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Reação da Turquia à solidariedade ao povo armênio é reprovada pelo Brasil

Reação da Turquia à solidariedade ao povo armênio é reprovada pelo Brasil

A recente Moção de Solidariedade ao Povo Armênio aprovada pelo Senado brasileiro por ocasião da celebração dos cem anos do massacre de um milhão e meio de armênios pelo Império Otomano provocou reação imediata do Governo turco. O Professor Pedro Bogossian Porto falou sobre o assunto com exclusividade para a Sputnik Brasil.

A moção, proposta por dois senadores do PSDB de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira e José Serra, levou o Governo da Turquia a chamar para consultas em Ancara o seu embaixador em Brasília, Hüseyin Diriöz, e a convocar o embaixador brasileiro na capital turca para apresentar explicações.

Por sua vez, o Governo brasileiro lamentou a reação das autoridades turcas, afirmando que o embaixador da Turquia em Brasília recebeu do secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Danese, amplas explicações sobre os procedimentos do Senado, a independência dos poderes no Brasil e a posição brasileira na questão, que, segundo o Itamaraty, permanece inalterada.

Em nota oficial, o Governo turco condenou a resolução do Senado brasileiro, afirmando que “ela distorce as verdades históricas”.

Para o professor de História e Mestre em Antropologia Pedro Bogossian Porto, o conceito de “verdades históricas” precisa ser mais bem discutido e aprofundado. Em entrevista à Sputnik Brasil, o professor afirmou: “O que aconteceu entre 1915 e 1922 pode ser classificado como genocídio, embora o termo não existisse ainda na época em que o massacre foi perpetrado. O termo foi criado em 1944 pelo jurista polonês Raphael Lemkin, para tratar do extermínio dos judeus na Segunda Guerra Mundial, especialmente na Alemanha nazista. Mas, se olharmos retrospectivamente, o que aconteceu com os armênios pode, sim, ser caracterizado como genocídio.”Na definição de Raphael Lemkin, o termo “genocídio” define o crime que tem por objetivo a eliminação da existência física de grupos nacionais, étnicos, raciais e religiosos. Portanto, afirma Pedro Bogossian, este termo pode perfeitamente ser aplicado ao que o Império Otomano fez com o povo armênio. Segundo o professor e antropólogo, o genocídio do povo armênio teve início em 1915 e só terminou em 1922.

O genocídio armênio, também chamado de holocausto armênio e ainda de massacre dos armênios, tem o dia 24 de abril de 1915 como data histórica de referência para o seu início. Segundo os historiadores, foi a conclusão brutal de um processo iniciado ainda no século XV, quando os armênios, então sob o jugo do Império Otomano, iniciaram um movimento de libertação.

Para o Professor Pedro Bogossian, “os armênios tinham uma posição um pouco peculiar dentro do Império Otomano, que era repleto de várias etnias, e os armênios formavam uma delas. A existência dessas etnias incomodava bastante o governo otomano. Havia uma proposta de uniformizar o Império Otomano, estabelecendo um Império Turco, porque era a etnia dominante. Os turcos eram dominantes em termo políticos, e então se decidiu fazer coincidir o Estado otomano com a etnia turca. Para isso, era necessário fazer uma limpeza étnica. Os armênios foram o primeiro alvo. É bem verdade que já havia atritos entre turcos e armênios, desde o final do século XIX, com casos de violência de ambas as partes. Já havia certa animosidade. Isso foi o que motivou a organização de um extermínio mais sistematizado e que se estendeu por sete anos”.

Durante a Primeira Guerra Mundial, que durou de 1914 a 1918, o Império Otomano combateu ao lado da Alemanha. “Como a Turquia estava em guerra, os armênios foram acusados de colaborar com os russos, por sua vez, inimigos da Alemanha e também do Império Otomano. Este foi o pretexto para eliminar os armênios”, conta Pedro Bogossian. “E esta política de extermínio durou até 1922, ano em que foi estabelecida a paz no Oriente Médio. A guerra na Europa propriamente dita termina em 1919 com o Tratado de Versalhes, mas ela prosseguiu, no Oriente Médio, até 1922.”

Antes da Moção do Senado brasileiro, o Governo da Turquia já havia se manifestado contra a Rússia, por esta sustentar a tese do genocídio, e se indispôs com o Papa Francisco, que, às vésperas das celebrações de 24 de abril, declarou que episódios como o do genocídio do povo armênio nunca mais poderão se repetir.

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