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Os pobres da Rússia e os demais pobres dos BRICS

Os pobres da Rússia e os demais pobres dos BRICS

Quanto a sua magnitude e características, a pobreza e a desigualdade encontradas na Rússia diferem significativamente de problemas análogos presentes em outros países do Brics.

Em termos de renda, há um número notavelmente menor de pobres na Rússia que nos outros países do grupo. Porém, a pobreza russa é mais difícil de ser erradicada devido a sua complexa estrutura às tendências econômicas dos últimos anos.

A pesquisadora Natália Tikhonova, do Instituto de Sociologia da Academia Russa das Ciências, e Vassíli Aníkin, da Universidade Nacional de Pesquisa “Escola Superior de Economia”, estudaram as especificidades da pobreza nos países do grupo Brics.

Segundo eles, o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento socioeconômico e diferem drasticamente quanto à situação demográfica, ao nível de urbanização e ao ritmo de desenvolvimento.

Na Índia e na África do Sul é mais difundida a variante pré-industrial de pobreza, devido à grande proporção de população rural e à baixa produtividade agropecuária, enquanto no Brasil a pobreza está presente nos estratos menos privilegiados da população urbana, constituídos em grande parte por desempregados.

Na China, observa-se uma versão industrial da pobreza – a maior parte da camada da população de baixa renda é composta por trabalhadores sem qualificação que migraram das aldeias há pouco tempo.

O modelo russo combina todas essas variantes adicionando a elas a pobreza pós-industrial em megacidades, onde entre os pobres também se encontram jovens com boa formação.

De acordo com o Instituto de Sociologia da Academia Russa das Ciências, a maior parte dos russos de baixa renda (56%) está trabalhando, e 43% deles são trabalhadores com baixa e média qualificação.

A diferença essencial entre a Rússia e a China é que a pobreza na primeira está concentrada principalmente em áreas rurais (38%) e em pequenas cidades com população inferior a 100.000 habitantes (35,8%).

São, portanto, diferentes padrões de pobreza: aqueles que são considerados pobres na Rússia poderiam ser incluídos na classe média nos outros países.

De acordo com as estatísticas oficiais, não existem na Rússia pessoas que vivam com menos de US$ 1,25 por dia.

Na Índia, porém, quase um terço da população vive abaixo desse limite. No Brasil são 13%, na África do Sul, 10,7% e na China, 6,1%.

Entretanto, a parcela da população que vive abaixo da linha oficial de pobreza se distingue de maneira menos significativa: 37% na Índia, 26,8% no Brasil, 26,3% na África do Sul, 15,7% na Rússia (dados da Rosstat, agência Federal de Estatísticas, referentes ao primeiro trimestre de 2016) e 2,5% na China.

Publicado originalmente pelo jornal Vedomosti

Fonte: Gazeta Russa

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