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Paul Krugman: Despedaçando a Grécia para quebrar o Syriza
Nobel Prize winning economist Paul Krugman speaks during an interview in New York, May 4, 2012. REUTERS/Brendan McDermid (UNITED STATES - Tags: BUSINESS) - RTR31M2K

Paul Krugman: Despedaçando a Grécia para quebrar o Syriza

Nobel Prize winning economist Paul Krugman speaks during an interview in New York, May 4, 2012. REUTERS/Brendan McDermid (UNITED STATES - Tags: BUSINESS) - RTR31M2K

Tenho ficado bastante tranquilo sobre a Grécia, não querendo gritar ‘Grexit’ em teatro lotado. Mas considerados os relatórios das negociações em Bruxelas, algo deve ser dito — nomeadamente, o que fazem os credores e em particular o FMI, que pensam eles que estão a fazer?

Isto vai ser uma negociação sobre metas para o saldo positivo primário e em seguida sobre o alívio da dívida que encabeça intermináveis crises futuras. E o governo grego concordou com alvos de excedentes na verdade bastante elevados, especialmente tendo em conta o facto de que o orçamento teria em enorme ‘superavit’ primário, se a economia não estivesse tão deprimida. Mas os credores continuam a rejeitar propostas gregas alegando que se baseiam muito em impostos e não o suficiente sobre cortes de despesas. Então ainda estamos no capítulo de ditar a política interna.

A suposta razão para a rejeição de uma resposta baseada nos impostos é que esta prejudicará o crescimento. A reacção óbvia é: vocês estão brincar connosco? As pessoas que, de forma clara e absoluta, não conseguiram ver o dano que a austeridade causaria — ver o gráfico, que compara as projecções em 2010 face à realidade — estão agora a dar um sermão a outros a respeito de crescimento? Além disso, as preocupações de crescimento estão todas do lado da oferta, numa economia a operar, seguramente, pelo menos 20% abaixo da capacidade de funcionamento.

Fala-se com as pessoas do FMI e eles argumentarão sobre a impossibilidade de lidar com o Syriza, manifestando o seu aborrecimento com arrogância e assim por diante. Mas não estamos aqui na escola secundária. E agora são os credores, muito mais do que os gregos, que continuam a mudar a linha de chegada. Então o que está a acontecer? O objectivo é quebrar o Syriza? É forçar a Grécia a um padrão presumivelmente desastroso, para encorajar os outros?

Neste ponto, é hora de parar de falar acerca de “Graccident“; se o ‘Grexit’ acontecer será porque os credores, ou pelo menos o FMI, queria que acontecesse.

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