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Novas muralhas de racismo construídas pela hipocrisia européia

Novas muralhas de racismo construídas pela hipocrisia européia

imigrantes

A Itália não é particularmente famosa por sua acolhedora posição para com os imigrantes apesar das inúmeras organizações humanitárias e apesar do sacrifício dos voluntários que lutam a cada dia para ajudarem refugiados e imigrantes. O Norte da Itália, que ostenta uma longa tradição de hostilidade até para os migrantes italianos do sul, com a ascensão de Matteo Salvini e da Nova Liga, ostenta novas amostras de racismo e de intolerância para com os refugiados e os imigrantes.

O novo governador da periferia de Veneto, Lucca Gioia, eleito com grande maioria, exige o afastamento dos refugiados e imigrantes das regiões turísticas, porque criam péssima imagem aos turistas, enquanto, o governador da periferia de Lombardia, Roberto Maroni, cria grandes problemas com suas explosivas declarações e, muitos prefeitos de cidades do Norte da Itália afirmam que, “não podem receber sequer um refugiado ou imigrante em suas cidades”.

Entretanto, é fato que a Itália tem recebido os maiores fluxos de refugiados das zonas em guerra a África e da Ásia, particularmente, nos últimos anos. Já a União Européia (UE) recebe apenas e tão somente 24 mil refugiados da Itália para distribuí-los em outros países da UE. Ano passado, 170 mil imigrantes chegaram na Itália e, neste ano chegaram no país até o momento 73 mil. Muitos destes refugiados não desejam permanecer na Itália, mas, buscam encontrar seus parentes e amigos que vivem em outros países da UE.

Mas, mesmo aqueles que desejam permanecer na Itália encontram gigantescas dificuldades. Muitos dos recém-chegados dormem nas estações ferroviárias, nas ruas e, embaixo das pontes. A França não permite a entrada de refugiados e imigrantes em seu território, enquanto, muitos imigrantes aguardam uma oportunidade para atravessarem a fronteira italo-francesa. Em sua maioria são originários de Eritréia, Sudão e, Síria. E alguns deles já declararam greve de fome, enquanto, alguns outros que conseguiram entrar na França foram expulsos novamente para a Itália.

Choque de racismo

Na fronteira italiana, em Ventemiglia, foram instaladas barracas por organizações humanitárias italianas, com banheiros químicos e são distribuídos alimentos e água para os refugiados e imigrantes. E segundo informações oficiais francesas nas últimas semanas a pressão imigratória na fronteira Itália-França tem superado, em muito, as semanas recorde do ano passado. A estação ferroviária Timburtina, de Roma foi transformada em acampamento de refugiados e imigrantes. As autoridades instalaram barracas para sua provisária estada.

O Ministério de Interior da Itália, em comunicado oficial, destaca que “os imigrantes (as autoridades recusam-se a reconhecer que existem, também, muitos refugiados) não podem sair da Itália porque de acordo com a Convenção de Dublin, devem permanecer no primeiro país ao qual desembarcaram e, consequentemente, não devem alimentar falsas sensações e sentimentos”. Debora Serachiani, deputada do Partido Democrata, acusa a Comissão Européia – órgão executivo da UE – “de miopia política”.

Grande tensão registra-se, também, na estação ferroviária aqui, em Milão, onde famílias com crianças dormem e vivem no entorno, enquanto a prefeitura decidiu de ceder-lhes, provisoriamente, duas grandes lojas que estão desocupadas. O prefeito, Giuliano Pizapia declarou que, “enquanto existem aqueles que gritam semeando medo e ódio, nós não paramos de trabalhar dia e noite”.

A Prefeitura de Milão endereçou apelo aos serviços de saúde da periferia para melhorar o fluxo dos refugiados e imigrantes que, diariamente, chegam na cidade, onde 64 mil foram atendidos pelos serviços municipais de saúde nos últimos 20 meses, 10 mil desde o início deste ano.

A prefeitura pede do governador da periferia, Roberto Maroni (da Liga do Norte) “para deixar os discursos típicos de gritaria nos campos de futebol e, ajudar especificamente a cidade de Milão”, em resposta de declarações anteriores do governador da periferia, de acordo com as quais, pretende interromper o financiamento dos municípios que socorrem refugiados e imigrantes. O governador da periferia, Roberto Maroni, não cessa de argumentar, publicamente, de que “é preciso ser criado campo de refugiados na Líbia ou, então, bloqueio naval em todo o litoral da Itália”.

Também, expressa sua solidariedade com a chocante declaração racista do sindicato dos condutores de ônibus municipais de Milão, que convoca seus colegas “para não transportarem refugiados e imigrantes, porque houve casos de psoríase entre refugiados e imigrantes que foram transportados pelos ônibus do município, colocando em risco a saúde dos passageiros milaneses e seus familiares’.

Problema paneropeu

O jornal francês Le Monde informou que “o ministro do Interior da França, Bernard Kousnev, tenta convencer seu colega italiano para a necessidade de serm criados na Itália e na Grécia centros de recepção de refugiados e imigrantes, administrados pela UE, onde serão separados os imigrantes dos refugiados que solicitam asilo já desde o momento de sua chegada, para que os primeiros sejam, imediatamente, devolvidos às suas pátrias, enquanto os que pediram asilo sejam distribuídos em vários países europeus”.

O Papa Francisco fez, da Praça de São Pedro, em Roma, apelo a toda Europa: “Peçam perdão para as instituições e as pessoas que fecham a porta aos seres humanos que pedem ajuda e proteção”. E em resposta o o secretário da xenófoba Nova Liga e esperança da nova extrema-direita da Itália, Matteo Salvini, declarou: “Gostava deste Papa, agora não sei mais…”.

Piero Grasso, presidente do Senado da Itália, enviou sonoras respostas para a nova muralha contra os refugiados e imigrantes que deseja construir o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, na fronteira entre a Hungria e a Sérvia. Disse Grasso: “Penso que já estavamos acostumados a comemorar a queda das muralhas, mas vejo que hoje estão construindo novas. Isto é, realmente, desencorajador. O sonho de uma Europa unida e solidária que nasceu em uma ilha, a Ventoténe, está arriscado a morrer nos rochedos de Vintemiglia. Estou com o Papa Francisco a favor de solidariedade com os refugiados e imigrantes que devem ser considerados seres humanos e não animais.” (Maria Segre – Monitor Mercantil)

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