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Cláudio Lembo, ex-aliado tucano: Grupo de derrotados tenta derrubar Dilma

Cláudio Lembo, ex-aliado tucano: Grupo de derrotados tenta derrubar Dilma

Antes filiado ao DEM, o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo realizou travessia ideológica idêntica à feita pelo presidente de seu atual partido, o PSD do ministro das Cidades Gilberto Kassab —distanciou-se do tucanato paulista e se aproximou do governo federal.

Advogado, Lembo é contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff e foi citado pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) como um dos especialistas contrários ao impedimento.

“Há pessoas com tradição democrática que estão se conspurcando, conspurcando inclusive o próprio passado, por um interesse egoísta”, afirma Lembo à Folha, sem citar nomes. A fala, no entanto, tem endereço fácil de descobrir: seus ex-aliados tucanos.

“Eu vejo no Brasil um grupo de derrotados que quer derrubar alguém que foi eleito pelo povo, acho isso muito equivocado, muito errado.”

Para o ex-governador, o impeachment faz parte de uma onda que ocorre na América Latina desde o impedimento de Fernando Collor, no Brasil do início dos anos 1990. Os golpes de Estado, tão comuns na região durante as décadas anteriores, teriam sido substituídos por impeachments que teriam apenas verniz constitucional. É o argumento usado por ele na opinião jurídica que publicou sobre o assunto.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista com Lembo, que assumiu o governo de São Paulo em 2006 após o então governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem era vice, deixar o cargo para disputar a Presidência da República.

*

Folha – Como o sr. enxerga o papel da oposição formal, como o PSDB, de quem o sr. foi aliado quando governador de São Paulo?
Cláudio Lembo – Acho um papel amargo, porque há pessoas com tradição democrática que estão se conspurcando, conspurcando inclusive o próprio passado, por um interesse egoísta.

O sr. acredita que a posição jurídica do vice-presidente Michel Temer, que é doutor em direito constitucional, é igual à posição pessoal dele em relação ao impeachment?
Não saberia responder porque não conversei com ele a respeito desse tema. Mas eu creio que ele é um homem equilibrado e que saberá agir para ter uma boa biografia no futuro.

Qual é a argumentação que o sr. usa para defender que o impeachment de Dilma não deve ocorrer?
Todos já disseram que é fraude, todos já disseram que aquelas contas que foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União, depois analisadas pelo Congresso, que é meramente indicativo etc. O meu ponto é mais sociológico.

Por acaso, na Argentina, encontrei um livro excepcional, de um menino argentino. O livro dele é sobre como na América Latina atual substituíram-se os golpes militares por impeachment. Esse juízo político, que é o impeachment, está sendo usado pelos conservadores, pelos reacionários, pelos contrários aos governos eleitos —seja o país que for—, para derrubar presidentes. Isso me sensibilizou muito, e é verdade.

Eu vejo no Brasil um grupo de derrotados que quer derrubar alguém que foi eleito pelo povo, acho isso muito equivocado, muito errado.

O governo entrou em contato com o sr. a fim de pedir um posicionamento público?
Foi espontâneo, absolutamente espontâneo. Porque [os que são a favor do impeachment] são grupos que não se conformam com o resultado das urnas. Não é possível fazer democracia assim —se dissessem: “Vamos esperar 2018 e eleger outra linha de pensamento”, tudo bem. Mas derrubar um presidente eleito é um absurdo.

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