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A busca de diferenças entre o impeachment de Collor e o golpe contra Dilma

A busca de diferenças entre o impeachment de Collor e o golpe contra Dilma

Por Osvaldo Bertolino

Em 1992, forças democráticas e progressistas mobilizaram amplos setores da sociedade para afastar o presidente Fernando Collor de Mello, denunciando as mazelas do projeto neoliberal. A insatisfação com a presidenta Dilma Rousseff emergiu de uma onda criada pela mídia, sem lideranças expressivas, desconexa e despolitizada, com partidos direitistas e o projeto neoliberal a reboque. A pessoa de Collor foi atingida por revelações pontuais de corrupção — ainda que tenha sido absolvido depois da acusação de crime comum. Há certeza, por quem não se deixa levar pela onda golpista da mídia, de que Dilma é honesta.

As acusações de “crimes de responsabilidade” contra Dilma, como as falácias das “pedaladas fiscais”, exigem compreensão de complexidades técnicas, condição usada pela mídia para afastar o público dos fatos. Os crimes de Collor tinham desde a lógica singela do Fiat Elba ao esquema comandado por Paulo César Farias. O governo Collor acabou porque se descobriu esses esquemas em meio à radicalização do projeto neoliberal.

O governo Dilma resiste diante do esquema golpista porque as acusações são de uma fragilidade política, moral e jurídica tão evidente que não convence nem um um poste que esteja fora da sua operação de lavagem cerebral. Na era Collor, a economia se esfacelava. Com Dilma, mesmo diante de uma grave crise internacional os bons índices sociais têm se mantido, apesar do estrago proporcionado pela agressividade da direita para imobilizar o governo.

Collor estava isolado, na planície e no Planalto. A tropa de choque era impotente. Dilma conta com uma massa de trabalhadores e de povo, consciente de que está sendo vítimas de um golpe torpe. Bem esclarecidos, têm capacidade de articular, denunciar as maracutais dos golpistas e propagar os intentos da direita. A saída de Collor teve apoio da inteligência nacional. No caso de Dilma, intelectuais e artistas detectaram cedo as intenções dos moralistas de fancaria, de prostíbulos.

Hoje, para onde se olha no universo dos golpistas, falta compostura. Além da mídia — um autêntico cartel mafioso —, o vice-presidente da República e o presidente da Câmara, que integram a linha sucessória, só despertam desconfiança, inclusive entre sua laia. O Congresso Nacional é a instância de julgamento e pelo menos 58 parlamentares dessa laia são réus criminais, sem contar os investigados.

Muitas ações da direita são financiadas pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que virou instrumento de propaganda de seu presidente que, por acaso, não é industrial. A OAB, por sua vez, não representa os advogados brasileiros.

Mas a diferença fundamental é que com Dilma há a possibilidade de se retomar a governabilidade do país, coisa impossível com Temer, Cunha ou qualquer outro da laia golpista — como demonstra a mais recente pesquisa Datafolha. Nos tempos de Collor, era exatamente o contrário: com ele na Presidência da República, não havia a menor possibilidade de governabilidade.

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