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Olívia Santana, secretária estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, alerta para estigmatização das mulheres

Olívia Santana, secretária estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, alerta para estigmatização das mulheres

Diante do surto da doença, possivelmente associado a um aumento nos casos de microcefalia, mulheres ‘estão renunciando suas vidas para viver a vida das crianças’, segundo a secretária estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, Olívia Santana. UNFPA atua no estado e em Pernambuco para promover acesso à informação e à saúde reprodutiva.

Em meio à atual epidemia de zika – possivelmente associada a um surto de microcefalia –, o representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Jaime Nadal, reuniu-se na semana passada (5) com secretários estaduais da Bahia e organizações da sociedade civil para discutir iniciativas que pretendem dar apoio às mulheres em idade reprodutiva.

A agência da ONU quer fornecer conhecimento técnico aos organismos envolvidos na promoção dos direitos das mulheres e de sua saúde reprodutiva.

Durante encontro com a secretária de Políticas para as Mulheres, Olívia Santana, o representante do UNFPA expressou preocupação quanto a uma possível “culpabilização” das mulheres no contexto da epidemia. “As mulheres podem acabar sendo estigmatizadas diante da contração do zika, devido à percepção social de que a mulher estaria contaminada”, disse.

Nadal também destacou que transmissão em massa da doença é um reflexo das iniquidades. “O surto afeta mais alguns grupos sociais do que outros. E é consequência das iniquidades na saúde pública e falta de saneamento adequado”. O dirigente ressaltou ainda a importância da comunicação e da mobilização social nas áreas afetadas a fim de garantir que sejam dadas orientações adequadas a todos e todas, mas sobretudo, às mulheres e jovens.

A secretária alertou para o que considera um obstáculo ao avanço da promoção dos direitos das mulheres: o conservadorismo. “É um entrave para a vida das mulheres, que já são prejudicadas, mas nesse contexto estão renunciando suas vidas para viver a vida das crianças. Precisamos pensar na redução dos impactos na vida delas considerando esse novo fenômeno: está nascendo uma população/geração com microcefalia”, explicou.

Santa disse ter interesse em trabalhar com o UNFPA, fortalecendo as iniciativas que a agência da ONU está desenvolvendo junto à sociedade civil.

Em outra reunião entre representantes do estado e do Fundo de População, o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas Boas, afirmou que o organismo sob sua direção está realizando “trabalho de massa para o controle vetorial” do zika. Apesar dos esforços, ainda é necessário fazer um investimento maior na orientação sobre saúde nas escolas, sobretudo com adolescentes e jovens.

Segundo Vilas Boas, essa é uma das responsabilidades do governo do estado. “Temos o projeto Saúde nas Escolas onde é possível atingir esse público. Mas precisamos de uma ação continuada”, disse.

O UNFPA enfatizou que o objetivo da agência é somar esforços às ações feitas na Bahia, apoiando assim a força de trabalho em saúde e a gestão de cuidado no ciclo de vida. O organismo ressaltou ainda que a mobilização a nível local é importante para que as mulheres tenham informações de qualidade e possam tomar suas decisões no âmbito sexual e reprodutivo da melhor forma.

No mesmo dia das reuniões com entidades do governo, o UNFPA participou também de um encontro com as redes e organizações civis parceiras na sede da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE). A entidade é a implementadora do projeto idealizado pela agência da ONU, que também atua em Pernambuco. A iniciativa conta com apoio da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e é financiado pelo Japão e pelo Fundo Global para Emergências do UNFPA.

O objetivo deste primeiro encontro foi reunir os organismos participantes na Bahia e iniciar o processo de planejamento dos projetos de comunicação e mobilização social a nível comunitário. Programação será focada no acesso à informação sobre o zika e seus efeitos sobre a saúde das mulheres, com ênfase em direitos e planejamento voluntário da vida.

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