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Cristianismo e fascismo: o  Tratado de Latrão e a Questão Romana

Cristianismo e fascismo: o Tratado de Latrão e a Questão Romana

Em 11 de fevereiro de 1929, Pietro Gaspari, Cardeal Secretário do Estado do Papa Pio XI e Mussolini, assinaram o Tratado de Latrão que colocava um fim na Questão Romana, a disputa de seis anos entre o papado e o reino da Itália.

O Tratado de Latrão de 1929 foi uma tentativa de acabar com um conflito que existia desde 1870-1871 entre o Estado italiano e a Igreja Católica Romana. Entre 1870 e 1929, os papas eram “prisioneiros do Vaticano”, e eram opositores do “liberal” Estado italiano. A maioria dos líderes políticos italianos eram abertamente anticlericais e procurou limitar o controle católico na educação e no casamento.[114]

Mussolini sabia que não deveria atacar a Igreja Católica ou os seus apoiantes camponeses e posou de “protetor” dos católicos italianos. Ele abriu negociações com o papado, em 1926, para curar a ferida entre a Igreja e o “poder usurpador”, como oficiais da Igreja se referiam ao Estado italiano.

As negociações não foram fáceis, mas Mussolini logo mostrou que tinha vantagem quando proibiu a progressista organização da juventude católica Exploratori cattolici. [115] A hierarquia da Igreja foi dividida entre “católicos sociais” que se opunham ao fascismo, e os conservadores e pragmáticos que aceitaram o governo de Mussolini como desejável. A maioria dos católicos italianos não eram antifascistas, pois o nacionalismo os empurrou contra o fascismo e muitos viram a questão como dos males o menor; Mussolini era preferível aos anarquistas e aos comunistas.[116]

Achille Ratti, Cardeal Arcebispo de Milão, tornou-se o Papa Pio XI em 1922. Ele havia testemunhado a luta dos comunistas e dos anarco-sindicalistas na área industrial milanesa. Também testemunhou a ascensão do fascismo, já que Milão foi um dos principais centros de atividade fascista.[117] Os fascistas milaneses serviram como fura-greves, espancavam adversários políticos e envolviam-se em brigas de rua com os comunistas.

Mesmo assim, Pio XI, aparentemente, estava convencido de que o fascismo era melhor do que o socialismo. [118] Depois de se tornar Papa, ele ativamente promoveu uma frente política unida contra a esquerda, repreendendo o Partito Popolari que queria se aliar-se com socialistas e outros contra a rápida ascensão do partido fascista. Um pequeno número de líderes católicos – por exemplo, aqueles em torno da revisão jesuíta La Civilità Cattolica – dizia que o fascismo tinha efetivamente sintetizado os valores do Popolari, tornado-o redundante.[118]

Recentemente a relação da igreja católica com o fascismo italiano voltou a ser discutido após uma reportagem investigativa do jornal britânico The Guardian. A reportagem revela que por trás de uma estrutura de paraíso fiscal disfarçada de empresa, o portfólio internacional da Igreja foi construído ao longo dos anos, usando o dinheiro originalmente entregue por Mussolini em troca do reconhecimento papal do regime fascista italiano em 1929, o jornal cita como fonte das pesquisas, arquivos públicos antigos e históricos de empresas, que indicariam que o início dos investimentos da Igreja aconteceu depois de milhões recebidos do regime fascista em troca da independência do Estado do Vaticano – e do reconhecimento do governo do ditador.

Após anos, o capital se multiplicou e teria chegado a 680 milhões de euros, cerca de US$ 904 milhões.[119] [120] O Vaticano declarou que a reportagem era “um conjunto de notícias imprecisas ou infundadas, reunidas de forma tendenciosa e pouco rigorosa”[121] [1 

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