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Eduardo Cunha salva subconsciência golpista

Eduardo Cunha salva subconsciência golpista

Por Osvaldo Bertolino

Eduardo Cunha é a nova pedra no sapato da direita. O papel do indefensável presidente da Câmara no processo farsesco de impeachment da presidenta Dilma Rousseff tornou-se o único argumento palatável de sua defesa pelos seus pares. A mídia quer porque quer que seus prepostos na Câmara dos Deputados se livrem desse incômodo, mas a tarefa não é fácil para eles. Afinal, Cunha ainda cimenta toda aquela zona cinzenta, com diversos tons de marrom, de golpistas.

A desfaçatez golpista, afinal, é muito forte. É ideológica. Trata os fatos como manifestação do que lhe interessa, não como fatos. Assim, para eles o fato de a grande maioria dos brasileiros ter votado neste governo, em resposta à experiência tucana incompetente e corrupta, e não querer a sua volta para que eles não acabem com o que restou do Brasil durante sua “era”, não conta como regra essencial do jogo democrático.

E não fosse a esculhambação nas investigações da Operação Lava Jato, Cunha não estaria comandando esse processo. Os ataques da mídia a ele são, na verdade, um jogo de cartas marcadas. O que vale mesmo são as colunas e editoriais com a pregação moralista recheada de hipocrisia que sempre marcou a direita, especialmente a sul-americana (a europeia ainda guarda alguns traços de civilidade). Vale a leitura, até porque, feita para dar argumentos aos parvos, são ligeiros e rasos, como suas ideias.

Modernos escravocratas e ditadores

O único ponto em que eles batem é o de que o impeachment não ameaça a democracia e não deve ser repelido. Obviamente, não há nada de antidemocrático no processo, previsto na Constituição, desde que tocado pelo Congresso Nacional democraticamente, devidamente escrutinado e balizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O problema é que essa gente sem moral não entra no mérito da questão: o fundamento do pedido de afastamento da presidenta. E assim suas legiões saem por aí repetindo essa asneira, fazendo o papel de cães de alarme, preparando os ataques dos pitbulls.

Se o sujo, inconstitucional e desnecessário processo de impeachment terminar com a vitória do governo, teremos mais três anos de Dilma Rousseff como presidenta e a possibilidade de enfrentar os golpistas com um debate amplo e profundo, desmascarando suas verdadeiras intenções: levar o país de volta ao passado, ao tempo em que eles reinaram absolutos cometendo os mais variados e repugnantes crimes contra o país e o povo.

E poderemos ser, mais uma vez, o ponto de referência para reverter a onda direitista que já fez estragos na Argentina e na Venezuela. Fomos o último país da região a abolir a escravidão e a derrubar a ditadura militar. Agora, poderemos ser o primeiro a resistir a essa mais recente onda dos modernos escravocratas e ditadores.

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