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Crise econômica global: o capitalismo no beco sem saída

Crise econômica global: o capitalismo no beco sem saída

Recuperação econômica permanece incipiente

Laura Britt – Monitor Mercantil

Zurique – Ao que tudo indica, as expectativas para a saída definitiva do capital da crise capitalista e atingir um crescimento não deixando margens de retorno à crise, não estão sendo satisfeitas. De acordo com comunicado do Serviço de Estatística da Alemanha (Destatis), o Produto Interno Bruto (PIB) registrou aumento de 0,4% no segundo trimestre deste ano, em relação com o trimestre anterior. A avaliação era 0,5% e, segundo informações do próprio Destatis, as exportações, esta alavanca básica da atividade econômica, aumentaram, considerando que o comércio internacional foi favorecido pelo recuo do euro, mas os investimentos foram insignificantes, restringindo o crescimento econômico.

No mesmo período, o PIB da França, segunda maior economia da Zona do Euro, permaneceu estacionário. Já o aumento dos gastos de consumo desabou para 0,1% no segundo trimestre deste ano, de 0,9% no primeiro. Também, os investimentos recuaram para 0,3%. Observa-se que o fenômeno da imobilidade nos investimentos registra-se nas duas maiores economias capitalistas da União Européia (UE).

Naturalmente o crescimento capitalista somente com exportações e investimentos sem fôlego será anêmico e frágil. O problema complica-se com a desaceleração da economia da China, que é a segunda superpotência econômica do planeta e continua sendo o mais importante parceiro comercial da Alemanha no continente asiático.

Porém, a desaceleração da China significa queda de demanda nos produtos industriais da Alemanha, enquanto a desvalorização do iuan torna os produtos chineses ainda mais competitivos nos mercados internacionais, fato que, obviamente, dificulta as exportações alemãs. Assim, não constitui surpresa alguma o fato de o ritmo do PIB no período abril-junho deste ano ter se conformado em 0,3% contra 0,4% do trimestre anterior e, também, da avaliação para 0,4%.

Aliás, em determinados países, o quadro é pior. A economia francesa, por exemplo, manteve-se imóvel no específico período, enquanto as economias da Itália, Holanda e Áustria foram aquecidas insignificantemente, enquanto o PIB da Finlândia contraiu-se pelo quarto mês consecutivo, comprovando que o ex-poderoso economicamente país já reuniu-se ao grupo dos desacelerados.

Recuperação demora

Consequência deste podre, anêmico e repleto de sobe-e-desce crescimento é o PIB da Zona do Euro permanecer bem mais atrás de onde encontrava-se antes da eclosão da grande crise de 2008. Contudo, Peter Praet, o belga economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), enfático, só faltou jurar que “não há motivo para preocupação (…) considerando que a recuperação total dos ritmos de crescimento e da inflação permanece moderada”.

Anotem que este fenômeno de anêmico e incerto crescimento econômico da Zona do Euro diz respeito também aos EUA e aos Brics e, além disso, ao PIB do Japão que, no período abril-junho deste ano contraiu-se em 1,6%.

Entretanto, parece que as expectativas para saída definitiva do capital da crise capitalista e seu acesso ao crescimento são tais que não deixam margem de retorno. Aliás, em recente análise, o Internatonal New York Times sentenciou: “A crise passou, mas a recuperação demora”.

A propósito, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização de Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) insistiram, repetidamente, para que a Zona do Euro e, particularmente, a Alemanha abandonassem a severa política econômica fiscal nos déficits e a política de frugalidade e incentivem a demanda interna.

Só que isto significa aumento de salários, aumento de rendimento trabalhista e popular, os quais foram reduzidos nos âmbitos de adoção de gerenciamento político da crise em benefício do capital, como uma medida que aumentava o extremamente baixo percentual de lucro dos capitalistas (em torno de 10% em 2009) e contrabalançava as perdas na crise.

Se os salários, as aposentadorias e pensões forem aumentadas, reduz-se mais ainda o percentual de lucro dos capitalistas. A crise não supera-se facilmente, porque exige um grande percentual de catástrofe do capital, para serem reiniciados os investimentos. Já a classe trabalhadora, as pobres camadas populares, poderão somente com grandes e difíceis lutas trabalhistas e abolição de todas as leis antitrabalhistas conseguir algumas migalhas para cobertura de suas perdas no período da crise. Mas entrarão em rota de colisão com o capital na UE.

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