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Inácio Arruda (PCdoB-CE): investimento em inovação tecnológica como central
FORTALEZA, CE, BRASIL, 02-06-2015: Inácio Arruda, secretário da Ciência e Tecnologia e Educação Superior do Estado. DOM - Entrevista com Inácio Arruda. (Foto: Camila de Almeida/O POVO)

Inácio Arruda (PCdoB-CE): investimento em inovação tecnológica como central

Em 2014, ex-senador tentou, sem sucesso, voltar ao Congresso Nacional
Para o secretário estadual da Ciência e Tecnologia, Ceará está “dez anos atrasados” na área de capacitaçãoO Povo

O titular da Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), Inácio Arruda, coloca o investimento em inovação tecnológica como central para o Ceará e o Brasil (re)encontrarem o caminho do desenvolvimento.

Um dos mais experientes políticos do Estado, o ex-senador pelo PCdoB comenta o desafio da área em tempos econômicos difíceis e elogia a passagem do partido pela saúde pública estadual – hoje em crise.

Na seara eleitoral, Inácio explica suas recentes derrotas, projeta 2016 e diz que o PCdoB terá candidato à sucessão do prefeito Roberto Cláudio (Pros).

O POVO – Como é conduzir uma secretaria importante como a Secitece, num período de verbas curtas?

Inácio Arruda – O ano de 2015 é uma preparação para a retomada do desenvolvimento. A ciência e a tecnologia, em qualquer lugar do mundo, exceto em sociedades muito atrasadas, são tratadas junto à Fazenda ou à área de desenvolvimento. Mas nós temos um governador (Camilo Santana) que tem uma compreensão maior desse papel.
OP – Como está o mercado?

Inácio – Nós teremos, no início de 2016, uma grande demanda da Companhia Siderúrgica do Pecém. Eles estão quase que angustiados, porque precisam de muito pessoal preparado. Estão prospectando profissionais em outros estados.
OP – Isso não resolve?

Inácio – Você não consegue, para um empreendimento desse porte, o número de profissionais de outros estados e de outros países, por um período muito longo.
OP – Como a Secitece entra nessa solução?

Inácio – O MCTI (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) abriu um grande programa para construção de parques tecnológicos no país, para acelerar o processo de desenvolvimento, investindo na formação de professores e pesquisadores. Temos o objetivo de construir parques tecnológicos no Estado do Ceará para permitir que aqueles que nós formamos tenham uma oportunidade de construir seu negócio, para oferecer à sociedade produtos competitivos e de alta qualidade. Estamos atrasados uns dez anos. O PAC 3, pela primeira vez, vai ter ciência e tecnologia. Os EUA estão discutindo a sua reindustrialização. E por onde isso passa? Pela ciência e renovação tecnológica.
OP – Mas eles têm dinheiro.

Inácio – Depende. São aquelas peculiaridades. Falta dinheiro para umas coisas e tem para outras.OP – Como foi a transição do Parlamento para o Executivo?

Inácio – Há uma diferença muito grande. Na ação legislativa você está numa rotação, às vezes duas ou três vezes maior do que o Executivo. As amarras do Executivo são muito grandes.
OP – Essa visão é recente?

Inácio – Não. Mas no Parlamento á a gente tem uma ideia diferente. É aquela ideia de que debate, cobra, grita e faz confusão, e que o Executivo é que vai materializar tudo no final. Há leis que foram feitas para conter o desenvolvimento. Quando você quer desenvolver, elas seguram o processo.
OP – O senhor hoje está no Executivo depois de duas eleições frustradas. Foi uma transição forçada?

Inácio – Houve uma possibilidade nova muito grande no Estado do Ceará com a entrada do Camilo no processo eleitoral do ano passado. Aquele grupo mais à esquerda, que estava dentro do governo, hoje comanda o Estado. Eu dizia para o Eudoro (Santana, pai do governador) que com a eleição do governador não tínhamos mais problema com a questão majoritária.
OP – Mas o PCdoB ajudou a eleger Tasso Jereissati na década dos anos 1980?

Inácio – Apoiamos, mas não participamos.
OP – Não há o sentimento “não deu para ser eleito, mas estou aqui, numa secretaria”?

Inácio – Isso não. Até porque nós disputamos a eleição (para deputado federal, no ano passado) em situação totalmente adversa. Foi muito interessante. Se nós não tivéssemos disputado, a nossa aliança teria eleito 13 deputados e não 14.
OP – Qual o balanço que o senhor faz da gestão da saúde no Ceará, tendo o PcdoB comandado a área nos últimos anos?

Inácio – Nós pegamos a saúde no início de 2007, com o João Ananias, um quadro extraordinário, com experiência tanto no parlamento como no Executivo (foi prefeito de Santana do Acaraú) e profissional da área. Nesse ano nos foi roubada a CPMF (contribuição que ajudava no financiamento). Quarenta bilhões de reais – uma boa fatia para o Estado do Ceará.
OP – O PCdoB se orgulha de ter passado pela Sesa, mesmo com a atual situação?

Inácio – Muito. Tivemos um bom debate com Cid Gomes e ele se convenceu de que era correta a nossa proposta de ampliar o serviço de saúde pública no Estado. Decidimos então que o Ceará precisava ter policlínicas e hospitais regionais. Desenvolvemos consórcios para os CEOs (Centro de Especialidades Odontológicas) e o Lacen (laboratório) e o Hemoce estão em outro patamar. Não gosto nem de pensar como seria a saúde no Ceará sem essa estrutura.
OP – 2016 vai ser animado?

Inácio – Muito. A esquerda venceu quatro eleições nacionais. Quer se queira ou não, isso tem uma repercussão gigantesca e acirra muito o enfrentamento político no Brasil. Mesmo nas disputas municipais está conectada com o que acontece no Brasil.
OP – O PCdoB vai disputar a sucessão do prefeito Roberto Cláudio?

Inácio – O nosso partido não pode deixar de estar presente nas disputas majoritárias. Isso é parte da nossa estratégia. A mídia está voltada para isso. As candidaturas proporcionais ficam mutio escondidas.
OP – O senhor vai entrar?

Inácio – Provavelmente, não. Mas o PCdoB quer estar presente.
OP – Há outros nomes?

Inácio – Temos o (deputado federal) Chico Lopes, uma figura muito querida do povo e uma referência.
OP – O partido já superou a votação que o senhor teve para prefeito, há dois anos e meio?

Inácio – Claro. Isso está dentro da lógica da política. Tem eleição que você entra para ganhar, mas que as circunstâncias não permitem isso. Mas você está obrigado a participar, para marcar sua posição. Às vezes, você vai para marcar posição e até ganha. Nós nunca disputamos eleição sem ter a consciência de que estávamos em condições mais favoráveis ou mais adversas.

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