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Joseph Stiglitz diz, em novo livro, que Euro nasceu condenado

Joseph Stiglitz diz, em novo livro, que Euro nasceu condenado

O economista norte-americano Joseph Stiglitz, prémio Nobel em 2001, afirma que o grande problema da União Europeia é a moeda única. Num novo livro que será publicado a 16 de agosto, e do qual o The Guardian publica esta quarta-feira um excerto, o economista traça um cenário negro para o futuro do bloco europeu. “Embora existam muitos fatores a contribuir para as angustias da Europa, há um erro subjacente: a criação da moeda única. Ou mais precisamente, a criação de uma moeda única sem o estabelecimento de instituições que permitissem a uma região com a diversidade da Europa funcionar eficazmente”, considera o economista. Segundo Stiglitz, a criação do euro não conseguiu atingir os objetivos principais: a prosperidade e a integração política. “Essas metas estão hoje mais distantes do que antes da criação da zona euro.

Em vez de paz e harmonia, os países europeus olham hoje uns para os outros com desconfiança e ódio. Os velhos estereótipos estão de regresso. Os europeus do norte vêm o sul como preguiçosos e não confiáveis, e lembra-se o comportamento da Alemanha durante as guerras mundiais”, lamenta o prémio Nobel da Economia. O economista não poupa críticas às instituições europeias. “A zona euro estava condenada à nascença. A estrutura da zona euro, as regras e as instituições que a governam, têm culpa do mau desempenho da região, incluindo as suas múltiplas crises”.

Um casamento que correu mal Para Stiglitz, os fundadores da moeda única basearam-se em ideias “erradas” sobre o funcionamento das economias. “Tiveram fé nos mercados mas não perceberam as limitações dos mercados e o que é necessário para que eles funcionem”, conclui o economista. Segundo Joseph Siglitz, os líderes da zona euro culpam “as vítimas”, neste caso os países em recessão, porque recusam culpar-se a si próprios “e as grandes instituições que ajudaram a criar”. O presidente da Comissão Europeia é um dos alvos das críticas do Nobel da Economia.

Para Stiglitz, Jean-Claude Juncker defende a manutenção da união através de “ameaças e medo”, e ficará na história como “a pessoa que mandava quando a Europa começou a dissolver-se”. O economista descreve a zona euro como um casamento que correu mal. “Os custos de um divórcio, financeiros e emocionais, podem ser altos. Mas manter a união pode sair ainda mais caro”, observa. Apesar da análise pessimista, Stglitz vê algumas razões para ter esperança, e que passam pela reforma da UE. “O desafio é aprender com o passado para criar a nova política e a nova economia do futuro”. (Dinheiro Vivo)

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