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Cusparadas na imbecilidade coletiva

Cusparadas na imbecilidade coletiva

Por Osvaldo Bertolino

Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara ― Diógenes de Sínope, filósofo da Grécia Antiga.

Os gestos do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) e do ator José de Abreu, cuspindo em direção a provocadores, nas circunstâncias em que ocorreram foram nobres. Eles cuspiram no fascismo, não em pessoas. Reagiram a uma situação inaceitável, a um comportamento que vai se tornando comum, como se ofensas fossem a coisa mais natural do mundo. Essa turba que sai por aí fazendo provocações acha que está no direito de falar o que bem entende, fazer ameaças e que tudo deve ficar por isso mesmo. Muitos se dizem civilizados, honestos e trabalhadores e por isso podem acusar os que chamam de “petistas” sem sofrer consequências.

Essa imbecilidade coletiva não nasceu do nada. Ela foi plantada e vem sendo alimentada pela mídia, o pior extrato da vida política do país, que semeou o ódio no coração desses imbecis provocadores e aturdiu suas mentes perturbadas com sinais fantasiosos de uma “revolução comunista” irrompendo em chamas e ameaçando suas posses. Até em muitas igrejas ditas cristãs essa pregação fascista proliferou, como a “grande mentira”, nas palavras de Joseph Goebbels, o ministro propagandista do regime de Adolf Hitler. A “corrupção” do “petê”, que além da locupletação de seus líderes financiaria a eternização “desse partido” no poder, justificaria qualquer abuso.

A “corrupção”, nesse caso, equivale, em termos de sordidez, ao incêndio do Reichstag, o parlamento alemão, pelos nazistas para atribui-lo como uma ação inicial da “revolução comunista”. “Isso é o princípio da revolução comunista! Não devemos esperar um minuto. Não teremos piedade. Todo funcionário comunista deve ser morto, onde for encontrado, todo deputado comunista deve nesta mesma noite ser enforcado”, ordenou Hermann Göring, comandante-chefe da Luftwaffe, a força aérea alemã. Iniciou-se, com essa farsa, a onda de terror que enterraria a democracia parlamentar e levaria comunistas e socialdemocratas às prisões.

Esses fascistas que gritam “fora, petê!” por aí, guardadas as devidas proporções, não pensam diferente de Göring. Por eles, toda a nação deveria se submeter ao tacão de fascistas como o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Agem como bandos de rua, fazendo questão de demonstrar que são medíocres e incompetentes a ponto de não ter a compreensão mínima sobre as complexidades sociais que só a democracia pode dar conta. Basta ver os gestos efusivos com os quais reagiram à votação da fraude do impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, uma vitória para eles obtida “legalmente”. Cabe dizer, a título de comparação, que Hitler tornou-se ditador do Reich, em 23 de março de 1933, também por esmagadora maioria do parlamento.

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