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Impeachment: o roto e a esfarrapada

Impeachment: o roto e a esfarrapada

Por Osvaldo Bertolino

Quando o bom palhaço Tiririca se candidatou a deputado federal, em 2010, seu slogan era “Pior do que está não fica”. Com isso, o popular humorista quis dizer que o Congresso já estava de tal maneira degradado que sua participação como parlamentar seria incapaz de piorá­-lo. Mas Tiririca estava enganado.

O faroeste em que se transformou Brasília, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e a mídia comportando-­se como num assalto de rua, é apenas a mais recente etapa, de muitas, do histórico colapso moral da direita brasileira – alguns fazem o diabo, outros são capazes de tudo e alguns dos principais barões da mídia são suspeitos de delitos diversos.

Embora vergonhoso, esse comportamento delituoso da direita não causa surpresa. Ao longo da última década, o país tem visto, com estupefação, essa gente rota e esfarrapada degringolar em vale-­tudo. O assalto ao poder transformou-­se em um fim em si mesmo. Desde que o Partido dos Trabalhadores (PT) chegou à Presidência da República, liderando coalizões de governo, a mídia e seus braços e mãos grandes no Estado fizeram uma maçaroca golpista e corrupta para atacá-lo sem trégua.

Moeda corrente

Diante dos limites políticos do “presidencialismo de coalizão”, em que um presidente sem maioria parlamentar própria é obrigado a fazer alianças com forças políticas muito distintas, a mídia forçou um jogo sujo para que seus prepostos no Congresso Nacional voltassem a ter poder de assalto aos cofres do Estado, com a respectiva distribuição desse butim entre seus associados. As invenções de farsas como o “mensalão” e o “petróleo” são seus principais carimbos nessa trapaça.

Na estratégia da mídia de enfraquecimento da política para submetê-­la aos desígnios do que há de pior na história brasileira, era necessário imobilizar o governo de forma permanente. Toda e qualquer medida administrativa ou articulação no Congresso passou a ser bombardeada sem trégua. A mentira, a calúnia e as torpezas de toda espécie se transformaram em moeda corrente nas mãos da direita.

Com isso, a direita acha-se imbatível e, pela via golpista, tenta voltar a cristalizar-­se no Estado a tal ponto de se confundir com ele, como fez no passado. Num cenário assim, quem não reza por sua cartilha é necessariamente inimigo do Estado. Para a volta desse projeto ao poder, é preciso “fazer o diabo”, como a própria presidenta Dilma Rousseff declarou certa feita. Não pode haver limites morais e éticos. Não à toa, a mídia franqueou seus espaços a diversas quadrilhas em troca do pedágio que irrigaria seus cofres.

Jogo de soma zero

Além disso, a mídia e seus comparsas transformaram a irresponsabilidade moral em métodos de oposição política, com evidentes propósitos golpistas. Todos os que ousam questionar suas imoralidades são imediatamente qualificados de demófobos, incapazes de compreender a missão desses agrupamentos criminosos. Tome­-se aleatoriamente qualquer um dos editorias nos quais eles acusam o “petê” de sabotar seus projetos redentores, e surgirão abundantes exemplos dessa estratégia perniciosa.

Isso significa que, para os capitães dessas máfias, crimes como os de Eduardo Cunha se tornam algo virtuoso quando são cometidos em nome de seus propósitos. Portanto, quem quer que conteste seus métodos criminosos para embasar um processo de impeachment deve ser qualificado como “petista”.

É assim, transformando a política em um jogo de soma zero, aquele em que o triunfo de um se dá necessariamente à custa da aniquilação do outro, que a mídia, julgando­-se capaz de tudo e dispensada de prestar contas de seus crimes, colabora decisivamente para o fortalecimento dessa cartada de Eduardo Cunha – hoje o mais bem acabado exemplo do abastardamento do Congresso, onde o interesse nacional foi sufocado pelos mesquinhos interesses dessas quadrilhas. Representante de um jogo cada vez mais sujo, Cunha, tal como se apresenta hoje, é criação da criminalidade midiática. Agora, que essa corja o embale. Todos eles se merecem. Quem não os merece é o povo brasileiro, honesto e trabalhador, que quer vê-­los longe da vida pública. (Sobre editorial do Estadão)

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