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Manifestações foram um show de cinismo

Manifestações foram um show de cinismo

Por Osvaldo Bertolino

Por qualquer ângulo que se olhe é possível ver nitidamente o corte de classe nas manifestações convocadas, organizadas e financiadas pela direita (sobretudo a mídia) neste 13 de março. Numa operação meticulosamente preparada, como uma peça de teatro muito bem ensaiada, Sérgio Moro com sua “Operação Lava Jato” se juntou aos três patetas — os promotores tucanos Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo — e produziram uma cachoeira de torpezas despejadas pela mídia nas cabeças mais desavisadas dos brasileiros que assistem à escalada golpista como se fosse uma cruzada moral.

O resultado pôde ser visto em diferentes imagens, mas nenhuma delas expressou melhor o sentido daquela gente na rua do que a babá negra vestida de branco empurrando o carrinho de bebê atrás de Claúdio Pracownik, vice-diretor de Finanças do Flamengo e ex-vice-presidente da Brasif (empresa que bancou a amante do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso), e sua esposa. Por aí dá para se ver até onde vai a falta de escrúpulos desse tipo de manifestante. Se não bastasse o fato em si, Pracownik divulgou um texto repetindo acusações torpes, dessas que se vê aos milhões na mídia, e dizendo que gera empregos, paga impostos e blábláblá. Mas nada supera a forte repugnância que aquela imagem causou.

Cruzada moral

A cruzada “moralista” da direita certamente evoluirá para outros pretextos bem ao gosto do seu figurino político. O Juiz Sérgio Moro vai deflagrar mais uma de suas fases de perseguições políticas brevemente, agora para supostamente investigar o acervo de Lula “descoberto” por agentes da “Operação Alethea” em uma agência do Banco do Brasil no centro de São Paulo. Não há, como em todas as fases dessa farsa de Moro, nada de irregular, mas ele já começou a fazer sua tradicional pirotecnia para alimentar a campanha de ataques ao ex-presidente, vazando inclusive fotos do tal acervo para a mídia.

Até onde essa embromação vai não dá para saber. Ela vem desde que Lula despontou como favorito nas eleições de 2002 — na campanha do seu oponente da direita, o tucano José Serra, a atriz Regina Duarte foi à TV pregar o “medo” e repetir Leonor de Barros, mulher do ex-governador Ademar de Barros, que pelo rádio incitou a ”Marcha da Família com Deus pela Liberdade” a favor do golpe militar de 1964 — e assumiu ares de verdadeira “cruzada moral”, que em tempos passados chamava-se “cruzada democrática”.

Linha sucessória

Hoje, a mídia repete o terror da época do ataque aos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck e João Goulart, abertamente apoiado pelos Estados Unidos. O jornal New York Times disse que a disputa entre os militares nacionalistas e a “cruzada democrática”, capitaneada pela UDN fardada, ameaçava “degenerar em perturbações da ordem”. A crise, afirmou o jornal, teria se originado com “a recusa do ministro da Guerra do governo do presidente Getúlio Vargas, Newton Estillac Leal, em purgar de comunistas o Exército”. “Contra ele, tem um grupo que se denomina ‘cruzada democrática’, batendo-se por estreita colaboração política e econômica com os Estados Unidos (…) e por medidas enérgicas contra os comunistas do Brasil”, escreveu o jornal.

A ofensiva encontrou um Vargas cada vez mais vacilante, recuando em todas as frentes e somente assistindo ao massacre da corrente nacionalista e democrática que lhe havia assegurado as condições para a eleição e a posse. Destes, os mais ligados ao presidente eram os mais perseguidos. Havia também a UDN gráfica (a mídia), que trabalhou febrilmente contra Vargas. Como se sabe, esse cenário evoluiu para o suicídio do presidente em 1954, para atentados contra Juscelino Kubitscheck e finalmente para o golpe militar de 1964, com seu complemento neoliberal representado pela “era FHC”. A vitória de Lula em 2002 representou um corte nessa linha sucessória conservadora.

Turma marginal

Ao insuflar as manifestações do dia 13, a mídia apostou todas suas fichas, mas uma vez, no jogo sujo do golpismo. A cobertura vem sendo um show de cinismo, daqueles de deixar qualquer pessoa minimamente informada e com algum sendo de razão enojada. O jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, chegou ao absurdo de repetir o título do editorial do Correio da Manhã no dia do golpe de 1964, também em editorial, dizendo que chegou a hora de dizer “basta” ao mandato da presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita em 2014.

Sem meias palavras, o provecto jornalão conservador e golpista apelou para as “famílias indignadas com a crise moral” pedindo que elas rosnassem como matilhas nas manifestações. Essa turma que já foi minoritária — marginal, nos dois sentidos do termo — nesse ciclo de governos democráticos e progressistas, voltou a seduzir a parte ingênua da opinião pública nacional com a promessa de derrubar Dilma Rousseff para instaurar um governo de vestais, empenhado apenas em restaurar a “moralidade pública”.

Tigrada da direita

Como essa farsa pode ser facilmente desmascarada pelos fatos — o Brasil se viu num processo de combate à desigualdade social inédito em sua história, um nítido contraste com o desastre das eras militar e FHC —, restou aos golpistas engambelar os cidadãos que não se organizam politicamente e não têm as informações necessárias para visualizar o tamanho do embuste no qual estão metidos. Já faz tempo que, ao farejar a possiblidade de perder seus imensos privilégios históricos, a tigrada da direita lançou no ar suas ameaças, com a pretensão de se impor pela força, já que pela razão não é possível.

Essa turma de boas-vidas que vivem da indústria da maracutaia montada para surrupiar o resultado do trabalho alheio, que encontram eco nos ouvidos de um número cada vez maior de desinformados, teme a tomada de consciência dos brasileiros honestos e apelam para suas habituais bravatas destemperadas. Sem nenhuma vocação para a democracia, tentam sequestrar o poder para entregá-lo a oportunistas de variados naipes. É por eles e pelos demais condôminos desse indecente edifício construído à base de corrupção e de mentiras nos mais de quinhentos anos de história brasileira que o país será governado caso os golpistas vençam a guerra contra o futuro do povo e da pátria.

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2 Comentários

  1. Concordo, com esse pensamento.A política jamais poderá entrar nos tribunais. Moro discípulo de Di Pietro. é o caos. O fato de aceitar receber prêmio da globo, já fiz tudo , bom profissional não é.

    • Maria Lucia , a politica jamais entrou nos tribunais, quem entrou foi a politicalha, o juizinho de primeira instância é ator GLOBAL, faz o papél de capacho dos marinhos NA NOVELA MENTIRAS CONCRETAS. O Gilmar mentes também recebe benécias da GLOBOSTA. e também já atuou no ZORRA TOTAL. Essa dupla da azía em sonrisal.

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