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Contra Lula, mídia hoje entrou para o “guinness book” na categoria de canalhice política

Por Osvaldo Bertolino

Se alguém fizer um rigoroso exame na mídia hoje, 31 de janeiro de 2016, talvez levante o recorde de ilações em toda a história do país. Certamente, tamanha desfaçatez para atacar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encontra semelhança nem na onda de sujeira acumulada de 1945 — quando a direita iniciou sua marcha golpista para barrar o progresso do povo brasileiro representado pelo então presidente da República Getúlio Vargas (ele foi deposto por um golpe militar em outubro daquele ano) — a 1964 — quando ela consumou o golpe, deixando pelo caminho o cadáver do seu contendor até então.

Só uma passada pelo principal portal de notícias da mídia, o UOL, na noite deste dia revelou, em suas manchetes, três torpezas cabeludas da “Folha de S. Paulo”, daquelas dignas de entrar para o guinness book, o famoso livro dos recordes, se houvesse nele a categoria de canalhice política. A primeira é um curto registro da milésima nota do “Instituto Luta” mostrando que o ex-presidente nunca teve apartamento no Guarujá seguido de uma imensa matéria repisando, tim por tim, todo o enredo montado pela mídia para produzir aquilo que o nazista Goebbels dizia ser a técnica de transformar mentiras em verdades à força de repetição.

Colada à primeira safadeza vem a fala de um “engenheiro” — mais um personagem obscuro que se junta à “ex-dona de uma loja de materiais de construção” da cidade de Atibaia (SP) e ao “prestador de serviços” (leia aqui) — segundo a qual é “possível inferir que a obra estava sendo feita seguindo o gosto do ex-presidente”. A manchete, contudo, é categórica: “Obra em tríplex atendia ao gosto de Lula, diz engenheiro”. O bloco de jornalismo fétido, de chiqueiro, fecha com a “notícia” de que “Uma carta apreendida pela Polícia Federal na Operação Zelotes indica que o lobista Mauro Marcondes Machado, preso em Brasília, usava de sua suposta proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vender seus serviços a potenciais clientes”.

Tesoura nas mãos de bandidos

Essa é apenas uma amostra, que leva à suposição realista de que a mídia hoje se enfiou na lama como nunca antes na história deste país. Isso ocorre porque a essência deste tipo de jornalismo é a falta de caráter, a ausência de valores básicos que deveriam ser preservados sob quaisquer circunstâncias. Caráter é a capacidade de manter princípios, independente da situação e do momento. O contrário disso é o casuísmo — quando se troca de premissas, de opinião e de ponto-de-vista ao sabor daquilo que está acontecendo ao seu redor naquele instante. Casuísmo, como está claro, é um dos aspectos da falta de caráter.

Outro valor fundamental da civilização é a democracia. Esse deveria ser um alicerce inegociável na construção de cada um de nós. No entanto, é de assustar o quanto a democracia é pisoteada pela mídia. Estamos vendo isso ao vivo e em cores nessa cruzada contra Lula, com depoimentos habilmente colhidos de inocentes úteis — ou culpados inúteis — para serem impiedosamente manipulados. Num conceito mais elevado de justiça, tal prática é flagrantemente criminosa. Falta para essa gente civilidade.

Liberdade de expressão não é um direito hierarquicamente superior aos demais direitos e garantias individuais e coletivas. Na Constituição está no mesmo patamar o direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas. Todos igualmente invioláveis e indispensáveis. É preciso haver um equilíbrio entre eles. A defesa da liberdade de expressão exige protegê-la contra abusos como estes. Na democracia, são tarefas conciliáveis. Fora disso, a “liberdade de imprensa” não passa de tesoura nas mãos de bandidos.

Mídia induz a sociedade à barbárie

Para atingir seus objetivos ignóbeis, essa gente da mídia cassa os direitos dos seus adversários — como ocorre em relação a Lula —, como se uma situação de confronto ou de disputa permitisse, possivelmente por algum direito divino, a esse tipo de jornalismo abrir mão de todos os parâmetros de conduta ética. O direito à voz do outro, ao contraditório, à visão oposta é uma prerrogativa fundamental do jornalismo — mesmo que este outro esteja dizendo algo que nos pareça um absurdo, uma sandice.

Não raro, esse é o primeiro direito do outro que a mídia revoga unilateralmente. Podendo calar o oponente, em nome de vencer no grito ou de encerrar mais rapidamente uma discussão que não lhe interessa, esse tipo de jornalismo o faz. Ao abdicar do princípio ético, ele abdica da democracia. E, por conseguinte, da própria civilização. Ao agir assim, a mídia induz a sociedade à barbárie, à regra da rasteira, do vale tudo, do dolo como substituto da democracia, do crime como alternativa à justiça.

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