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Ligações do juiz Sérgio Moro com o banqueiro da privataria tucana

Ligações do juiz Sérgio Moro com o banqueiro da privataria tucana

Por Osvaldo Bertolino

Será que algum dia o Supremo Tribunal Federal (STF) vai seguir a jurisprudência (conjunto das decisões e interpretações das leis feitas pelos tribunais superiores, adaptando as normas às situações de fato) e condenar o juiz Sérgio Moro pelos mesmos desvios alegados para condenar o ex-delegado da Polícia Federal (PF) e ex-deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP)? A condenação se deu sob a alegação de vazamento de informações sigilosas na “Operação Satiagraha”, que prendeu, em 2008, o banqueiro Daniel Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, já falecido.

Como ocorre na “Operação Lava Jato”, não há dúvida de que houve o alerta à mídia; na madrugada em que foi deflagrada a operação, jornalistas já estavam posicionados em frente à casa de Pitta, antes mesmo da chegada dos policiais, para registrar a operação. Mas não há provas de que foi o delegado o autor das informações. O que existiu foram várias pessoas tentando abafar o caso, especialmente pelo envolvimento de um banqueiro poderoso, o operador do submundo da gigantesca corrupção tucana. Dantas tinha até um fiel protetor no STF, o ainda ministro Gilmar Mendes — à época presidente daquela corte —, que concedeu o habeas corpus que libertou o banqueiro tucano da prisão.

Negócios com as privatizações

Dantas era a figura central da confraria demolidora que se formou no Brasil com o surgimento do PSDB. À época circularam informações de que o jornalista Bob Fernandes, ex-redator-chefe da revista CartaCapital, recebera um documento que era dinamite pura. Se divulgado, comprometeria o futuro político de alguns dos mais emplumados tucanos. Na ocasião, a revista disse que por não ter provas suficientes da autenticidade do documento decidiu não publicá-lo.

Mas CartaCapital decidiu levantar algumas questões a respeito — por serem “públicas e internacionalmente notórias”. Uma delas saiu no Wall Street Journal, na época, e definiu as relações de Dantas com o tucanato com essas palavras: “A decisão do Citigroup (de afastar Dantas de seus negócios) reflete o declínio na sorte (do banqueiro brasileiro) desde que o esquerdista Partido dos Trabalhadores venceu as eleições em 2002. Seus negócios prosperaram durante o governo anterior, com quem mantinha relações próximas.” O jornal referia-se ao fato de Dantas ter se tornado o controlador ou sócio de algumas das principais empresas privatizadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Segundo CartaCapital, o repórter do Wall Street Journal deve ter se baseado em informações da imprensa brasileira.

Encontro de Dantas com FHC

A revista lembrou que no dia 15 de maio de 2002, por exemplo, o jornalista Fernando Rodrigues relatou em sua coluna na Folha de S. Paulo — informação reproduzida outras vezes pelo mesmo jornal — um encontro entre Dantas e o então presidente da República. A pauta era um pedido do banqueiro para que o governo o apoiasse na briga contra os fundos de pensão, liderados pela Previ, pelo controle das empresas de telefonia privatizadas. “À época, diretores da Previ eleitos pelos pensionistas e ligados ao PT queriam fazer uma devassa para entender os motivos que levaram o fundo a investir tanto dinheiro em uma sociedade na qual só Dantas dava as cartas”, escreveu CartaCapital.

Logo depois, sob a justificativa de enquadrar a Previ às normas de pagamento de Imposto de Renda, o governo FHC anunciou uma intervenção na fundação, só encerrada após a posse de Lula seis meses depois. Logo em seguida começaram a circular bochichos de que havia um dossiê contra o então prefeito paulistano e concorrente de Lula à Presidência da República em 2002, o tucano José Serra. O assunto seria novas revelações sobre a sociedade entre Verônica Serra, filha de Serra, e a irmã de Dantas, também chamada Verônica. CartaCapital revela que no fim dos anos 1990 as duas foram sócias no portal Decidir.com, sediado em Miami.

Revoada de tucanos em São Paulo

As peripécias da confraria demolidora tucana são bem conhecidas. Mas elas se destacam mesmo nas privatizações. (Um caso pouco falado é o da privatização do Banespa, uma autêntica patifaria. Serra liderou uma revoada de tucanos para o governo de Luiz Antônio Fleury com a única finalidade de tomar posse do banco paulista.) Talvez por isso Dantas avisou que se fosse convocado a depor seria capaz de “derrubar a República”.

Havia na CPI dos Correios documentos que revelavam o repasse de cerca de R$ 150 milhões (estimava-se muito mais) das empresas controladas por Dantas a agências de Marcos Valério, o operador do caixa dois tucano que depois recebeu o apelido de “mensalão” e foi jogado nas costas do PT. As provas estariam no disco rígido de um computador protegido pela ex-ministra do STF Ellen Grace, cujo destino até hoje não se bem qual foi.

Turma dourada da PUC

A ligação de Dantas com a direita é antiga e notória. Ele era tido por Mário Henrique Simonsen — ícone do liberalismo brasileiro — como um de seus três melhores alunos na Fundação Getúlio Vargas. Outra prova da proximidade de Dantas com o tucanato é a sua ligação com a ex-diretora de desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Elena Landau. Assim que ela deixou o cargo no governo, passou a prestar consultoria, em tempo quase integral, ao banco de Dantas.

Landau pertence àquele grupo que marcou época no reinado de FHC, formado por figuras como Pérsio Arida, André Lara Rezende, Edmar Bacha, Eduardo Modiano, Armínio Fraga, Gustavo Franco, Edward Amadeo e o ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan. Era a “turma dourada” do Departamento de Economia da PUC do Rio de Janeiro do final da década de 1970 e início dos anos 1980. Eles comandaram aquele processo pelo qual os interessados em comprar empresas do Estado iam buscar dinheiro no BNDES.

Assassinato em Maringá

Passado algum tempo, a digital de Dantas apareceu também em outro caso escabroso de corrupção tucana, completamente ignorado pela mídia: o desvio de R$ 500 milhões da prefeitura de Maringá, no Paraná. O advogado tributarista Irivaldo Souza era assessor jurídico do prefeito tucano Jairo Gianoto e Sérgio Moro seu auxiliar. No processo de condenação dos envolvidos, Souza só conseguiu o habeas corpus depois que Moro testemunhou a seu favor (veja matéria a respeito aqui).

O desenrolar do caso teve até o assassinato do então secretário da Fazenda do município, Luiz Antonio Paolicchi. Em entrevista ao jornal O Diário, de Maringá, o principal participante confesso do assassinato disse que um advogado de Dantas orientou o ex-secretário a firmar união estável com ele para se proteger contra a Justiça. O trecho é esse:

De quem partiu a proposta de firmar uma união estável?

Foi ideia dele, orientado pelo advogado do Daniel Dantas (banqueiro), que ele tinha contato. Ele tinha contato com o advogado, não sei bem que tipo de contato que eles tinham. Ele me falou que o advogado o orientou a fazer a união estável para poder, através desta união estável, paralisar os processos que estavam em andamento, com execução do patrimônio dele, que está todo alienado, tudo indisponível.

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2 Comentários

  1. Havendo a “contaminação” de, a esposa dele ser ligada ao psdb deveria então sair para eliminar possibilidade de suspeição.

    Nada ficará oculto, tudo será revelado.
    A cada um será dado conforme os seus próprios atos.
    São muitos os convidados quase ninguém tem tempo.
    O tempo é Senhor.

  2. Antonio Kleber Mathias Netto

    O Magistrado Moro precisa ser freado. Ele coloca o País em sério risco de um cunvulsão social. Trata-se d um homem operigoso, temerário. Estão dando muita corda aos seus impulsos.

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