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A corrupção é a alma da direita

A corrupção é a alma da direita

Por Osvaldo Bertolino

A mídia, como olhos e mente da direita, criou a imagem farsesca de que a corrupção é o principal entrave para o país. Ela é grave, não há dúvida, mas o problema mora longe de onde essa gente diz ser seu endereço. A origem da corrupção certamente não está onde essa onda denuncista tenta apontar. Sociedades inteiras podem viver ao lado do crime por muito tempo, fingindo tranquilidade enquanto a sujeira supostamente mora longe — neste caso brasileiro, em Brasília. Na Itália contemporânea, por exemplo, a máfia vivia na ante-sala dos melhores endereços.

Não à toa, a direita foge de uma Reforma Política democrática como o Diabo da água benta. O sistema político brasileiro foi estruturado pela ideologia da elite, que considera a locupletação como parte do seu rol de direitos. Por trás disso, está a lógica da hierarquia que define a sociedade brasileira. Aparece aqui o distanciamento entre establishment e nação, entre elite dirigente e povo, como um fertilizante poderoso para a corrupção. O mecanismo degenerador traduz-se na ausência do senso de conjunto, de que todos fazem parte de um mesmo projeto, de um mesmo destino. Aí, vale tudo. Negociar favores, tutano do conceito de corrupção, fica sendo apenas mais uma forma de sobreviver na selva.

Há uma grande diferença na forma como a direita e as concepções de centro e de esquerda lidam com a corrupção. A direita tenta fugir dos rótulos que, não por coincidência, lhe caem bem. Ela é de fato conservadora por desejar a manutenção da estrutura social inaceitável que temos no país e reacionária por se relacionar incestuosamente com o poder político, dando sustentação a qualquer regime que protege seu senhorio. Seu projeto tem que prever a existência de perdedores, de um exército de excluídos, como forma de garantir seus privilégios.

No âmbito político, o que para a o povo é considerado corrupção para os conservadores são apenas hábitos seculares. Para a direita, os sistemas democráticos não podem funcionar a contento porque se funcionassem eles definhariam a maior indústria brasileira, que perpassa todos os níveis de sua atuação. Os conservadores instauraram por aqui, há muitas gerações, o império da gambiarra. Simplesmente não interessa, para eles, que os processos no Brasil funcionem melhor.

Se o sistema de transporte público fosse eficiente, o significado de ter um carro de luxo mudaria no país. Se os serviços de saúde funcionassem, o fato de haver hospitais cinco estrelas seria irrelevante. Essa gente passou a vida, de geração em geração, trocando favores, construindo atalhos, traficando influência. Se todos os cidadãos tivessem assegurados os mesmos direitos, por meio de sistemas sólidos e funcionais, toda essa rede de relações obscuras, essa indústria da maracutaia, perderia o sentido. Por que essa gente toparia, na boa, a mudança de paradigma?

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1 Comentário

  1. Lembro-me da letra de uma antiga canção que ouvia na minha infância: “chora doutor, chora… só o medo de ficar pobre te apavora…” É isso. Os ricos, a elite, os oligárquicas … a direita enfim apavora só de pensar em ter que um dia, usar um transporte público, um hospital público, uma escola pública, etc, etc Tudo que é público a apavora. Para ela só tem valor o que é privado, pois no que é privado já está implícito a exclusão. No que é privado já está implícito privilégios. E a verdadeira luta dessa gente é por privilégios, para si, é claro! E haja corruptos e corruptores! Os outros, os pobres: “que se explodam!” Ah! Mas isso pode remeter ao que está acontecendo na Europa. Será que o que acontece por lá não pode servir de lição para a elite, para os oligárquicas, enfim para a direita daqui?

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