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O xadrez russo na Síria

O xadrez russo na Síria

‘Apenas defendeu sua presença no Mar Mediterrâneo’

Serbin Argyrowitz – Monitor Mercantil

Damasco – Foi no último dia de setembro de 2015 e história registrará o fato. E será escrito como dia de curva para as eleições na Síria e na região da denominada “amplo Oriente Médio” por motivo de incursões aéreas russas contra alvos dentro do território sírio.

Alvos que o governo de Moscou assevera que que referem-se aos, extremistas da organização Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Isis, ou simplesmente EI), assim como, de outras “organizações terroristas” também, como fez questão de incluir, referindo-se essencialmente à aliança da organizações islâmicas antiregimentais conhecida, também, como o “Exército da Conquista” do qual participa a “sucursal” da Islâmica Al Qaeda, conhecida pelo título “Frente al Nusra”.

Um dia depois e, enquanto, prosseguia a troca de “fogo diplomático entre a Rússia e o “Ocidente”, EUA, Grã-Bretânha e, França (pricipalmente) sobre se, de fato, eram aqueles os alvos e para a “utilidade dos ataques”, uma nova realidade já havia sido conformada.

Rússia e Síria

O apoio russo para o regime de Bashar Al-Assad não constitui nenhuma notícia e muito menos surpresa. Desde o primeiro momento quando eclodiram as primeiras manifestações contra o regime de Assad, em março de 2011, as quais, foram transformadas pouco depois em conflito armado, o governo de Moscou apoiou ostensivamente o governo de Damasco. E o apoiou, tanto em nível diplomático, quanto, também, em nível de tecnologia militar. E o apoiou porque, ao que tudo indica, o governo de Moscou não deixaria à sua “sorte” a única base aeronaval que dispõe no Mar Mediterrâneo, a base de Tartüs.

Mas o apoiou, principalmente, porque era, desde o início, claro que na Síria “abriu” um campo de sangrenta disputa entre forças imperialistas e forças periféricas, campo este, o qual, no final das contas está, minimamente, relacionado com aquilo que desejava e deseja o próprio povo da Síria, seja a favor ou contra o regime de Assad.

É um campo relacionado, profundamente, com o controle de extraordinária importância geoestratégica e geopolítica na região do Grande Oriente Médio no que diz respeito as fontes energéticas e os itinerários de transporte de petróleo e gás natural. É um campo, cujo controle, muito oportunamente, sob a denominação Eurasia, o Zbigniew Brzezinski, desde o final da década de 1990, havia caracterizado “crítico” para a conservação da “pantocracia” dos EUA, considerando que, somente assim poderiam controlar o desenvolvimento e o fortalecimento de outras pretensas forças adversárias como são a Rússia e a China. É um campo, no qual, definem-se interesses de alcance mundial, a possibilidade de controle de mercados e países e, a consolidação do poderio.

Fator iraniano

É um campo, no qual, simultaneamente, em nivel periférico, era desde o início claro que não definirá somente o destino da Síria e o regime de Assad. Desde o início definia-se, também, o destino do Irã, o qual, institutos de conhecida orientação estratégica, como o Stratfor, apresentava, como “vaso comunicante” da Síria.

“O caminho para Teerã passa por Damasco” diziam diversos analistas. E todos tinham razão. Se, finalmente, Damasco fosse “conquistada”, seja com a ascensão de algum “predestinado”, controlado pelo Ocidente e, principalmente, pelos EUA, seja com o estraçalhamento do país, o Irã perderia um forte e fiel aliado na região do Grande Oriente Médio, sua importância seria enfraquecida e, também, sua possibilidade de “ter palavra” na região “com tudo incluído”.

Por isso, desde as primeiras semanas do conflito, o governo de Teerã declarou-se, abertamente “presente” de qualquer forma na Síria: Com a ação da organização xiita libanesa Hezbollah lutando ao lado do exército tático do Assad, com a participação de organizações paramilitares iraquianas xiitas (também, ao lado de Assad) e, com o fornecimento de ajuda técnica e material.

Anotem que, quando a Liga dos Estados Árabes “congelou” a participação da Síria em todas as suas manifestações impondo-lhe, essencialmente, embargo sob a pressão do Ocidente, o Líbano e o Iraque, isto é, dois países com muito mais quilômetros de fronteiras com a Síria negaram-se adotar o embargo, garantindo à Síria o necessário “respiro”.

Mercenários

Não deve, também, ser desmerecida – sob hipótese nenhuma – a contribuição dos xiitas armados, tanto tratando-se de combatentes do Hezbollah, quanto de organizações xiitas iraquianas “repelindo” ataques maciços de forças contra o regime de Assad e, de certo ponto em diante, principalmente, da participação “profissional” de mercenários de “especializadas” organizações e principalmente, do Estado Islâmico.

Características têm sido as violentas batalhas em regiões perimetrais e no aeroporto internacional de Damasco, de 2013 até o início deste ano. Abertamente, a reconquista, em junho de 2013, da cidade de Kusair, perto da fronteira com o Líbano, foi atribuída a ação de Hezbollah. Situada apenas a 30 quilômetros a sul da cidade de Homs e a 15 quilômetros da fronteira com o Líbano, proporcionou a possibilidade de fiscalização de grande extensão da fronteira e interrompeu uma das mais importantes linhas de reabastecimento dos contras ao regime de Assad.

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