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A visão da China sobre os Panama Papers

A visão da China sobre os Panama Papers

Vazamento gigante de documentos confidenciais que pertenceriam a Mossack Fonseca, empresa de advogados com sede no Panamá e acusados de operar como facilitadores para lavar dinheiro suspeito dos seus clientes, chocou a opinião pública internacional. Mais de 11 milhões de documentos foram passados, por fonte anônima, ao jornal alemão Sueddeutsche Zeitung. Segundo o noticiário, esses documentos teriam sido investigados por cerca de 300 jornalistas globais durante um ano.

A mídia-empresa ocidental rapidamente selecionou a informação com maior potencial para mobilizar atenções, e líderes de países não ocidentais foram examinados. A maioria dos veículos abriram manchetes com acusações de que um amigo íntimo do presidente russo Vladimir Putin teria ‘lavado’ cerca de $1 bilhão. A isso a mídia-empresa ocidental chamou, sem qualquer atenção à transparência, de “Lavagem de dinheiro de Putin”.

Algumas figuras políticas ocidentais de destaque, por exemplo o primeiro-ministro da Islândia, viram seus nomes publicados como proprietários de contas em paraísos fiscais. Mas são acusações de somenos, se comparadas ao suposto escândalo contra Putin.

Em anos recentes, documentos expostos por Wikileaks, Edward Snowden e, dessa vez, os chamadosPanama Papers, todos, ganharam as manchetes no planeta. Dentre todos esses, os vazamentos de Snowden parecem ser os mais confiáveis, dado que foram expostos por alguém que se assume como ‘sentinela’ defensor de interesses públicos. No caso dos vazamentos pelo website Wikileaks, o movimento tem pelo menos uma figura central. Mas, no caso daqueles vazamentos recentes, ninguém aparece como responsável ou, sequer, como coordenador. Mesmo assim, os documentos parecem claramente ter alvos políticos básicos, o que nos obriga a refletir.

A mídia-empresa ocidental sempre assume o controle sobre a interpretação, em todos os casos de vazamento de documentos desse tipo; e Washington demonstrou capacidade especial para influenciar as empresas de mídia. Sempre é possível minimizar qualquer informação negativa para os EUA. E qualquer informação contra líderes não ocidentais, como Putin, sempre ganha repercussão extra.

Em tempos de Internet, a desinformação não cria grandes riscos para as elites ocidentais influentes. No longo prazo, também a internet se converterá em novo veículo pelo qual nações ideologicamente aliadas ao ocidente poderão atacar elites políticas e organizações chaves não ocidentais.

A desinformação distribuída online possibilita que o ocidente mobilize ataques diretamente orientados contra a opinião pública, sempre que o ocidente “escavar” materiais do que venha a ser ‘noticiado’ como informação confidencial.

Por mais que haja interesses diferentes, todos os países ocidentais são aliados íntimos no plano ideológico. Essa aliança talvez seja a base para o próprio conceito de “ocidente”. A opinião pública em diferentes países ocidentais é impressionantemente uniforme.

É temerário afirmar que a informação vazada seja informação falsa. Pode-se prever, isso sim, que tais vazamentos não sobreviveriam se criassem dificuldades para o ocidente. Mas o ocidente sempre gostará muito de ver os oponentes atacados por tais ‘vazamentos’.

Já há quem se pergunte por que tantas figuras públicas importantes entregariam seus segredos, todas elas, à mesma empresa de advogados. Mas essa é questão de somenos. O povo comum não tem força suficiente para lutar contra o poder que se oculta por trás desses vazamentos e é capaz de reunir tal quantidade descomunal de documentos.

(Dica de Pepe Escobar, em “Hybrid War, From Palmyra to Panama”, SputnikNews, 7/4/2016, em trad.)

Fonte: Global Times, Pequim (editorial)
http://www.globaltimes.cn/content/977162.shtml

Tradução: Vila Vudu

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