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Com políticas neoliberais, diferença entre ricos e pobres é a maior em décadas

Com políticas neoliberais, diferença entre ricos e pobres é a maior em décadas

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As políticas de flexibilização das relações trabalhistas, que incluem a institucionalização da terceirização, e o enfraquecimento dos sindicatos, levou o abismo entre ricos e pobres no mundo atingir “seu nível mais alto em décadas”, especialmente nos países ricos. Com isso, a renda dos 10% mais ricos agora é nove vezes maior do que as dos 10% mais pobres. Na parte mais alta da pirâmide, a concentração é ainda maior, com o 1% mais rico detendo cerca de 10% do total da renda das economias avançadas.

A fonte das informações não é nenhuma ONG antiglobalização, mais o o Fundo Monetário Internacional (FMI), justamente o guardião das políticas de austeridade para os gastos não financeiros e da redução de direitos trabalhistas.

Assinado por Era Dabla-Norris, Kalpana Kochhar, Nujin Suphaphiphat, Frantisek Ricka, Evridiki Tsounta, o estudo do FMI admite que “mais flexibilidade nas regras de contratação e demissão, salários mínimos mais baixos e sindicatos menos poderosos estão associados a uma maior desigualdade”. Embora o documento não represente uma posição oficial do fundo, sua divulgação pelo órgão mostra a dificuldade cada vez maior de tapar o sol com a peneira diante do crescente aumento da desigualdade nos países desenvolvidos.

Os responsáveis pelo estudo acrescentam que os avanços tecnológicos também contribuem para a concentração de renda, ao atingirem, principalmente, os trabalhadores de escolaridade baixa. Para mostrar os efeitos maléficos da concentração de renda sobre a economia, os especialistas estimam que o crescimento econômico no médio prazo é menor em 0,08 ponto quando as receitas dos 20% mais ricos crescem em 1%. Ao mesmo tempo, aumento semelhante na receita dos 20% mais pobres estimularia o crescimento em quase 0,38 ponto percentual, também segundo o estudo.

“Um período prolongado de maiores desigualdades nas economias avançadas esteve associado à crise financeira (2008-2009) ao reforçar o efeito de endividamento e permitir que os lobistas pressionassem para impedir a regulação financeira”, destaca o documento, acrescentando que uma melhor distribuição da riqueza poderia ser obtida por impostos sobre o patrimônio e sobre a propriedade imobiliária, bem como pelo reforço da luta contra a evasão fiscal.

O documento foi elogiado pela ONG Oxfam, uma das principais do Reino Unido: “O FMI prova que tornar os ricos mais ricos não é bom para o crescimento”, salientou o diretor da organização em Washington, Nicolas Mombrial.

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