Home / Brasil / O ministro da Justiça e sua organização secreta
O ministro da Justiça e sua organização secreta
OPI-002.eps

O ministro da Justiça e sua organização secreta

Osvaldo Bertolino

O ministro da Justiça está no dever, na irrefreável obrigação moral, de mandar instaurar um inquérito na Polícia Federal para apuração da mais clamorosa mistificação que jamais se tentou no Brasil e, porventura, no mundo. Trata-se, parece, da existência de um grupo de indivíduos audaciosos, possivelmente pertencentes ao neoliberalismo e depostos pelas vitórias do ciclo Lula-Dilma, os quais, associados impatrioticamente, vêm praticando atos de grande irresponsabilidade em nome da Justiça.

Servindo-se de assinaturas importantes de membros do atual governo, esses desconhecidos lavram sentenças, publicam artigos, proferem discursos e concedem entrevistas, procurando, com isso, comprometer eminentes brasileiros perante a opinião pública. Essa organização oposicionista é secreta a ponto de o ministro da Justiça não conseguir descobrir onde ela se reúne.

Ela corrompe ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), compra aviões, nomeia gente pequena para lugares grandes, ameaça empresas estratégicas para a economia nacional e desrespeita normas universais do direito público e democrático, contribuindo para que se estabeleça uma atmosfera de pânico, de incertezas, de ameaça, de que é testemunha o quadro político e econômico nacional. Para tornar antipática e impopular a era Lula-Dilma, essa organização criou um Tribunal de Exceção, que dá a medida da maldade humana.

Palco

Os homens e mulheres de boa-fé sabem que, para felicidade nossa, o senhor ministro José Eduardo Cardoso, compreendendo a gravidade do momento, não se afastou do seu gabinete e não aparece em público para se entregar ao estudo diuturno dos problemas que essa situação tem causado. Em vez de divertir-se e passear, ele está sofrendo com os seus concidadãos, reforçando a confiança que estes depositam na sua autoridade. Essa é a verdade. E é isso que passará à história. O que prova, logicamente, de modo inequívoco, que ele não é responsável por aqueles indivíduos, e que há, portanto, por aí, uma instituição secreta que está agindo em nome das autoridades.

Urge, pois, que o ministro da Justiça liberando-se um pouco dos estudos acurados e pacientes a que vem se entregando, atente um pouco para o que está sucedendo aqui fora e tranquilize a consciência pública. Se não o fizer, será um desastre. As pessoas mais esclarecidas e conscientes acabarão identificando os atos com os homens. E quem nos dirá se na sua credulidade ingênua e confiante o povo não chegará a fazer ao senhor José Eduardo Cardoso a injúria de acreditar que ele está mesmo em momentos de deleite em algum refúgio paradisíaco?

O certo é que as cortinas começaram a descer. A peça — que pode também ser mais um espetáculo circense —, que toma conta do país, ainda não definiu o gênero teatral ao qual pertence. Pode ser uma comédia. Pode ser uma farsa. Pode ser também uma tragédia. Nas comédias, como se sabe, o protagonista atua como o néscio de quem todos riem. Nas farsas, o protagonista é enganado. E nas tragédias o protagonista caminha consciente e célere em direção à própria ruína.

Sobre outrolado

Notícias Relacionadas

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicadoCampos obrigatórios estão marcados *

*