Romance-reportagem narra, em tom de suspense, caçada ao ditador Médici

Por Osvaldo Bertolino

O projeto do livro Operação Médici – caçada a um ditador implacável, de Osvaldo Bertolino, abrange uma ampla pesquisa histórica, sintetizada numa obra de aproximadamente trezentas páginas em um romance-reportagem, gênero híbrido que une a investigação factual do jornalismo às técnicas narrativas da literatura. O livro reconstrói acontecimentos históricos utilizando diálogos, personagens e descrições cenográficas estruturadas como um romance, mantendo o rigor com os fatos.

É uma forma de trazer para a atualidade fatos que perpassam tempos e tecem realidades sombrias, projetadas na contemporaneidade. O livro mostra como se formou no cenário mundial uma ideologia que nega as realizações humanitárias, promovida por recursos políticos, militares e financeiros de um sistema que traz em si as antagônicas condições entre civilização e barbárie, o cerne do capitalismo calcificado por seus limites históricos.

A história revela como a ditadura militar brasileira, assim como todos os regimes erguidos pela militarização da “cortina de ferro” da Guerra Fria anticomunista, nasceu e se desenvolveu. Traz à tona a promoção do submundo do crime por uma rede de corrupção e de bandos que se instalaram de alto a baixo na estrutura do Estado, tomada de assalto pelos golpistas de 1964. Mostra como esse projeto de extrema direita negou o nazifascismo para se erguer em seus escombros, estruturado pela maquinação goebbeliana sobre liberdade e democracia.

Com essa compreensão, ficcionalmente um grupo de destemidos militantes da resistência democrática, o Grupo Armado Tático Especial (GATE), organiza uma engenhosa operação para liquidar o ditador que catalizou esse ideal, o general Emílio Garrastazu Médici, personagem moldado pelo Serviço Nacional de Informações, o monstruoso SNI, para comandar a liquidação das organizações revolucionárias.

Os métodos terroristas do regime, orientados e dirigidos pelos subterrâneos do Departamento de Estados dos Estados Unidos, no Brasil atingiram o ápice no seu governo, a barbárie imposta para a contenção do “comunismo” com raízes nas primeiras ações contra a influência do socialismo pelo avanço do Exército Vermelho em seu épico combate ao nazifascismo. Eram os tempos das bombas atômicas lançadas no Japão, das guerras genocidas na Coreia e no Vietnã, dos banhos de sangue anticomunistas na Indonésia e na Tailândia, dos golpes militares e de outras ditaduras sanguinárias.

O GATE leva à prática o seu plano para liquidar o ditador e abrir caminho à luta armada, que teve como resultado efetivo a denúncia sobre aquele tempo sinistro, um alerta para a luta contemporânea contra a extrema direita. Assim como naquele confronto, quando a repressão estendia sua teia para a constituição do terrorista Plano Condor, na atualidade o regime imperialista, sob o controle do sistema estadunidense, tenta conter o “comunismo” com medidas extraterritoriais na busca da reversão do seu declínio.

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