Honoré de Balzac e as mulheres

 

Por Osvaldo Bertolino

Honoré de Balzac dizia que os nomes eróticos que se referem à mulher são condizentes com suas qualidades, com sua condição de ser privilegiado da natureza. Como tudo em Balzac, ele fez disso uma deliciosa narrativa, que mistura romantismo, erotismo, e até certa perversidade com os homens ao descrevê-los como uma espécie de desnorteados pela exuberância do sexo feminino. E aí ele vai misturando gênero com erotismo, sensualidade com romantismo, sintetizando bem o que a evolução fez e os clichês sociais estragaram.

Considero o pior dos clichês a ideia de que os sentimentos são apenas aqueles que grudam uma pessoa na outra, muitas vezes levando-as ao altar sem uma reflexão mais aprofundada da relação homem-mulher. Acho que as pessoas casam, em primeiro lugar, por tesão. Esse é o sentimento maior. E precisamos ser muito artistas para conservar o tesão sempre ativo com a mesma pessoa. Acontece, mas não é regra. E muitas vezes acontece de o tesão não ser mútuo — só ele ou ela conserva-o. Não é que um deixou de gostar do outro. Acabou o tesão. O que vem depois disso? Boa coisa não é.  Resolver essa equação é um grande desafio.

Penso que o homem lida melhor com a situação porque os clichês sociais lhe favorecem. Levar um casamento de fachada, com duplo caráter (um público e outro privado), é bem mais fácil para o homem. Muitas vezes a mulher sequer tem coragem de manifestar tesão porque ela sabe o tamanho do mundo que pode cair-lhe na cabeça. Acho isso o fim do mundo. Sempre digo para essas mulheres que elas não podem pensar assim. O ideal seria elas romperem com esses clichês, com essas convenções, com esses rótulos, mas, como isso ainda é um sonho em nossa sociedade, pelo menos em suas cabeças não deve haver nenhum sentimento de culpa por sentir tesão. E mais ainda por realizá-lo. Claro, com as ressalvas necessárias.

Votando a Balzac: ele dizia que a mulher tem de ser como ela é, não como os homens querem que elas sejam. Eu acrescento: os homens impuseram o padrão que eles querem porque assim a mulher se submete mais aos seus caprichos, aos seus privilégios. E transformam uma coisa deliciosa, a relação homem-mulher, em algo geralmente amargo. Por isso penso que a melhor forma de ultrapassar esse limite inaceitável é dizer para a mulher que ela tem, sim, direito de ser ela mesma, de ter tesão e realizar seu tesão. De ser honesta com seus sentimentos, independente das convenções e dos clichês sociais. Quando ela age assim, se torna a mais gostosa do mundo.

Ainda recorrendo a Balzac, quando ele diz que os nomes eróticos são condizentes com as qualidades da mulher penso que se referia exatamente a essa libertação da alma feminina, da sua essência, da sua autoestima. Ele não disse, mas eu digo que essa mulher é gostosa, é deliciosamente safada, é um tesão.

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