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O Brasil precisa de prioridade para a indústria naval

O Brasil precisa de prioridade para a indústria naval

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O corrente ano está sendo difícil para praticamente todos os setores da economia brasileira e a construção naval não é exceção. No entanto, muito esforço está sendo feito para minimizar danos. Os desafios são variados. A política de conteúdo local, que gerou milhares de empregos e ajudou a reter tecnologia está sendo bombardeada pelas multinacionais do petróleo, com apoio de boa parte da grande mídia. Felizmente, a presidente Dilma Rousseff declarou, alto e bom som, que continuaria a dar apoio a essa diretriz. Sempre pode haver uma ou outra tentativa de driblar as ordens da presidente, mas, para isso, há que se ficar atento.

Ariovaldo Rocha – Monitor Mercantil

O projeto de construção no país de 28 navios-sonda foi parcialmente prejudicado pela situação financeira da Sete Brasil. No entanto, um ousado esquema de suporte está sendo equacionado e tudo indica que em torno de 19 unidades ficarão no país, nos estaleiros Jurong (ES), Brasfels (RJ), Enseada (BA) e Ecovix (RS). Se isso se confirmar, será uma vitória.

A Petrobras, maior contratante do país, em razão de alto endividamento, está sendo obrigada a rever seus investimentos. Espera-se que isso seja feito com bom-senso, gerando o mínimo de efeitos negativos possíveis. O setor de barcos de apoio, por exemplo, já se ressente de contratos não-renovados, o que pode prejudicar a própria estatal, a médio prazo, uma vez que o pré-sal está em pleno desenvolvimento e não se quer ver aumento de unidades estrangeiras em lugar de embarcações nacionais.

Em relação a navios, houve boatos sobre as 46 unidades encomendadas pela Transpetro. Essas ordens, feitas através dos planos de modernização da frota – Promefs I e II – se baseiam em contratos, que são atos jurídicos perfeitos e, portanto inquestionáveis – até por inimigos declarados da construção naval. Os contratos estão em pleno vigor, mas há pontos a elucidar. Estaleiros se queixam de evidente alta nos custos, seja em razão da ascensão do dólar, das novas tarifas de energia elétrica ou por outros efeitos de uma inflação que beira 9% ao ano.

A Transpetro não demonstra plena aceitação a rever preços, mesmo ante comprovações incontestáveis. Isso se torna um sério problema para as empresas, pois distorce a matriz de custos. Os prazos para quitação das faturas dos estaleiros também merecem atenção, pois, em fase de juros altos, empresas privadas não podem suportar atrasos em relação aos prazos usuais de pagamento. Em geral, a Petrobras também procura renegociar para baixo seus contratos, o que nem sempre é possível de se aceitar, diante, como se sabe, de um cenário de alta no Custo Brasil.

Outra preocupação da construção naval se dá em relação aos bancos que financiam o setor. Há casos de processos já aprovados, com recursos não dos bancos, mas do Fundo de Marinha Mercante (FMM), inclusive com as garantias formais – de 130% dos valores – e, mesmo assim, nota-se atraso na aprovação final, por parte de BNDES, Caixa e Banco do Brasil, especialmente os dois últimos.

Por fim, há apreensão quanto à aplicação do novo plano de investimentos da Petrobras. A estatal tem necessidade de cortar gastos, mas a questão é complexa, uma vez que o próprio país precisa do aumento da produção de petróleo e derivados, o que exige investimentos. A Petrobras desenvolve um trabalho espetacular de exploração e produção de óleo e gás e será difícil se manter esse objetivo em meio a um corte excessivo em suas aplicações, principalmente se não houver bom-senso na imposição desses novos tetos.

O momento é delicado, tanto no cenário econômico como objetivamente para o Sistema Petrobras e para seus fornecedores, entre os quais avulta a construção naval. Pede-se bom senso, para que a redefinição de parâmetros econômicos seja feita com justiça e com o mínimo possível de traumas para nosso setor.

A construção naval, como se sabe, produz desde o Império, tendo passado por um ciclo admirável nos anos 70 e 80 e em seguida mergulhado na maior crise de sua história. Com muita tenacidade e pleno apoio do governo, houve reversão, a partir de 2003 – e não se pode admitir que novamente um segmento de tanta importância na área tecnológica e na geração de empregos entre novamente em crise.

Presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).

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