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Deus e os barbudos — entre eles, um pernambucano

Deus e os barbudos — entre eles, um pernambucano

Os argumentos que os golpistas usam para atacar Lula e Dilma têm a mesma consistência das convicções de um cínico, todos sabemos muito bem. Um deles é o que cabe à direita uma espécie de direito divino de ser governo, como disse FHC em um programa “Roda Vida”, da TV Cultura, ao afirmar que a esquerda não tem e nunca teve competência para governar. Como justificativa, ele se utiliza de um interminável rosário de balelas para incauto engolir, um autêntico festival de engodo, falsas polêmicas e embromações.

Como sempre, é preciso recorrer a uma certa categoria de gente — os defensores da verdade, de todas as correntes filosóficas e religiosas — para ir tirando os véus, desvendando as falsidades, a fim de revelar a obviedade do óbvio.

Era óbvio, por exemplo, que todo santo dia o sol nascia, se levantava, dava sua volta pelo céu, e se punha. Sabemos hoje muito bem que isto não era verdade. Gerações de sábios passaram por sacrifícios, recordados por todos, porque disseram que o falso Deus dos malfeitores estava enganando a todos com aquele espetáculo diário. Demonstrar que a coisa não era como parecia, além de muito difícil, foi penoso, todos sabemos; o barbudo Galileu Galilei quase pagou com a vida a ousadia de provar que o povo estava sendo enganado.

Outra obviedade, tão óbvia quanto esta — ou mais óbvia ainda —, é que todos os pobres vivem dos ricos. Estava na cara! Sem os ricos, o que seria dos pobres? Quem é que poderia fazer uma caridade? (Me dá um empreguinho aí!) Seria impossível arranjar qualquer ajuda. (Me dá um dinheirinho aí!) Sem o rico, o mundo estaria incompleto, os pobres estariam perdidos. Mas vieram uns barbudos dizendo que não era bem assim e atrapalharam tudo. Aliás, uma obviedade subversiva.

Uma terceira obviedade que conhecemos bem é a de que os negros são inferiores aos brancos. Basta olhar! Eles fazem um esforço danado para ganhar a vida, mas não ascendem como os brancos. Sua situação é de uma inferioridade social e cultural tão visível, tão evidente, que é óbvia. Basta visitar um presídio para ver isso. Pois não é assim, dizem os pesquisadores — esses protetores de bandidos. Os negros foram inferiorizados. Foram postos nessa posição de inferioridade por tais e tais razões históricas, dizem eles. E são hostilizados, como Galileu o foi.

Mais uma obviedade é que é os brasileiros são um povo de segunda classe, um povo inferior, chinfrim, vagabundo, que gosta de viver encostado. Mas está na cara! Basta olhar! Somos cem anos mais velhos que os estadunidenses e estamos com um século de atraso em relação a eles. Nós, atrás, trotando na história, trotando na vida. Um negócio horrível, não é? Durante anos, essa obviedade que foi e continua sendo óbvia para muita gente nos amargurou.

E aí apareceu outro barbudo, um operário pernambucano e cabra bom, e também provou que não é bem assim. Basta tirarmos a elite das costas do povo, esses parasitas incuráveis, para o Brasil se desenvolver, mostrou ele.

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