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O sítio goebbeliano que a “Folha de S. Paulo” quer que seja do Lula

O sítio goebbeliano que a “Folha de S. Paulo” quer que seja do Lula

Por Osvaldo Bertolino

A comicidade da matéria que rendeu a manchete da “Folha de S. Paulo” em duas linhas no alto capa, de margem a margem, é daquelas que rivalizam com a tragédia. “Odebrecht bancou reforma de sítio usado por Lula, dizem fornecedores” é a chamada berrante, estrepitosa. Os tais “fornecedores” são a ex-dona de uma loja de materiais de construção da cidade de Atibaia (SP) e um “prestador de serviços”. A partir daí, a matéria é uma embromação só.

O mais tragicômico é que a patacoada gerou um caminhão de calúnias despejado nas costas de Lula, uma repetição goebbeliana ensurdecedora das suposições pela mídia em geral com clara conotação de julgamento sumário, de condenação sem direito de defesa do acusado pela “ex-dona de uma loja de materiais de construção” da cidade de Atibaia (SP) e pelo “prestador de serviços”. E aí entrou em cena o indefectível promotor Cassio Conserino, um oportunista cínico, para intimar Lula e sua esposa Marisa, além do empreiteiro José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ligado à OAS, a prestarem depoimento no dia 16 de fevereiro.

Ditadura opinativa

Resumo da ópera: hoje, 29 de janeiro de 2016, é uma data histórica para a mídia brasileira, o dia em que ela fez a “ex-dona de uma loja de materiais de construção” da cidade de Atibaia (SP) e o “prestador de serviços” levar Lula às barbas de um promotor oportunista e cínico, que se movimenta à margem da moralidade pública (recentemente ele disse ter provas para processar Lula por ocultação de bens, afirmação que serviu para a mídia fazer mais um de seus estardalhaço, e depois, diante das evidências, cinicamente voltou atrás) para se apresentar ao distinto público como um justiceiro.

Se essa má conduta for a regra, certamente teremos multidões de jornalistas empunhando blocos de anotação, microfones e câmeras para ouvir denúncias de aposentados, donas de casa, microempresários, meninos de rua, motoboys, duplas sertanejas, desempregados, bêbados, administradores, infratores de trânsito, estudantes, marreteiros e pedestres em geral e assim ver se, com a overdose, levam Lula às barras dos tribunais. Aliás, o jornalismo marrom da mídia já trocou, há muito tempo, a reportagem pelas opiniões das ruas sobre temas a respeito dos quais especialistas renomados opinam com reservas e ressalvas.

Essa “ditadura opinativa” tem um propósito muito bem definido. Recentemente a mesma “Folha de S. Paulo” publicou um artigo dizendo que “de repente passou a ser bacana o sujeito, numa festa ou numa mesa de bar, rodopiar a taça de vinho e desfilar frases do tipo ‘essa canalha bolchevique do PT não sabe nem falar português’, seguidas de elogios à atuação de George W. Bush no Iraque ou de incursões ‘teóricas’ das quais a principal lição a ser retirada é que só é pobre quem quer’.” Seria a “a nova direita”. O artigo alinha nessa categoria gente como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Nelson Ascher.

A ventania da crise

Qual é, afinal, a mensagem por trás dessa onda? Desde o início da crise política, há basicamente dois tipos de país: aquele que entrou de cabeça na denunciamania e aquele que não o fez. No primeiro time, estão quase todos os pregoeiros do projeto político da direita. No segundo, estão aqueles que querem que o Brasil mude efetivamente de rumo. Diante desses dois tipos de país, o que interessa saber é o seguinte: a linha política que vem sendo executada pelo governo está indo na direção certa?

Muito mais importante do que saber se a bolsa vai subir ou cair, se as reações do mercado financeiro foram favoráveis ou não, se o fluxo de câmbio fechou o dia com superávit ou déficit, é ver se os atos do governo estão tentando acrescentar mais respostas “sim” ao questionário que a maioria dos brasileiros tem apresentado diante da crítica situação do país. A ventania da crise política pode — e vai — passar. As flutuações surgem e se desfazem. O que fica, até a próxima crise, é aquilo que efetivamente vem sendo construído: quanto maior for o número de transformações positivas, menor será o impacto de qualquer onda golpista que vier.

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