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Direita manobra para destruir a esquerda grega

Direita manobra para destruir a esquerda grega

siryza

A extrema irreconciliabilidade dos credores obrigou o Governo da Grécia a retirar-se das negociações e convocar plebiscito. No que diz respeito aos credores, era bem claro desde o início que a questão para os três (Comissão Européia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) não era econômica, mas política (mesmo que se não o desejavam todos aqueles que determinavam o prosseguimento da tática da negociação, enquanto qualquer homem simples do povo compreendia perfeitamente a manobra).

Objetivo dos credores não é serem garantidas as condições de resgate do empréstimo, mas:

a) Serem impostas de forma mais absoluta as violentas medidas neoliberais para submeter a Grécia ao novo plano da União Européia (UE), no qual a Grécia é predeterminada a constituir parte de uma periferia européia sem a menor importância política, econômica e social.

b) Humilhar o Governo da Grécia, tanto internacionalmente, quanto no próprio país, ou ser derrubado, ou ser obrigado a aceitar uma violenta alteração, afastando-se de forças sistêmicas de esquerda (Potámi e outras).

O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, mesmo em cima da hora, desejou evitar o engaiolamento após ter percebido que a aceitação do acordo que lhe impunham os credores o anularia totalmente. Assim, optou pelo plebiscito como uma ação tática de desengaiolamento sem, contudo, pretensão de alteração de estratégia e sem integrar esta ação a algum outro plano mais amplo.

Portanto, a reação do governo grego à chantagem dos credores e a convocação de plebiscito não parece como verdadeira alteração de estratégia. Embora, “de longe” como ação, torna-se cada vez mais visível que para o próprio governo grego constitui manobra de negociação no âmbito de busca de “vantajoso acordo mútuo”.

Características são as sucessivas declarações de membros governamentais e parlamentares, as quais minam a já difícil batalha para o “não” que será travada nestes dias. Desta lógica sem saída flui, também, o perigo de anulação ou alteração de caráter do plebiscito (até também de alteração do “não” em “sim”) se o governo aceitar certa proposta mais “favorável” dos credores no último instante.

Nova fase

A posição dos credores endurece e isto continuará, enquanto torna-se cada vez mais difícil o entendimento com o Governo da Grécia e são fortalecidos os cenários para sua derrubada. Seja lá como for, o governo atual é considerado “corpo estranho” para a eurocracia, e isto vale também para o povo grego até o último instante caso signifique imposição de frugalidade de dimensões maiores.

Pelo lado do povo grego é possível existir um despertar de radicalismo anti memorando. Simultaneamente, as aterrorizantes tendências em uma parcela do povo estendem-se por causa da propaganda de terror, do fechamento dos bancos e outros (não houve nenhuma preparação do fator popular para tudo isso, embora seja apenas o início ainda).

Em todo caso, e com qualquer resultado, deverão sem sombra de dúvida serem aguardadas impetuosas evoluções políticas, econômicas e geopolíticas. Elemento central nesta fase é o aprofundamento de orgânica crise, as evoluções políticas em ambiente de generalizada confusão e total falta de preparação do fator popular, a consequente desestabilização do sistema político que tenta adotar políticas do memorando.

Dinâmica do plebiscito

Neste âmbito, o plebiscito pode adquirir dinâmica independente, além das pretensões de todos aqueles que o considerem simplesmente como parte da negociação. Em qualquer hipótese, alvo será um gigantesco “não” popular que não será fácilmente “gerenciável” por aqueles que desejam ou aceitam(mesmo obrigatoriamente)a continuação do regime de colônia endividada.

Um maciço popular “não” é aquele que poderá derrubar os fundamentos e anular planejamentos antipopulares, constitui a melhor resposta às maquinações da troica, assim como, dos “dispostos” locais de qualquer cor e tipo. Um “não” assim pode dificultar seu “gerenciamento” por parte daqueles que desejam acordo a “qualquer custo”. Isto é, constituir uma interferência do fator popular sem poder ser facilmente traduzido em “memorando light” ou em acordo como aquele das 47 páginas.

“Não” aos últimos avisos; “não” aos memorandos;. “não” a colônia endividada//dignidade, democracia, política popular. Fortalecimento da união nacional e popular para a vitória do “não”, assim como a derrubada de um eventual clima divergente dentro do povo. A Grécia pode também de forma diferente – moratória de pagamentos, reestruturação-corte de dívida, recuperação produtiva e renascimento social e cidadão. (Laura Britt – Monitor Mercantil)

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