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O poder da calcinha branca

 

Por Osvaldo Bertolino

Era branca, toda de renda, ligeiramente transparente na frente. Daquelas que deixam o homem tonto só de vê-las nas vitrines, ou vestindo um manequim. A mulher era de uma tez morena clara, mas bem definida, dando um contraste bem marcante. Ela apareceu na sala de repente, sem que ele esperasse. Estava só de calcinha e não tinha outra intenção a não ser dizer alguma coisa banal, do dia a dia. Parou no final do corredor que liga a sala ao quarto, pôs a mão esquerda no canto da parede, ergueu ligeiramente o pé direito para apoiá-lo no esquerdo, deixando o quadril com uma leve curvatura à esquerda e realçando o vulto negro coberto pela renda transparente.

A cena o deixou paralisado. Seu cérebro gravou-a de forma indelével porque a descarga de adrenalina foi como que tinta na mão de um exímio escultor, desenhando a mais bela das mulheres. Ele ficou ali, imóvel, com a sensação de que algo sobrenatural havia se instalado em sua cabeça, à essa altura completamente envolta em uma sensação que nunca sentira. Talvez fosse aquilo que os apreciadores de arte sentem ao se deparar com uma Monalisa, ou uma “Três mulheres na fonte”, de Pablo Picasso, ou a bela de “O sonho”.

Não era o caso de insinuar alguma vontade de fazer amor. Não, o momento era para ser guardado como uma eternidade óbvia, uma demonstração cabal de que a mulher é superior a qualquer outro ser da natureza. Era a hora da contemplação, da fruição, do deleite. Cada parte do corpo da mulher ficou mais linda, mais destacada, mais insinuante. Aquela combinação de beleza, delicadeza e elegância fez ele cravar em sua convicção que aquela mulher seria eterna em sua vida. Uma joia, que precisava ser reverenciada, tratada com carinho e devoção. Para sempre, aquela calcinha, que desenhou beleza tão formosa em sua mente, seria adorada.

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