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Presidente chinês, Xi Jinping, aborda, em Davos, aspectos das tensões mundiais

Presidente chinês, Xi Jinping, aborda, em Davos, aspectos das tensões mundiais

Pres. Xi Jinping, da China
Discurso ao
Fórum Econômico de Davos, 17/1/2017
(Trad. Google, aqui revista, cotejada com orig. ing.)

Estou muito contente de vir a essa bela Davos. Embora pequena cidade nos Alpes, Davos é janela importante para tomar o pulso da economia global. Pessoas de todo o mundo aqui vêm para trocar pensamentos e ideias, o que amplia a visão de todos. Isso faz da reunião anual do Fórum Econômico Mundial (FEM, ing. WEF) esse evento de brainstorming econômico, que eu chamo de “economia de [prof. Klauss] Schwab“.

“Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos.” Assim Charles Dickens descreveu o mundo da Revolução Francesa.[1] Hoje, também vivemos num mundo de contradições. Por um lado, com a crescente riqueza material e os avanços na ciência e tecnologia, a civilização humana se desenvolveu como nunca antes. Por outro lado, os conflitos regionais frequentes, os desafios globais – como o terrorismo e os refugiados –, bem como a pobreza, o desemprego e a crescente disparidade de rendimentos contribuíram para as incertezas do mundo.

As pessoas sentem-se perplexas e perguntam-se: o que deu errado com o mundo?

Para responder a esta pergunta, é preciso primeiro rastrear a origem do problema. Alguns culpam a globalização econômica pelo caos no mundo. A globalização econômica foi vista de início como a caverna do tesouro de Ali Babá nas Mil e Uma Noites. Agora, para muitos, está convertida na caixa de Pandora. A comunidade internacional debate ferozmente a globalização econômica.

Hoje, desejo abordar a economia global no contexto da globalização econômica.

O que quero dizer aqui é que muitos dos problemas que preocupam o mundo não são causados pela globalização econômica. Por exemplo, as ondas de refugiados do Oriente Médio e do Norte da África nos últimos anos tornaram-se preocupação global. Vários milhões de pessoas foram deslocadas, crianças pequenas perderam a vida ao atravessar o mar agitado. São mortes realmente dolorosas. A guerra, o conflito e a turbulência regional criaram este problema, e a solução deles está em se fazer a paz, promover a reconciliação e restaurar a estabilidade.

A crise financeira internacional é outro exemplo. Não é resultado inevitável da globalização econômica. É, sim, a consequência de o capital financeiro perseguir exageradamente os lucros a extrair do capital financeiro e grave falha na regulamentação das finanças. Culpar só a globalização econômica pelos problemas do mundo não dá conta da realidade, é inconsistente e não ajudará a resolver os problemas.

Do ponto de vista histórico, a globalização econômica resultou da crescente produtividade social e é resultado natural do progresso científico e tecnológico, não foi inventada por indivíduos ou países. A globalização econômica tem impulsionado o crescimento global e facilitado a circulação de bens e capital, os avanços da ciência, tecnologia e civilização e as interações entre os povos. Mas também devemos reconhecer que a globalização econômica é uma espada de dois gumes.

Quando a economia global está sob pressão descendente, é difícil fazer o crescer o bolo da economia global. Pode mesmo acontecer de ele encolher, o que prejudicará as relações entre crescimento e distribuição, entre capital e trabalho, e entre eficiência e equidade. Tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento sentiram o soco. E muitas vozes contrárias à globalização distribuíram armadilhas ferozes na trilha do processo de globalização econômica que temos de considerar seriamente.

Como diz o verso de antigo poema chinês, “as uvas mais doces pendem de videiras amargas. Pêssegos doces crescem em cardos e espinhos.” É um modo filosófico de dizer que nada é perfeito no mundo. O quadro não está completo, se só mostra os méritos, nem algo tem de ser descartado se só se conhecem os defeitos. É verdade que a globalização econômica criou novos problemas. Nem por isso basta esse conhecimento para descartar completamente a globalização econômica. Em vez de descartá-la, temos de nos adaptar e orientar a globalização econômica, amortecer seu impacto negativo e disseminar os seus benefícios para todos os países e todas as nações.

Tempo houve em que a China também tinha dúvidas sobre a globalização econômica, e não tinha certeza se deveria aderir à Organização Mundial do Comércio. Mas chegamos à conclusão de que a integração na economia global é uma tendência histórica.

Para fazer crescer sua economia, a China tem de ter coragem para nadar no vasto oceano do mercado global. Quem vive intimidado, sempre com medo de enfrentar as tempestades e explorar o novo mundo, mais cedo ou mais tarde será surpreendido e pode acabar afogado no oceano. Por tudo isso, a China decidiu-se pelo passo corajoso, para abraçar o mercado global.

Tivemos a nossa quota-parte de falta de ar, de quase nos afogar, e houve redemoinhos e ondas agitadas, mas, no processo, aprendemos a nadar. A escolha provou ser estrategicamente certa.

Goste-se ou não, a economia global é o grande oceano do qual não se pode fugir. Não é possível cortar o fluxo de capital, tecnologias, produtos, indústrias e pessoas entre economias, assim como é impossível canalizar as águas oceânicas, de volta para lagos e riachos isolados. Simplesmente não é possível. Com efeito, é contrário à tendência histórica.

A história da humanidade nos diz que não se pode ter medo dos problemas. Deve-nos preocupar quem se recuse a enfrentar os problemas, não sabe o que fazer para resolvê-los e não cuide de aprender. Diante das oportunidades e dos desafios da globalização econômica, a coisa certa a fazer é aproveitar todas as oportunidades, enfrentar os desafios e traçar o caminho correto para a globalização econômica.

No Encontro dos Líderes Econômicos da APEC [Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (ing. APEC), Lima, Peru, 19/11/2016], falei da necessidade de dar mais vigor ao processo de globalização econômica, torná-lo mais inclusivo e mais sustentável.

Temos de agir proativamente e gerir a globalização econômica de modo a libertar seu potencial positivo e reequilibrar todo o processo da própria globalização econômica. Devemos seguir a tendência geral, a partir das nossas respectivas condições nacionais, e tomar o caminho certo de integração na globalização econômica, ao ritmo adequado, caso a caso. Devemos encontrar um equilíbrio entre eficiência e equidade, para garantir que diferentes países, diferentes estratos sociais e diferentes grupos de pessoas compartilhem todos os benefícios da globalização econômica.

Os povos de todos os países do mundo não esperam nada menos que isso, de nós. Essa é nossa inescapável responsabilidade como líderes, nos tempos que correm.

Senhoras e senhores,

Queridos amigos,

No momento, a tarefa mais premente que temos diante de nós é tirar a economia global da dificuldade em que está. A economia global permaneceu lenta por algum tempo. O fosso entre os pobres e os ricos e entre o Sul e o Norte só se amplia. A causa raiz é que três questões críticas na esfera econômica ainda não receberam tratamento efetivo.

[OS TRÊS PRINCIPAIS PROBLEMAS]

Primeiro, a ausência de forças motrizes potentes que empurrem o crescimento global, impede que o crescimento da economia global permaneça constante. A economia global cresce hoje ao ritmo mais lento dos últimos sete anos. O crescimento do comércio global é mais lento que o crescimento do PIB global. Os estímulos políticos de curto prazo são ineficazes. Mal se desenrola qualquer reforma estrutural fundamental.

A economia global atravessa período de movimento em direção a novos impulsionadores do crescimento; e diminuiu o peso dos tradicionais motores de impulsionar o crescimento. Surgiram novas tecnologias, como a inteligência artificial e a impressão 3-D, mas não se vê sinal de novas fontes de crescimento. Não há ainda sequer como antever qualquer nova saída para a economia global.

Em segundo lugar, uma governança econômica global inadequada dificulta a adaptação a novos desenvolvimentos na economia global.

Madame Christine Lagarde disse-me recentemente que os mercados emergentes e os países em desenvolvimento já contribuem com 80% do crescimento da economia global. O panorama econômico global mudou profundamente nas últimas décadas. No entanto, o sistema de governança global não assumiu, não encampou as mudanças recentes e, portanto, tornou-se inadequado, em termos de representação e inclusividade.

A paisagem industrial global está mudando e novas cadeias industriais, cadeias de valor e cadeias de suprimentos estão tomando forma. Contudo, as regras do comércio e do investimento não acompanharam esta evolução, o que resultou em problemas agudos, como os mecanismos fechados e regras fragmentadas.

O mercado financeiro global precisa ser mais resiliente em relação aos riscos, mas o mecanismo de governança financeira global não consegue satisfazer a nova exigência e, portanto, não tem meios para resolver eficazmente problemas como a frequente volatilidade dos mercados financeiros internacionais e as bolhas de ativos, que se acumulam.

Em terceiro lugar, o desenvolvimento global desigual dificulta a satisfação das expectativas de melhores condições de vida, que todas as pessoas têm.

Dr. Schwab observou em seu livro A Quarta Revolução Industrial que a atual rodada de revolução industrial terá impactos amplos e de longo alcance, como a desigualdade crescente; e especialmente a possível ampliação da distância entre retorno do capital e retorno sobre o trabalho.

O 1% mais rico da população do mundo possui mais riqueza do que os restantes 99%. A desigualdade na distribuição de renda e no espaço de desenvolvimento é preocupante. Mais de 700 milhões de pessoas no mundo ainda vivem em extrema pobreza. Para muitas famílias, uma casa aquecida, comida suficiente e emprego seguro ainda é sonho distante. Este é o maior desafio que o mundo enfrenta atualmente. É também o que está por trás da turbulência social em alguns países.

Tudo isso mostra que existem de fato problemas com o crescimento econômico mundial, governança e modelos de desenvolvimento, e eles precisam ser resolvidos. O fundador da Cruz Vermelha, Henry Dunant, disse uma vez: “Nosso verdadeiro inimigo não é o país vizinho; É a fome, a pobreza, a ignorância, a superstição e o preconceito.”

[O QUE FAZER]

Precisamos ter visão para dissecar esses problemas. Mais importante, precisamos ter a coragem de tomar medidas para enfrentá-los.

– INOVAR (mas na direção correta)

Primeiro, devemos desenvolver um modelo de crescimento dinâmico e orientado para a inovação. A questão fundamental que assola a economia global é a falta de força motriz para crescer. A inovação é a principal força que orienta o desenvolvimento.

Ao contrário das revoluções industriais anteriores, a quarta revolução industrial está se desenvolvendo em um ritmo exponencial, não em ritmo linear. Temos de buscar implacavelmente a inovação. Só com coragem para inovar e reformar podemos eliminar os estrangulamentos que bloqueiam o crescimento e o desenvolvimento globais.

Com isso em mente, os líderes do G-20 chegaram a um consenso importante na Cúpula de Hangzhou: assumir a inovação como fator chave e promover nova força motriz de crescimento, tanto para os países nacionalmente considerados, como para a economia global.

Temos de desenvolver uma nova filosofia de desenvolvimento e superar o debate sobre se deve haver mais estímulo fiscal ou mais flexibilização monetária.

Devemos adotar uma abordagem multifacetada, para abordar os sintomas e os problemas subjacentes.

Devemos adoptar novos instrumentos de política e avançar a reforma estrutural para criar mais espaço para o crescimento e para manter o ímpeto do crescimento.

Devemos desenvolver novos modelos de crescimento e aproveitar as oportunidades apresentadas pela nova rodada de revolução industrial e economia digital.

Devemos enfrentar os desafios das alterações climáticas e do envelhecimento da população.

Devemos abordar o impacto negativo da aplicação de TI e automação nos trabalhos.

Ao cultivar novas indústrias e novos modelos de modelos de negócios, temos de cuidar para criar novos empregos e restaurar a confiança e esperança para os nossos povos.

– Modelo de cooperação aberta ganha-ganha

Em segundo lugar, devemos prosseguir uma abordagem bem coordenada e interligada para desenvolver um modelo de cooperação aberta e ganha-ganha.

Hoje, a humanidade tornou-se uma comunidade unida, de futuro compartilhado. Os países têm amplos interesses convergentes e são mutuamente dependentes. Todos os países gozam do direito ao desenvolvimento. Ao mesmo tempo, devem considerar seus próprios interesses, em contexto mais amplo e abster-se de buscá-los em detrimento de outros.

Devemos comprometer-nos a crescer uma economia global aberta, para compartilhar oportunidades e interesses mediante a abertura, para alcançar resultados ganha-ganha. Se diante de cada tempestade recuamos até o porto de partida, nunca chegaremos à outra margem do oceano.

Devemos redobrar esforços para desenvolver a conectividade global, para permitir que todos os países consigam crescimento interconectado e compartilhem prosperidade.

Devemos continuar empenhados em desenvolver o livre comércio e o investimento global, promover a liberalização e a facilitação do comércio e dos investimentos com abertura cada vez mais ampla.

Devemos dizer não protecionismo. Perseguir o protecionismo é como se autobloquear a si mesmo num quarto escuro. Se assim se bloqueia vento e chuva, assim também se bloqueia a luz e o ar. Numa guerra comercial, ninguém emergirá como vencedor.

– MODELO DE GOVERNANÇA JUSTA E EQUITATIVA

Terceiro, devemos desenvolver um modelo de governança justa e equitativa, de acordo com a tendência dos tempos . Como diz o ditado chinês, gente de cabeça fraca prefere questões triviais; gente de cabeça forte prefere questões de mando e da governança.

Há um apelo crescente da comunidade internacional para que se reforme o sistema de governação econômica global – e essa é tarefa urgente para nós.

Só quando se adaptar a novas dinâmicas da arquitetura econômica internacional, o sistema de governança global conseguirá sustentar o crescimento global.

Países, grandes ou pequenos, fortes ou fracos, ricos ou pobres, são todos membros iguais da comunidade internacional. Como tal, têm o direito de participar na tomada de decisões, gozar de direitos e cumprir as suas obrigações em pé de igualdade. Os mercados emergentes e os países em desenvolvimento merecem maior representação e voz.

A reforma das quotas do FMI de 2010 entrou em vigor e a sua dinâmica deve ser mantida. Devemos aderir ao multilateralismo, para defender a autoridade e a eficácia das instituições multilaterais.

Devemos honrar as promessas e cumprir as regras. Não se pode escolher ou dobrar as regras como um ou outro bem entenda.

O Acordo de Paris foi duramente conquistado. E está de acordo com a tendência subjacente do desenvolvimento global. Todos os signatários devem cumpri-lo, em vez de se afastar dele, pois esta é uma responsabilidade que devemos assumir para as gerações futuras.

– Uma filosofia e um modelo de desenvolvimento sólido; e tornar o desenvolvimento equitativo, eficaz e equilibrado

Em quarto lugar, devemos desenvolver um modelo de desenvolvimento equilibrado, equitativo e inclusivo. Como dizemos os chineses: “Todos devemos perseguir a causa justa, para o bem comum”.

Desenvolvimento é necessidade, em última análise, de todas as pessoas. Para alcançar um desenvolvimento mais equilibrado e assegurar que as pessoas tenham igual acesso às oportunidades e participem dos benefícios do desenvolvimento, é crucial ter uma filosofia e um modelo de desenvolvimento sólido e tornar o desenvolvimento equitativo, eficaz e equilibrado.

Devemos fomentar uma cultura que valorize a diligência, a frugalidade e o empreendimento de todos, e respeite os frutos do trabalho árduo de todos.

Deverá ser dada prioridade à luta contra a pobreza, o desemprego, o aumento da disparidade de rendimentos, e às preocupações dos desfavorecidos para promover a igualdade e justiça sociais.

– Buscar a harmonia entre o homem e a natureza e entre o homem e a sociedade

É importante proteger o meio ambiente, procurando o progresso econômico e social, de modo a alcançar a harmonia entre o homem e a natureza e entre o homem e a sociedade.

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável deve ser implementada, para alcançar um desenvolvimento equilibrado em todo o mundo.

Adágio chinês diz: “A vitória é garantida, quando as pessoas juntam suas forças. O sucesso é garantido quando as pessoas se juntam”.

Se mantivermos a meta de construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade e se trabalharmos lado a lado para cumprir nossas responsabilidades e superar as dificuldades, seremos capazes de criar um mundo melhor e de proporcionar melhores vidas para os nossos povos.

Senhoras e senhores,

Queridos amigos,

A China tornou-se a segunda maior economia do mundo graças a 38 anos de reforma e abertura. Caminho correto leva a futuro brilhante.

A China chegou até aqui porque o povo chinês, sob a liderança do Partido Comunista da China, abriu um caminho de desenvolvimento realmente adaptado às condições reais da China.

Este é caminho firmemente baseado nas realidades da China.

Nos últimos anos, a China vem conseguindo empreender um caminho de desenvolvimento bem adequado tanto à sabedoria de sua civilização, quanto às práticas de outros países, tanto no Oriente como no Ocidente.

Ao explorar esse caminho, a China se recusa a permanecer insensível aos tempos em mudança; e a seguir sem refletir passos de outros. Todos os caminhos levam a Roma. Nenhum país deve considerar o seu próprio caminho de desenvolvimento como o único viável. Muito menos deve tentar impor a outros o seu próprio caminho de desenvolvimento a outros.

O caminho que a China escolheu e aqui expomos, põe em primeiro lugar os interesses das pessoas. A China segue uma filosofia de desenvolvimento orientada para as pessoas e está empenhada em melhorar a vida das pessoas.

Desenvolvimento é trabalho do povo, é construção do povo e deve beneficiar o povo. A China persegue o objetivo da prosperidade comum.

Tomamos medidas importantes para aliviar a pobreza e retirar mais de 700 milhões de pessoas da pobreza, e continuamos avançando nos nossos esforços para completar a construção de uma sociedade de prosperidade inicial, em todos os aspectos.

O caminho da China é caminho para fazer reformas e inovar. A China sempre enfrentou com reformas as dificuldades e os desafios em seu caminho.

A China tem dado provas de coragem diante de questões difíceis que enfrentamos, de que sabemos navegar em corredeiras traiçoeiras e remover barreiras institucionais que estejam no caminho do desenvolvimento. Esses esforços nos qualificam para estimular a produtividade e a vitalidade social.

Com base nos progressos de 30 anos de reformas, introduzimos mais de 1.200 medidas de reforma nos últimos quatro anos – o que injetou ímpeto poderoso no desenvolvimento da China.

O caminho da China é caminho para chegar ao desenvolvimento para todos mediante a abertura. A China está comprometida com uma política fundamental de abertura e prossegue uma estratégia de abertura e ganha-ganha.

O desenvolvimento da China é simultaneamente nacional e orientado para o exterior: enquanto se desenvolve, a China também compartilha mais de seus resultados de desenvolvimento, com outros países e povos.

Realizações de desenvolvimento de destaque da China e os padrões de vida muito melhorada do povo chinês são uma bênção para a China e para o mundo. Tais conquistas no desenvolvimento ao longo das últimas décadas devem-se ao trabalho árduo e perseverança do povo chinês, uma qualidade que define a nação chinesa há milhares de anos.

Nós chineses sabemos muito bem que não há almoço grátis. Para um país grande com mais de 1,3 bilhão de pessoas, o desenvolvimento só pode ser alcançado com a dedicação e incansáveis esforços do próprio povo chinês.

Não podemos esperar que os outros ofereçam desenvolvimento à China. Nem ninguém teria meios para fazê-lo.

[SOBRE O DESENVOLVIMENTO DA CHINA]

Ao avaliar o desenvolvimento da China, não se deve apenas ver os benefícios que o povo chinês obteve, mas também o esforço de todos os chineses; não só os feitos da China, mas também o que a China tem feito para o mundo. Assim afinal chegaremos a uma conclusão equilibrada sobre o desenvolvimento da China.

Entre 1950 e 2016, apesar de seu modesto nível de desenvolvimento e padrão de vida, a China proporcionou mais de 400 bilhões de yuans de assistência externa, realizou mais de 5.000 projetos de assistência externa, incluindo quase 3.000 projetos completos e realizou mais de 11.000 oficinas de treinamento na China para mais de 260.000 pessoas de outros países em desenvolvimento. Desde que lançou a Reforma e Abertura, a China atraiu mais de US $ 1,7 trilhão de investimento estrangeiro e fez mais de US $ 1,2 trilhão de investimento direto de saída, fazendo enorme contribuição para o desenvolvimento econômico global.

Nos anos que se seguiram ao início da crise financeira internacional, a China contribuiu com mais de 30% do crescimento global anualmente em média. Todos esses números estão entre os mais altos do mundo.

Os números falam por si mesmos. O desenvolvimento da China é uma oportunidade para o mundo. A China não só se beneficiou da globalização econômica, mas também contribuiu para ela. O rápido crescimento na China tem sido um motor sustentado e poderoso para a estabilidade econômica global e expansão. O desenvolvimento interligado da China e de um grande número de outros países tornou a economia mundial mais equilibrada. A notável realização da China na redução da pobreza contribuiu para um crescimento global mais inclusivo. E o progresso contínuo da China em reformas e abertura deu muito impulso a uma economia mundial aberta.

Nós chineses sabemos muito bem o que é preciso para alcançar a prosperidade, por isso aplaudimos as realizações feitas por outros e desejamos-lhes um futuro melhor. Não temos ciúmes do sucesso dos outros. Não vamos reclamar de outros que se beneficiaram tanto das grandes oportunidades apresentadas pelo desenvolvimento da China. Vamos abrir nossos braços para o povo de outros países e recebê-los a bordo do trem expresso do desenvolvimento da China.

Senhoras e senhores,

Queridos amigos,

Sei que todos vocês estão acompanhando de perto o desenvolvimento econômico da China, e permitam-me oferecer-lhes uma atualização sobre o estado da economia da China.

A economia chinesa entrou no que chamamos de um novo normal. Observam-se grandes mudanças em termos de taxa de crescimento, modelo de desenvolvimento, estrutura econômica e motores do crescimento. Mas os fundamentos econômicos que sustentam o desenvolvimento sólido permanecem inalterados.

Apesar de uma economia global lenta, a economia de China deve crescer 6,7% em 2016, ainda um dos índices mais altos do mundo. A economia da China é muito maior em tamanho hoje, do que no passado, e agora gera mais produção do que a que tivemos com crescimento de dois dígitos, no passado. O consumo doméstico e o sector dos serviços tornaram-se os principais motores do crescimento. Nos três primeiros trimestres de 2016, o valor agregado da indústria terciária absorveu 52,8% do PIB e o consumo interno contribuiu para 71% do crescimento econômico. O rendimento e o emprego dos agregados familiares aumentaram de forma constante, enquanto o consumo de energia por unidade de PIB continua a diminuir. Nossos esforços para buscar o desenvolvimento verde estão dando frutos.

A economia chinesa enfrenta uma pressão descendente e muitas dificuldades, incluindo a falta de correspondência entre o excesso de capacidade e a estrutura de demanda, a falta de força motriz interna para o crescimento, a acumulação de riscos financeiros e desafios crescentes em determinadas regiões. Nós vemos esses pontos como dificuldades temporárias que acontecem pelo caminho. E as medidas que tomamos para resolver esses problemas estão produzindo bons resultados. Estamos firmes em nossa determinação em avançar.

A China é o maior país em desenvolvimento do mundo, com mais de 1,3 bilhão de pessoas, e seus padrões de vida ainda não são altos. Mas esta realidade também significa que a China tem enorme potencial e muito espaço para o desenvolvimento. Orientados pela visão de desenvolvimento inovador, coordenado, verde, aberto e compartilhado, vamos nos adaptar ao novo normal, ficar à frente da curva, e fazer esforços coordenados para manter o crescimento constante, acelerar a reforma, ajustar a estrutura econômica, melhorar o padrão de vida das pessoas. E afastar riscos. Com estes esforços, pretendemos atingir uma taxa de crescimento médio-alto e melhorar a economia para o topo da cadeia de valor.

[O QUE A CHINA FARÁ]

A China se esforçará para melhorar o desempenho do crescimento econômico . Vamos prosseguir a oferta do lado da reforma estrutural como o objetivo geral, mudar o modelo de crescimento e atualizar a estrutura econômica.

Continuaremos a reduzir o excesso de capacidade, a reduzir o inventário, a fazer aparecer meios para financiamento, a reduzir os custos e a reforçar os elos fracos.

Vamos fomentar novos impulsionadores do crescimento, desenvolver um setor de manufatura avançado e atualizar a economia real. Implementaremos o plano de ação da Internet Plus para aumentar a demanda efetiva e atender melhor às necessidades individualizadas e diversas dos consumidores.

E faremos mais para proteger o ecossistema.

A China impulsionará a vitalidade do mercado para dar novo impulso ao crescimento. Intensificaremos os esforços de reforma em áreas prioritárias e os elos-chave, e permitiremos que o mercado desempenhe um papel decisivo na alocação de recursos.

A inovação continuará a ocupar um lugar proeminente na nossa agenda de crescimento. Sempre mantendo a estratégia de desenvolvimento orientada para a inovação, reforçaremos as indústrias estratégicas emergentes, aplicaremos novas tecnologias e fomentaremos novos modelos de negócios para melhorar as indústrias tradicionais. Vamos impulsionar novos impulsionadores do crescimento e revitalizar os tradicionais.

A China promoverá um ambiente propício e ordenado para o investimento. Vamos ampliar o acesso ao mercado para os investidores estrangeiros, construir zonas-piloto de livre-comércio de alto padrão, fortalecer a proteção dos direitos de propriedade e nivelar o campo de jogo para tornar o mercado da China mais transparente e mais bem regulado.

Nos próximos cinco anos, a China deverá importar US $ 8 trilhões de bens, atrair US $ 600 bilhões de investimento estrangeiro e fazer US $ 750 bilhões em investimentos de saída. Os turistas chineses farão 700 milhões de visitas ultramarinas.

Tudo isso criará um mercado maior, mais capital, mais produtos e mais oportunidades de negócios para outros países. O desenvolvimento da China continuará a oferecer oportunidades para as comunidades empresariais de outros países. A China manterá sua porta aberta e não a fechará. Uma porta aberta permite que outros países cheguem ao mercado chinês e que a própria China integre-se ao mundo. E esperamos que outros países também mantenham sua porta aberta para os investidores chineses e mantenham o campo de jogo aberto para nós.

A China promoverá vigorosamente um ambiente externo de abertura para o desenvolvimento comum. Promoveremos a construção da Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico e as negociações da Parceria Econômica Global Regional, para formar uma rede global de acordos de comércio livre. A China defende a conclusão de acordos de livre comércio regionais abertos, transparentes e vantajosos para todos; e se opõe a formar grupos exclusivos que são fragmentados na natureza.

A China não tem intenção de aumentar sua competitividade comercial, desvalorizando o RMB, e ainda menos lançará uma guerra cambial.

Há mais de três anos, apresentei a iniciativa “Um Cinturão, Uma Estrada” [ing. One Belt, One Road, OBOR “Novas Rotas da Seda” vide mapa]. Desde então, mais de 100 países e organizações internacionais deram respostas calorosas e apoio à iniciativa. Mais de 40 países e organizações internacionais assinaram acordos de cooperação com a China, e nosso círculo de amigos ao longo do “Cinturão e Estrada” está crescendo. Empresas chinesas fizeram mais de US $ 50 bilhões de investimentos e lançaram uma série de grandes projetos nos países ao longo das rotas, estimulando o desenvolvimento econômico desses países e criando muitos empregos locais. A iniciativa “Cinturão e Estrada” teve origem na China, mas tem trazido benefícios para muito além das fronteiras da China.

Em maio deste ano, a China vai sediar em Pequim o Fórum Cinturão e Estrada [ing. Belt and Road Forum para a Cooperação Internacional, que tem como objetivo discutir formas de aumentar a cooperação, construir plataformas de cooperação e compartilhar resultados de cooperação. O fórum também explorará formas de abordar os problemas enfrentados pela economia global e regional, criar nova energia para prosseguir o desenvolvimento interconectado e novos meios para que a Iniciativa Cinturão e Estrada ofereça maiores benefícios para as pessoas dos países envolvidos.

Senhoras e senhores,

Queridos amigos,

A história mundial mostra que o caminho da civilização humana nunca foi suave e que a humanidade fez progressos cada vez que superou dificuldades. Nenhuma dificuldade, por mais assustadora que seja, impedirá a humanidade de avançar. Frente às dificuldades, pouco ajuda nos queixar de nós mesmos, culpar os outros, perder a confiança ou fugir das responsabilidades. Devemos juntar as mãos e enfrentar o desafio. A história é criada pelos valentes. Vamos aumentar a confiança, agir e marchar de braços dados em direção a um futuro brilhante.

Obrigado.


Tradução: Vila Vudu


[1] A frase aparece em Um Conto de Duas Cidades (1859) sobre a Revolução Francesa, não a Revolução Industrial, como se lê na versão em inglês desse discurso. Sem poder verificar em chinês o que o pres. Xi realmente disse, ficam a correção no texto, e a nota, aqui [NTs].

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