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Guerrilha do Araguaia inspira time do ABCD paulista

Guerrilha do Araguaia inspira time do ABCD paulista

Com menos de um ano de vida, time de Santo André tem origem e inspiração em movimento que lutou contra a Ditadura Militar

Fundado há menos de um ano, a Associação Esportiva Araguaia surgiu na várzea de Santo André ocupando espaço pelos campos da cidade com entusiasmo e com intuito de trazer de volta o velho espírito do futebol amador, algo que há muito vem se perdendo pelas praças esportivas desse universo varzeano.

“Um de nossos objetivos é resgatar o sentimento e a essência da várzea de camaradagem, de amizade, de vínculo com algo que nos una, saindo dessas velhas práticas, por exemplo, de pagar jogadores que ao fim do jogo apenas pegam o envelope e vão embora e nem sabem o significado ou o mínimo da história do time”, explicou Renato Ramos, dirigente, treinador e fundador da equipe.

Contando com o apoio do PCdoB, o nome do clube de Renato é uma direta homenagem à Guerrilha do Araguaia. Um movimento de luta armada que aconteceu no Brasil dos anos de Chumbo da Ditadura Militar no Brasil entre 1972 e 1975, na região do Araguaia, divisa entre os estados de Tocantins e Pará – quando pouco mais de 80 guerrilheiros, estudantes universitários, profissionais liberais e camponeses compunham a força da guerrilha. Naquele contexto, o futebol foi escolhido pelo grupo para fazer parte da vida cotidiana do local.

“Osvaldão, líder guerrilheiro e um dos patronos do nosso time, havia sido boxeador e jogador de basquete. Entre suas paixões estava o Botafogo do Rio e muito por conta disso, ele foi um dos que mais quis o futebol ali como instrumento de lazer dentro do movimento”, contou Renato.

Toda essa carga histórica faz parte das coisas da equipe do Araguaia. Seus jogadores, quase todos jovens na casa dos 25 anos, ao chegarem, são recebidos pela direção e informados do que é e o que significa o Araguaia. Renato conta que é um trabalho de base, para o atleta saber que a foice e o martelo do escudo do time não estão ali gratuitamente.

“Nossa ideia é ter um relacionamento político propositivo com nossos jogadores, conversando sobre o dia a dia deles, procurando, a partir daí, gerar uma reflexão. Muitos de nossos atletas são de comunidades do ABCD, alguns do CDHU do Jardim Santo André, outros do Sitio dos Vianas e todas as camadas da sociedade estão aqui representadas. Dessa forma, podemos estabelecer um debate político saudável.”

Entre os atletas, essas informações todas são recebidas com novidade, mas de maneira positiva.

“Eu moro no Jardim Santo André, estou na várzea desde os cinco anos de idade e hoje, atuando aqui no Araguaia, posso dizer que achei bem diferente a proposta do time, mas gostei de saber todas essas coisas. A guerrilha, a luta do pessoal, todos ali queriam um País melhor da forma deles. Tudo isso é novo para mim, estou aprendendo bastante aqui sem falar que a equipe é legal, bem organizada e bacana de jogar”, diz o atacante Cris Sales, de 25 anos.

Para o futuro, o Araguaia tem planos de se consolidar na várzea. Esse ano, além de várias copas alternativas, o time disputa pela primeira vez a terceira divisão da várzea de Santo André. A adesão, junto a admiradores de pensamento em comum com a origem da agremiação, vem crescendo por todo Brasil.

Camisas, bonés e outros utensílios vêm sendo vendidos através do site da equipe (http://www.araguaia.eusoutorcedor.com.br/) pelo país afora e o dinheiro arrecadado está sendo empregado na manutenção em coisas básicas, como comprar bolas, pagar lavagem de uniformes, taxas da liga tais como arbitragem e combustível para viagens ao interior de São Paulo, onde o Araguaia é sempre convidado para atuar.

ABCD Maior

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