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O golpe e as “Teses de Abril”
Moscow, USSR --- V. I. Lenin and Joseph Stalin are the founders and editors of . --- Image by © Hulton-Deutsch Collection/CORBIS

O golpe e as “Teses de Abril”

A CATÁSTROFE QUE NOS AMEAÇA E COMO COMBATÊ-LA

Por Antônio Carlos Queiroz

Horas parecem dias e dias parecem anos, assim parece correr o tempo na quadra da crise em que estamos atolados. O que fazer? Que atitude (e antidepressivos) tomar entre uma e outra fase da Operação Lava Jato; entre um e outro seminário do ministro Gilmar Mendes, cá e além-mar; entre um toma-lá e um dá-cá do PMDB?

Não faltam sugestões. Amigo meu de pendores esquerdistas estuda há duas semanas as Teses de Abril do camarada Lênin para se inspirar. Ele cogita se a atual crise, num salto mortal dialético carpado, não poderia se tornar a antessala da revolução brasileira, capaz de arrancar pela raiz os males que nos atormentam há décadas. Que tal, por exemplo, suspender o pagamento de juros da dívida pública, que em 2015 atingiu a incrível cifra de R$ 540 bilhões (9,1% do PIB), equivalente a 20 vezes os gastos com o programa Bolsa Família naquele mesmo ano?

Outro amigo insiste na tese da convocação da Constituinte exclusiva. A gente elegeria um Congresso de homens e mulheres impolutas, de preferência desvinculadas dos partidos (anjos, por suposto!), e assim o Brasil seria passado a limpo, com o enterro da chaga da corrupção, a derrubada dos muros da Casa Grande etc etc. Esse amigo só não sugere a canonização de Sérgio Moro pela evidência que tem de que o magistrado faz parte de uma conspiração do PSDB, cuja meta é a óbvia entronização de Aécio Neves.

Já o PSTU quer que se vayan todos y todas

À direita do espectro político são também abundantes as sugestões para debelar a crise. A mais conspícua é a da volta dos militares, com a imediata instalação de tribunais de exceção, bem mais radicais que o de Curitiba, evidentemente.

Uma versão um pouco mais amena de antipetismo, bem mais eficaz do ponto de vista publicitário, é a pauta “libertária” defendida pelo garoto Kim Kataguiri, do Movimento Brasil Livre, aprendiz de feiticeiro da Escola Austríaca. Sinto-me na obrigação de informar à Abin que Kataguiri é financiado pelos dólares da agência Students for Liberty, um braço da organização dos ultraconservadores Irmãos Koch, que nada têm a ver com o bacilo da tuberculose, acho. Os Koch são promotores do “Mundo Livre” planeta afora, o Brasil incluído, por meio de agências como a Heritage Foundation, o Cato Institute e o Americans for Prosperity.

Como não tenho espaço para desenvolver considerações mais longas sobre as teses que estão na mesa para enfrentar a catástrofe que nos ameaça, limito-me, para finalizar este suelto, a expor uma proposta simples, cristalina e de fácil execução que acaba de circular nas redes sociais, a partir de Manaus, a qual, na minha modesta opinião, seria capaz de vencer todas as nossas crises – política, econômica, social e até moral. Com a sua implantação, estou convencido de que conquistaríamos a paz social e, de quebra, alcançaríamos enormes vantagens competitivas entre a comunidade das nações.

A ideia, que incorporo com frenético entusiasmo (mais do que aquele que embala o Bolsonaro e o Paulo Skaf  juntos), é a seguinte: a gente unifica num só país o Brasil, a Argentina e o Uruguai, elegendo como presidente o Pepe Mujica. Nossa seleção passaria a contar com um trio imbatível no ataque: Neymar, Messi e Suárez. A maconha seria liberada! E o mais fantástico: o Papa seria nosso!

Não vislumbro nesta sexta-feira, primeiro de abril,  Dia da Mentira e da 27ᵃ fase da Operação Lava Jato, nenhum projeto mais inspirador do que este!

Antônio Carlos Queiroz (ACQ) é jornalista em Brasília

PS – Perguntam-me o que faríamos com o Macri, que acaba de ser eleito presidente da Argentina. Ora, a gente o nomearia presidente emérito do novo país, e o devolveria à presidência do Boca Juniors.

  • Título copiado do ensaio que Vladimir Uliânov Lênin redigiu em setembro de 1917, às vésperas da Revolução Russa.

Fonte: Brasil 247

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