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Na Conferência da OIT, centrais sindicais fazem ato contra o golpe no Brasil

Na Conferência da OIT, centrais sindicais fazem ato contra o golpe no Brasil

Sindicalistas da CUT e da CTB tiveram apoio da Unia, maior sindicato da Suíça, da CSI (Confederação Sindical Internacional) e da Federação Sindical Mundial

Organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) com apoio da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), o ato ocorreu na sede da Unia, o maior sindicato da Suíça, e reuniu cerca de 200 pessoas, segundo as entidades brasileiras.

Durante o ato, que também teve apoio da CSI (Confederação Sindical Internacional) e da Federação Sindical Mundial, as lideranças brasileiras denunciaram o golpe no Brasil e receberam o apoio de sindicalistas de vários países, reunidos em Genebra para participar da 105ª Conferência da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que começou no dia 1º e se estenderá até 10 de junho.

O integrante da Executiva Nacional da CUT, João Felício, disse a Opera Mundi que o objetivo do ato foi dar mais visibilidade à situação atual do Brasil. Os protestos no exterior, segundo ele, são ferramentas importantes para dar conquistar espaço na imprensa, especialmente a internacional, contra o golpe. Como exemplo, ele cita o protesto contra o chanceler interino José Serra em Buenos Aires, que foi noticiado em diversos meios de comunicação.

“Sabemos que o governo golpista está em uma ofensiva para dizer que não é um golpe, e nós temos que criar uma contraofensiva para dizer que é um golpe, sim”, declarou.

Além disso, Felício diz que os atos ajudam a mobilizar e obter apoio de movimentos sociais estrangeiros contra o golpe no Brasil. Segundo ele, vários sindicalistas presentes na Unia hoje se comprometeram a repudiar o impeachment de Dilma em todas as oportunidades possíveis, especialmente quando houver visitas de representantes do governo interino, liderado pelo vice-presidente, Michel Temer, em seus países.

O assessor jurídico da CTB Magnus Farkatt disse a Opera Mundi ter conversado com dirigentes de diversos países que prestaram solidariedade ao Brasil. Ele acredita que as mobilizações no exterior ajudam a difundir a ideia de que há muitos setores no Brasil descontentes com o afastamento de Dilma Rousseff.

De acordo com Farkatt, as mobilizações “deixam claro que há uma resistência ao golpe no Brasil, que não é algo consensual junto à população”.

Constrangimento durante conferência da OIT

A situação política brasileira gerou um momento de constrangimento na conferência da OIT na sexta-feira (03/06). De acordo com sindicalistas ouvidos por Opera Mundi, durante sessão para discutir a situação do trabalho em Honduras, um representante da Venezuela fez menção ao afastamento de Dilma, ao qual se referiu como um golpe de Estado.

Em seguida, um membro da missão diplomática brasileira pediu a palavra para negar que havia um golpe em curso no país, o que gerou protestos de representantes de centrais sindicais do Brasil que estavam presentes.

Por ter feito um comentário que não estava relacionado à pauta da reunião, o diplomata brasileiro foi advertido pela presidente da sessão, Cecilia Mulindeti-Kamanga, e perdeu o direito a pronunciamento devido à infração cometida.

Opera Mundi tentou contato com o Itamaraty para repercutir o relato dos sindicalistas, mas não obteve retorno até a publicação desta nota.

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