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Museu na Alemanha resgata monumento de Lênin

Museu na Alemanha resgata monumento de Lênin

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Há 25 anos retirado do seu pedestal, desmembrado em dezenas de partes e enterrado no sul de Berlim, em uma controvertida ação relâmpago, o principal monumento de Lenin da antiga Alemanha Oriental será resgatado em agosto e exposto no Museu da Cidadela, um complexo medieval que fica no norte da cidade.

A exposição já deveria ter sido aberta no início do ano, mas o projeto foi adiado diversas vezes porque a prefeitura de Berlim queria proibir que Lenin voltasse à superfície, reabrindo o debate sobre o processo de caça às bruxas que acompanhou a derrocada do comunismo na Alemanha.

Segundo Andrea Theissen, a curadora, a prefeitura alegou um motivo depois do outro para proibir a ação. Primeiro faltava dinheiro, depois não se sabia mais onde a estátua estava enterrada. O último foi ecológico. Uma lagartixa que faz parte da lista de animais ameaçados de extinção havia se infiltrado no terreno. Depois da retirada dos animais, em pouco mais de quatro semanas, os especialistas vão finalmente resgatar Lenin do subsolo de Berlim.

Como os custos de resgate de todas as 119 partes da estátua de 19 metros de altura vão além do orçamento do museu, apenas a cabeça será desenterrada e transferida para a cidadela de Spandau, a mais bem preservada fortaleza da era da Renascença na Europa.

Lenin — que quando vivo tinha uma forte ligação com a capital alemã, que visitou doze vezes entre 1895 e 1917 —, voltará a ser o centro das atenções. Como lembra a historiadora berlinense, Lenin volta a ser mostrado não mais por ordem do Estado, como em 1970, quando a escultura do artista soviético Nikolai Tomski foi exposta na então “Praça Lenin”, na antiga Berlim Oriental, por ocasião do aniversário de cem anos do revolucionário, mas como o legado histórico de um capítulo muito importante da Europa e da Alemanha.

Em “Descobertas: Berlim e os seus monumentos”, Andrea Theissen buscou fundo na História testemunhos do nacionalismo e extremismo na capital alemã, começando pelos monumentos da “avenida da vitória”, construída por ordem do imperador Guilherme, que Albert Speer, o arquiteto de Hitler, mandou transferir para um ponto mais central da cidade, onde ainda hoje está, com a “coluna da vitória”, perto do Portão de Brandemburgo.

– Quando começamos o projeto, em 2009, fomos criticados como alguém que tenta repor um ditador no seu pedestal – diz a historiadora – As marcas da História não devem ser apagadas. Monumentos como as estátuas dos lideres comunistas ou o legado dos nazistas não devem ser destruídos, mas sim apresentados no seu contexto.

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