en la Comisión de Seguimiento de la Declaración de Impacto Ambiental. Entre los mencionados, se hallaba el director de su periódico, “cosa que yo sabía perfectamente, pero lo hice porque lo tenía que hacer”, explica el propio Otto. El post fue portada en Menéame. Al día siguiente, el periodista fue despedido. Poco después, recibía la comunicación para tres actos de conciliación, que auguraban las correspondientes querellas, firmadas las tres por el mismo abogado en representación del propio Díaz de Mera, de Juan Antonio León Treviño, presidente del aeropuerto, y de la gerente del El Día, Carmen García de la Torre. No se avino a las condiciones de la conciliación –disculpas, eliminación del artículo y 6.000 euros por caso–, y se dispuso a esperar las querellas… que nunca llegaron. El despido, eso sí, fue declarado procedente.
HACER PERIODISMO SIN MIEDO
Mi sensación era que, aparte de amedrentar, intentaban lanzar al resto el mensaje de que esto es lo que pasa si se critica a quien no se debe”, explica. A su juicio, “ha habido una ‘burbuja’ de medios de comunicación, fruto de la burbuja inmobiliaria, montados por personas que no sólo no tienen nada que ver con la comunicación, sino para quienes la libertad de expresión seguramente sea su mayor enemigo”. Por aquel entonces, la mayor parte de Ciudad Real desconocía, por ejemplo, que Díaz de Mera había sido investigado por la Fiscalía Anticorrupción. Sus medios no informaban sobre esas cuestiones.
Con todo, Ibarrondo, Otto, Dante o Sibina no se arrepienten de nada. Para Dante, “si la gente sale a las calles y se arriesga a que le arranquen un ojo, los periodistas también tendrán que empezar a arriesgarse”. Cafè amb llet consiguió mediante un crowdfunding 23.000 euros para pagar la multa, Otto recibió un gran apoyo en internet. Ibarrondo no tuvo tanta suerte, pues su caso se produjo en una era preinternet. “El grupo PRISA tiene dinero –reflexiona Dante–, nosotros tenemos una comunidad inmensa. Cuanto más apoyo tengan de la ciudadanía los medios pequeños, más podrán hacer el trabajo de plantar cara al poder”, subraya. Y en ello siguen.
EL EFECTO ‘CHILLING’, AMENAZAS QUE CALLAN
Hay un concepto en el periodismo norteamericano, el de chilling effect, sobre cómo ante la dificultad total de que las cosas sean claras, por miedo, nadie acaba diciendo nada”, explica Albano Dante, de la revistaCafè amb Llet. La expresión, que podría traducirse al castellano como “efecto intimidatorio”, se refiere a un fenómeno bautizado por un juez del Tribunal Supremo de los Estados Unidos en 1950, y se utiliza para señalar el efecto de determinadas actuaciones judiciales que amedrentan y provocan autocensura en la labor que desempeñan periodistas, pero también intelectuales y activistas.
Casos como los reseñados, y algunos de otra naturaleza como los de Egin, Egunkaria o Ardi Beltza, publicaciones clausuradas por actuaciones judiciales que después no tendrían refrendo en tribunales, pero acabaron con su labor periodística, son ejemplos que pueden provocar este fenómeno. En el caso de Cafè amb Llet, el exfiscal anticorrupción Jiménez Villarejo, entre otras voces críticas, ha valorado que “la juez ha preferido optar por la vía más directa y represiva”.
En sentido contrario al “efecto chilling”, el “efecto Streisand” es un fenómeno de internet en el que un intento de censura u ocultamiento de cierta información fracasa o incluso es contraproducente para el censor, ya que la información acaba siendo más divulgada al recibir mayor publicidad que si no se la hubiese pretendido acallar. Esto último ocurría la semana pasada con el vídeo de Cafè amb Llet, que se replicó en multitud de servidores.
(Tomado de Rebelión)
Por Osvaldo Bertolino
Um texto de Antonio Carlos Mazzeo, professor de ciências políticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), anda circulando pela internet dizendo que o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) pratica “estelionato político” e é adepto da “mentira e da manipulação desavergonhada”. Lavrado em tom elevado, Mazzeo abre o artigo citando que “a pior coisa do mundo é o enganador... ou melhor o estelionatário”.
Tomado pela insensatez, o professor abandona a argumentação – e até os elementares cuidados técnicos com a redação – para se dedicar aos ataques já no início da exposição. Segundo ele, “quem teve o desprazer de ver as inserções do PCdoB no horário nobre da TV, pode assistir um estelionato político ao vivo, a cores e sem cortes .... despudorado”. Adepto da ênfase nas palavras no lugar da ênfase nas ideias, ele escreveu que “a falta de vergonha foi tal, que cheguei a ficar ruborizado diante de tanta mentira e manipulação”.
Para Mazzeo, “é mais do que sabido que o PCdoB, surgiu em 1962, como dissidência de uma absoluta minoria do Comitê Central do PCB, formada por João Amazonas e Maurício Grabois, que discordavam dos debates sobre o XX Congresso do PCUS – Partido Comunista da União Soviética – e a necessidade de desestalinizar o Partido e o próprio Movimento Comunista Internacional”. Apressado e superficial, o professor afirmou que o PCdoB aderiu ao maoismo e passou a nominar o PCB como "bando de Prestes" e a União Soviética de "social imperialismo".
Falsificação
Mazzeo inclui Cuba no pacote das causas para os ataques, segundo ele um país considerado pelo PCdoB como "satélite do social imperialismo", sendo Fidel Castro uma "marionete dos soviéticos". Mais tarde, o PCdoB romperia com a China e passaria “a considerar a Albânia do stalinista ortodoxo Henver Hoxha como ‘farol do socialismo’”, conforme a análise enviesada do professor. “Com a crise e a divisão do PCB, em 1992, que deixa o Partido muito debilitado, aproveita o momento de fragilidade do PCB e monta uma agressiva e deliberada política de apropriação da história do PCB, distorcendo e manipulando os fatos históricos”, comentou.
Em cada parágrafo há um ataque, seguido de uma falsificação. No seguinte, ele garante que “se para os setores mais esclarecidos e mais informados do movimento social e da intelectualidade de esquerda, essa agremiação não é levada à sério, é de preocupar que essa mentira dita muitas vezes possa ganhar alguma dimensão entre os segmentos mais atrasados do movimento social”. No subsequente, mais chumbo grosso: “Não bastasse dizer que tem 90 anos – grosseria sem algum respaldo histórico e temporal, pois se o PCdoB foi fundado em 1962, ele tem 51 anos de vida política errática e oportunista – mentiu descarada e escandalosamente, ao dizer que Prestes, Olga, Niemeyer, Jorge Amado, entre outros, foram daquela agremiação (esse é o termo possível).”
Em sua linha torta para analisar a história, Mazzeo defende que Olga Benário, Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado e Oscar Niemeyer nunca foram do PCdoB. Segundo o errático professor, “essa mentira despudorada tem um objetivo: o de esconder sua adesão ao projeto de modernização conservadora do capitalismo liderada pelo PT, as alianças com os monopólios internacionais e nacionais, a amizade com o agronegócio e a conciliação de classes”. Depois de lavrar mais alguns rompantes estridentes e ocos, Mazzeo encerra dizendo: “Mas fica aqui registrado meu repúdio, minha náusea e minha indignação.”
Conexão
O professor erra datas, faz uma confusão com os fatos e vai emitindo seus juízos erráticos sem o menor pudor. Sobre Cuba, por exemplo, ignora todo um processo de aproximação do PCdoB com a Revolução na ilha, que se rompeu quando o governo de Fidel Castro se aproximou dos traidores soviéticos. A aproximação com a Albânia e a China se deu no mesmo processo; ao contrário do que diz Mazzeo, não houve rompimento com um para se aproximar do outro. São fatos conhecidos, o que não justifica essa falha bisonha.
De todo modo, a forma grosseira não merece consideração; o conteúdo, sim, deve ser analisado. Como dizia aquele personagem, vamos por partes. É mais do que sabido que o PCdoB surgiu em 1962, como dissidência de uma absoluta minoria do Comitê Central do PCB, por quem, professor? Quem conhece os fatos sabe que a decisão de mudar o nome, os princípios e o Programa do Partido contrariava o artigo 32 dos Estatutos. "As decisões do Congresso são obrigatórias para todo o Partido e não podem ser revogadas, no todo ou em parte, senão por outro Congresso", dizia o documento.
Não é possível compreender o significado daqueles acontecimentos que levaram à reorganização do Partido Comunista do Brasil, que adotou a sigla PCdoB para se diferenciar do novo PCB (o Partido Comunista Brasileiro), sem estabelecer conexão com os acontecimentos anteriores, sobretudo os dos anos 1950, conforme explicou Pedro Pomar no jornal “A Classe Operária”. Fora um período difícil para país, constatou ele, que exigiu dos comunistas esforços para vencer os obstáculos “que o Partido teve de transpor para cumprir sua missão revolucionária”. Fora também uma fase rica de ensinamentos, na qual muitos militantes manifestaram grande abnegação, “mas a direção do Partido não teve a capacidade de encontrar o melhor caminho da revolução e deixou que se perdessem magníficas oportunidades para elevar o nível da ação combativa das massas”.
Frustração
Naquela época já se podia observar certo desalento nas fileiras comunistas e perceber que a linha política claudicava diante dos acontecimentos que se precipitavam, como os de 24 de agosto de 1954 (suicídio de Vargas) e os de 11 de novembro de 1955 (posse de Juscelino Kubitschek), analisou Pedro Pomar. O Programa do Partido, aprovado no IV Congresso, na sua opinião passou a ter uma interpretação “sui generis”, que não afinava com as diretrizes essenciais nele contidas. “Nessas condições é que nos surpreendeu a ofensiva da reação imperialista e o surto revisonista”, afirmou.
Pedro Pomar constatou que nas fileiras comunistas propagou-se rapidamente uma sensação de frustração, sobretudo nos setores da intelectualidade ligada aos comunistas ou sob a influência do Partido. “Cresceu a confusão ideológica em face das enormes vacilações da direção partidária e da sua impotência para enfrentar os ataques dos revisionistas”, comentou ele. Pedro Pomar fez uma minuciosa análise dos acontecimentos que levaram à reorganização do Partido Comunista do Brasil, revelando nuances que permitem visualizar as entranhas da batalha desenvolvida no processo do V Congresso.
Segundo ele, o debate no “movimento comunista” começou por iniciativa dos revisionistas e, “embora contivesse aspectos positivos e revelasse o sentimento internacionalista e revolucionário de diversos camaradas, não contribuiu para esclarecer devidamente os problemas controvertidos”. Ao contrário, gerou mais desorientação, disse ele. “Tudo isso contribuiu para que fosse declinando a influência dos comunistas no movimento operário e democrático. As forças populares, sem liderança efetiva, se tornaram objeto da traficância dos demagogos burgueses e pequeno-burgueses. O movimento de massas ia sendo empolgado, cada vez mais, pelo nacionalismo. As publicações comunistas de massa despareceram e o próprio nome do Partido Comunista do Brasil passou a ser omitido, sendo substituído pela expressão ‘movimento comunista’ ou pela assinatura de um único dirigente”, escreveu.
Corifeus
Toda a atividade pretérita dos comunistas se transformou em alvo de zombaria, disse Pedro Pomar. Era acusada, em todos os aspectos, de ser sectária e dogmática. “O Programa do Partido foi considerado superado em sua totalidade pelos corifeus do revisionismo, sob a acusação de que não refletia as novas condições do mundo e do Brasil. No que se refere à situação internacional, os revisonistas afirmavam que, na base de uma falsa apreciação, havíamos exagerado o perigo de guerra, que o poderio do socialismo era de tal magnitude que todas as reformas sob o capitalismo favoreciam o socialismo e que, portanto, a ditadura do proletariado e a revolução proletária deixaram de ser indispensáveis.”
O culto à personalidade de Prestes, que segundo Pedro Pomar os comunistas estimularam durante muitos anos, tornou-se um fator primordial para que as ideias revisionistas acabassem se impondo. “Por ironia, um dos aspectos negativos da atividade do Partido e que os revisionistas diziam combater é que lhes propiciou a arma mais poderosa para empolgar a direção e depois o conjunto do Partido. Justamente graças à adesão de Prestes ao grupo revisionista, em 1957, é que este passou a predominar no Partido.”
Pedro Pomar revelou que os dirigentes do grupo revisionista, de acordo com Prestes na reunião do Comitê Central em agosto de 1957, acusaram quatro integrantes do antigo “Presidium” (Maurício Grabois, João Amazonas, Sérgio Holmos e Diógenes Arruda Câmara) de serem os principais responsáveis pelos erros do Partido. “Embora em conversas privadas confessassem outra coisa, consideraram Prestes como vítima de uma conspiração, como um homem não informado. Os ‘cabeça de turco’ (locução de uso popular que significa teimoso, obstinado, resistente) foram apontados no Partido e alijados de seus postos e aquele que era de fato o maior responsável, não só como decorrência do posto que ocupava, mas, sobretudo, pelo sistema de culto à personalidade, foi inocentado, ou considerado capaz de recuperação”, detalhou.
Resistência
Apelando para a esperteza e utilizando sofismas, disse Pedro Pomar, os revisionistas continuavam rendendo o mesmo culto à personalidade, acusando, entretanto, os que se mantinham fiéis às tradições revolucionárias do Partido como “saudosistas desejosos da volta do passado”. “Com esses estribilhos monótonos, aplicavam a torto e a direito o método mandonista por eles tão condenado. Velhos quadros e militantes foram vítimas de uma política discriminatória mais absurda e hipócrita. Empregando tais processos, os revisonistas conseguiram impor no V Congresso a linha reformista, apesar da vigilância dos elementos revolucionários e de sua crescente resistência diante do que ocorria no Partido. Tanto assim que os Estatutos então aprovados ainda conservaram, no fundamental, os princípios e as normas leninistas consagrados pelo movimento comunista internacional.”
Era preciso ressaltar a resistência aos revisionistas para se apreciar de modo correto o que aconteceu quando o Comitê Central eleito no V Congresso resolveu alterar o nome do Partido e criar um novo partido, que não se regeria mais pelos princípios do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário, ponderou Pedro Pomar. “Nessa ocasião, grande número de militantes se dirigiu ao Comitê Central para condenar essa tentativa de formar um novo partido, sob o pretexto de obter seu registro eleitoral. Simultaneamente, esses militantes solicitaram a convocação de um novo Congresso, única instância que podia decidir a questão caso a direção não quisesse voltar atrás de seus propósito liquidacionista.”
A resposta do Comitê Central a essa petição dos que divergiam de sua conduta foi de uma intolerância a toda prova. “Entrou pelo terreno das sanções disciplinares, da acusação de divisionismo, até o ponto de pretender expulsar do movimento comunista honrados lutadores da causa revolucionária do proletariado. Assim, os reformistas consumavam o divisonismo no movimento comunista. Não restava outro recurso aos que se mantinham firmemente nas posições revolucionárias do marxismo-leninismo senão o da convocação de uma Conferência extraordinária do Partido Comunista do Brasil que tratasse, fundamentalmente, da sua reorganização diante das graves consequências da política e dos métodos aplicados pelos revisionistas.”
Infiltrados
Em outro comentário, Pedro Pomar disse que, como ensinava Lênin, era impossível vencer o imperialismo sem desmascarar e derrotar ao mesmo tempo o oportunismo nas fileiras do movimento operário e comunista. “No Brasil, estamos vivendo nossa experiência de luta contra os revisionistas”, comentou. “Sabe-se como foi forte o surto revisionista no movimento comunista brasileiro a partir de 1956. Nós, que procuramos defender a bandeira revolucionária de Lênin, fomos então apanhados de surpresa. Não possuíamos tradição de luta ideológica e ainda por cima aceitávamos muitas concepções errôneas, dogmáticas”, escreveu.
Segundo ele, os revisionistas infiltrados na direção comunista agiram, “manhosamente e sem escrúpulos”, paulatinamente, para liquidar o caráter revolucionário do Partido. “A princípio sob o pretexto de corrigir alguns erros da linha política fizeram aprovar uma orientação nacional-reformista. Depois, sub-repticiamente, foram liquidando os jornais e as organizações onde os comunistas tinham influência, até culminarem seu trabalho com a renúncia dos princípios do marxismo-leninismo e do internacionalismo, e com a modificação do nome do Partido”, denunciou.
Na realidade, conforme a análise de Pedro Pomar, os revisionistas provocaram a divisão do Partido, “mas lançam contra os que defendem a causa do velho Partido marxista-leninista da classe operária a acusação de divisionistas e todo tipo de calúnias”. As mesmas calúnias agora repetidas pelo professor Mazzeo. Lamentável.
Cuba anunció este martes que está preparada para realizar mañana miércoles una prueba detelevisión digital con una “zona de demostración” que aplica un método desarrollado por expertos chinos, informaron medios locales.
“Cuba está preparada para llevar a cabo exitosamente esta prueba”, afirmó el director del Instituto de Investigación y Desarrollo de Telecomunicaciones (Lacetel) de la isla, Glauco Guillén, durante el primer Foro Internacional de televisión digital que se celebra en La Habana.
El funcionario dijo que Cuba impulsa la transferencia de la televisión analógica a un sistema digital bajo la norma china “al servicio de las necesidades de la sociedad”.
El foro celebrado en el marco del XV Convención y Feria Internacional de Informática y Telecomunicaciones que tiene lugar esta semana en La Habana, tiene el propósito de impulsar la aplicación de la norma china DTMB de televisión digital y favorecer la cooperación de la nación asiática con América Latina.
Cuba desarrolla la transferencia de la televisión analógica a un sistema digital como parte de los acuerdos firmados entre los Gobiernos de La Habana y Pekín para fomentar la cooperación tecnológica.
El vicedirector de la división de industrias y tecnologías de la Comisión Nacional de Desarrollo y Reformas de China, Wu Hao, indicó que el foro aspira a mejorar la aplicación de la norma china de televisión digital y promover la cooperación entre su país y la región latinoamericana, según cita la agencia cubana Prensa Latina.
“Queremos trabajar juntos para impulsar esta aplicación en Cuba, y desarrollar una industria y televisión digitales terrestres para beneficiar a los pueblos globales”, señaló Wu.
También comentó que el gobierno chino presta gran importancia a la comunicación con la región, e “incentiva” la aplicación de la norma TDMP, de la cual ya se han hecho pruebas en Cuba, Perú y Venezuela.
El funcionario chino consideró que el desarrollo y despliegue mundial de la televisión digital está “en ascenso”, y por eso China y sus industrias están dispuestos a trabajar con América Latina “a todos los niveles” para contribuir al desarrollo de la industria basado en el principio de “la apertura y la innovación”.
(Con información de EFE)

Israel planea discutir con el presidente norteamericano, Barack Obama, una ofensiva contra Siria y una nueva guerra contra el Líbano, durante la visita que realizará el mandatario estadounidense al país hebreo este miércoles. Así lo afirmó el portal Infowars.com.
Además Israel podría acusar a Siria de enviar misiles al grupo chiita libanés Hezbolá para justificar su ofensiva, igual que hizo en enero pasado cuando aviones israelíes atacaron un convoy en Siria.
En su momento Barack Obama ya prometió que EE.UU. intervendría para impedir que Siria usara armas químicas o se las proporcionara a Hezbolá.
Además de los planes para atacar Siria, Israel busca desencadenar un conflicto con el Líbano que podría compararse con la guerra de 2006.
“Cada vez es más frecuetne oir decir a generales israelíes que una nueva guerra con Hezbolá es inevitable”, afirmó un diplomático occidental citado por el diario británico ‘The Guardian‘.
El comandante de la 91ª división de las Fuerzas de Defensa de Israel (FDI), el general de brigada Hertzi Halevy, declaró a periodistas en julio del año pasado que se estaba gestando una nueva guerra contra Hezbolá.
“La próxima guerra será diferente, tiene que ser una guerra rápida para no perjudicar a nuestros civiles. Eso se traduce en lanzar un fuerte ataque contra el Líbano para que los daños sean enormes”, informó el diario israelí ‘Haaretz’ citando a un alto cargo militar del Mando Norte de las FDI.
El gobierno de la República Bolivariana deVenezuela dispuso la condecoración de siete profesionales cubanos con la orden “Libertadores y libertadoras de Venezuela” en su primera clase (Espada), por su labor en la Unidad Médica Presidencial, Misión Martí.
En decreto firmado por el presidente encargado,Nicolás Maduro, y publicado este martes en Gaceta Oficial, se reconoce el deber de honrar a quienes con su espíritu, sacrificio y entrega han contribuido a la consolidación de la libertad de los pueblos, en especial en este tiempo histórico de lucha por los valores culturales de la humanidad.
En tal sentido, consideró que los camaradas doctores Roberto Castellano García , Jorge González Pérez, Ibrahim Fernández Rodríguez y José I. Fernández Cuesta y licenciados Midiala Rodríguez Calvo, Laura Hernández Vidal y Pedro Águila Griñan “son un luminoso ejemplo del patriotismo y de convicción revolucionaria quienes dedicaron tiempo, labor y amor como parte de la Unidad Médica Presidencial, Misión Martí”.
Los profesionales “han seguido durante toda su trayectoria el camino del ideal bolivariano, siempre del lado de la causa de los desposeídos y oprimidos, asumieron fielmente el compromiso del cuidado de nuestro Comandante Supremo de la Revolución Bolivariana Hugo Rafael Chávez Frías“.
“Son un ejemplo a seguir, en virtud de la encomiable labor, destacado compromiso, preparación, perseverancia y entereza demostrada en el cabal cumplimiento de su desempeño y dedicación en las misiones encomendadas”, indica el decreto.
(Con información de PL)
Página 1 de 2149








![]() | Hoje | 15659 |
![]() | Ontem | 21547 |
![]() | Essa semana | 37206 |
![]() | Semana passada | 200405 |
![]() | Este mês | 470745 |
![]() | Mês passado | 561454 |
![]() | Todos os dias | 30789632 |
![]() |
Espaço do pensamento marxista e progressita. Editado por Osvaldo Bertolino www.grabois.org.br |
![]() |