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Guerrilha do Araguaia: peça “Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos” encenada em São Paulo

Guerrilha do Araguaia: peça “Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos” encenada em São Paulo

Idealizado pela atriz Gabriela Carneiro da Cunha, o espetáculo com dramaturgia

de Grace Passô e direção de Georgette Fadel conta com imagens feitas por Eryck Rocha

no sul do Pará, além de sons e rostos dos camponeses que ainda vivem na região;

peça é resultado de projeto contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural

De 8 a 11 de outubro (quinta-feira a domingo), às 19h, o Itaú Cultural apresenta em seu piso 2S Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos, peça sobre a trajetória de 12 mulheres que lutaram e morreram na Guerrilha do Araguaia – um dos mais violentos conflitos armados da ditadura militar brasileira. Com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Grace Passô, o projeto idealizado pela atriz Gabriela Carneiro da Cunha foi um dos 101 contemplados entre mais de 15 mil projetos inscritos no programa Rumos Itaú Cultural 2013-2014. Depois de estrear no Rio de Janeiro, a peça chega a São Paulo integrando a Mostra Rumos, em cartaz no instituto.

“Buscamos as histórias destas guerrilheiras, mulheres que não vacilaram diante da morte, e é delas que vamos falar”, observa Georgette. “Temos um compromisso com a verdade, sem usar o tom de denúncia, mas sim um trânsito poético”, complementa. A produção da peça contou com encontros com moradores da região, e ainda com a estadia da equipe de produção e do elenco no meio da mata da Serra das Andorinhas, entre o entardecer de um dia e o início da noite do dia seguinte, para que pudessem ter a sensação da falta de proteção que sentiram aquelas mulheres retratada no espetáculo.

Episódio histórico acontecido na floresta amazônica, entre os estados do Pará e do Tocantins, no período de 1967 a 1974, auge da ditadura militar brasileira, a Guerrilha do Araguaia reuniu cerca de 70 guerrilheiros, dos quais 17 eram jovens mulheres universitárias, oriundas de diversas cidades do país para participar da luta contra cerca de cinco mil homens do Exército. A peça Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos descortina a história pessoal dessas combatentes e sua participação na ação, por meio de um diálogo entre a ficção e o documental, além abordar um fato importante da história do país ainda tão nebuloso.

Tendo idealizado o projeto inicialmente como uma série para a TV, Gabriela acabou optando pelo teatro como expressão artística para viabilizar Guerrilheiras. Decidiu também contar essa história a partir de um olhar da própria equipe. “O tema está completamente alinhado com o momento atual do país. No ano passado, o Golpe Militar completou 50 anos e detonou um fluxo de pensamentos e questionamentos sobre os rumos do Brasil”, analisa ela. “Tudo isso em um cenário político árido em termos de invenção e identidade. Não é por acaso que os artistas estão trazendo essas questões em suas obras novamente, mas dentro de uma linguagem poética.”

Com os argumentos da peça já definidos, a figurinista Desirée Bastos partiu em busca de roupas e acessórios que retratassem essa guerra em cena. Para tanto, garimpou cerca de 50 trajes, entre calças, camisas, vestidos, chapéus e roupas íntimas, em brechós no Rio de Janeiro e bazares no Araguaia. Em seguida, as roupas foram enterradas em um sítio pela própria figurinista por três semanas antes de serem lavadas. O resultado é um vestuário deteriorado, em uma alusão aos corpos que nunca foram encontrados.

As pesquisas ao campo

Para montar Guerrilheiras, Gabriela fez uma profunda e detalhada pesquisa sobre o tema, e organizou uma viagem até o sul do Pará, para vivenciar de perto a experiência das personagens que lhe dão título. Partiu para o Araguaia, acompanhada de Georgette , Grace e as atrizes Carolina Virguez, Daniela Carmona, Fernanda Haucke e Mafalda Pequenino. O elenco conta, ainda, com a atriz Sara Antunes, que não participou da viagem por estar grávida, na ocasião. O grupo de atrizes tem origem no Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e também da Colômbia, assim como as guerrilheiras, que eram de diferentes cidades do país.

Juntas, saíram do Rio e viajaram 36 horas de viagem em ônibus até chegarem às margens do Araguaia. Ali, ouviram relatos de quem presenciou a história, no lugar marcado pelo massacre, dando voz aos que foram mortos, em uma terra de esquecidos e desaparecidos, onde ainda existe uma guerra velada.

O cineasta Eryk Rocha documentou todo o percurso da equipe durante os 15 dias de viagem. Os registros audiovisuais, entre rostos e paisagens, são projetados no palco durante a apresentação do espetáculo, criando um diálogo com as atrizes. Além das imagens, os sons captados do rio acompanham algumas cenas, transportando o público para o local.

Sobre a idealizadora

Formada em artes cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras/ CAL, Gabriela Carneiro da Cunha é integrante-fundadora da Pangeia Cia.deteatro, dirigida por Diego de Angeli. Além do teatro, atua na área audiovisual, como atriz e roteirista. Colaborou no argumento do curta de ficção Igor, dirigido por Eryk Rocha, que compõe o longa de episódios Graduate XXI, produzido pela Canana Filmes, produtora de Gael Garcia Bernal. No cinema, atuou nos longasO Velho Marinheiro, com direção de Marcos Jorge, Encantados, de Tizuka Yamasaki, e Jards, também de Rocha. Entre os curtas estão Ao Meio, de Vitor Leite, e Laura Denver, de Antonia Catan e João Marcelo. Como roteirista, escreveu os curtas-metagens Se não fosse a Brisa e O menino que via devagar.

Na TV, atuou nas novelas Passione, Morde & Assopra e Em Família, da Rede Globo, e protagonizou a série Beleza S/A, do GNT. No teatro, atuou em peças como Depois da Queda,O Campo, Tentativas contra a vida dela e Rock’N’Roll, com direção de Felipe Vidal; A Casa,Câmera, Passagens e Maratona, com a Pangeia cia.deteatro; Às vezes é preciso um punhal para atravessar o caminho, com direção de Ivan Sugahara; Todo o Tempo do Mundo eSacrifício de Andrei, dirigida por Celina Sodré, e Lili – uma história de circo, de Isaac Bernart. Atualmente está em cartaz com Simbora – o Musical, sobre a vida e obra de Wilson Simonal.

SERVIÇO

Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos

Direção: Georgette Fadel

Dramaturgia: Grace Passô

Dias 8, 9 e 10 de outubro (quinta-feira a sábado), às 19h30

Dia 11 de outubro (domingo), às 19h

Duração: 90 minutos

Classificação Indicativa: 18 anos

Piso expositivo 2S (90 lugares)

Entrada franca (ingressos distribuídos com 30 minutos de antecedência)

Mostra Rumos

Até 25 de outubro de 2015

De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h

Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Pisos 1, 1S e 2S

Entrada franca

Estacionamento com manobrista: R$ 14 uma hora;

R$ 6 a segunda hora; mais R$ 4 p/ hora adicional

Estacionamento gratuito para bicicletas

Acesso para deficientes físicos

Ar condicionado

Itaú Cultural

Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô

Fones: 11. 2168-1776/1777

www.itaucultural.org.br

atendimento@itaucultural.org.br

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