Comunistas celebram os 105º aniversário do PCCh, o maior partido governante do mundo

Por Osvaldo Bertolino

Há 105 anos, em 1º de julho de 1921, em uma noite de céu carregado de nuvens escuras ameaçando chuva Mao Tse-tung partiu para Xangai, secretamente, para participar do primeiro Congresso do Partido Comunista da China (PCCh). Doze delegados reuniram-se no evento, realizado numa escola na então concessão francesa de Xangai. Como era período de férias, o prédio estava vazio e, mediante uma gorjeta, o porteiro abriu as portas de um modesto celeiro dos fundos, onde se reuniram os fundadores do comunismo chinês.

Perseguidos pela polícia, alertada por um infiltrado, os delegados fugiram – dois foram detidos – e terminaram o Congresso sob o disfarce de um piquenique a bordo de uma pequena embarcação no meio do lago, 50 quilômetros ao sul de Xangai. O PCCh nascia com uma lista de 52 membros. Rapidamente a organização se expandiu pela China e criou organizações em outros países, como a França, a Alemanha, a Rússia e o Japão.

Depois de uma longa marcha, literalmente falando, em 1949 os comunistas chineses, liderados por Mao Tse-tung, anunciaram a vitória da Revolução. Foram 37 anos de guerra. O líder da marcha declarou: “Desde 1927 até o momento presente, o centro de gravidade de nosso trabalho residiu nas aldeias. Recrutamos nossas forças nas aldeias e as utilizamos para cercar as cidades e ulteriormente tomá-las. O período caracterizado por estes métodos de trabalho já terminou. O período ‘da cidade ao campo’ e de ‘a cidade dirige as aldeias’ começou.”

Estava proclamada a República Popular da China. Mais 475 milhões de pessoas passaram para o campo socialista. “Nossa grande terra está livre do sistema semicolonial e semifeudal, e inicia-se no caminho da independência, liberdade, paz, unidade, força e prosperidade”, disse Mao Tse-tung. Em 1º de outubro de 1949, o primeiro presidente da nova nação revolucionária anunciou, na Praça Tien An Men (Praça da Paz Celestial), a fundação da nova China, simbolizada pela bandeira com um retângulo vermelho e cinco estrelas – as quatros menos representando as classes aliadas (operários, camponeses, pequenos burgueses e burguesia Nacional), gravitando em torno da estrela maior, o Partido Comunista.

Homenagem dos comunistas brasileiros

Mao Tse-tung era muito considerado pelos comunistas brasileiros. No Pleno Ampliado do Comitê Nacional do Partido Comunista do Brasil (então com a sigla PCB) realizado entre 4 e 13 de janeiro de 1946, o líder chinês foi o presidente de honra. Uma inscrição dizia: “Do Partido Comunista do Brasil a Mao Tse-tung, o heroico bolchevique, dirigente máximo do PCCh”. João Amazonas, em nome da Executiva, falou de improviso sobre Mao Tse-tung — segundo ele, uma homenagem aos povos e milhões de trabalhadores dos países dependentes e semidependentes, que lutavam pela paz e pela liberdade, pela liquidação dos inimigos do seu progresso e independência nacional.

Em setembro de 1956, Pedro Pomar, membro da direção nacional do Partido Comunista do Brasil, desembarcou em Pequim para acompanhar o VIII Congresso do PCCh e ouviu Mao Tse-tung dizer em seu Informe Político que “o prestígio, a influência e a experiência dos chefes têm sido extremamente preciosos para o partido e o povo”, uma referência aberta aos ataques do grupo do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) liderado de Nikita Kruschev a Josef Stálin, então recém-falecido. “Prezar e saudar os chefes não significa torná-los objeto de adoração”, completou o líder chinês. Pomar levou uma mensagem do Comitê Central do PCB, assinada por Luiz Carlos Prestes, transmitida na íntegra pela Rádio Pequim.

Na crise desencadeada pelo XX Congresso do PCUS, realizado em 1956, uma prolífica publicação de documentos mostrou o abismo que se formara entre a China e a União Soviética. Em outubro de 1961, o XXII Congresso do PCUS se prestou a novos ataques ao histórico líder soviético, vigorosamente rebatidos pelo representante chinês, Chou En-lai.

A troca de farpas era aberta. Quando Kruschev subiu à tribuna e começou a criticar em termos violentos a Albânia, Chou En-lai, que também era primeiro-ministro do seu país, retirou-se ostensivamente da sala de debates. Os soviéticos, em um lance teatral, chegaram ao extremo de retirar do túmulo de Lênin os restos mortais de Stálin, ao passo que o representante chinês homenageava a sua memória depositando uma coroa de flores na nova sepultura do histórico líder soviético.

Após o rompimento entre as duas potências socialistas, a China entrou na polêmica “Grande Revolução Cultural Proletária”, mais tarde avaliada pelo Partido Comunista como um grande erro, que se constituiu em atraso para o país. Mais à frente chegaram as reformas e a abertura, criadas por Deng Xiaoping. Essa nova fase do socialismo chinês trouxe desenvolvimento rápido para o país e deu uma contribuição significativa ao desenvolvimento de todo o mundo.

Homenagens do presidente Xi Junping

De acordo com a agência de notícias Xinhua, o presidente  Xi Jinping saudou  os 105 anos de história do PCCh como a “epopeia mais magnífica” da nação chinesa e instou o Partido a prosseguir com a construção de uma China socialista moderna, dentro do prazo previsto. Discursando em uma cerimônia que marcou o 105º aniversário de fundação do PCCh em Pequim, Xi, também secretário-geral do Comitê Central do PCCh e presidente da Comissão Militar Central, conclamou os membros do Partido a permanecerem firmes em suas convicções e a trabalharem incansavelmente para cumprir as missões do Partido na nova era e na nova jornada. O PCCh é o maior partido governante do mundo, com enorme influência global, segundo a Xinhua.

Xi enfatizou a importância de atingir a meta de concretizar plenamente a modernização socialista até meados do século. “O tempo não para para ninguém, e a história também não”, disse ele. Todo o Partido deve aderir à sua teoria básica, linha básica e política básica para “permanecer firme diante das adversidades e manter o rumo em meio ao vento e às ondas”, disse. Enfatizando que o Partido deve contar com o apoio fundamental do povo para criar feitos históricos, ele exortou os membros do Partido a “revigorar ainda mais o espírito empreendedor para realizar as coisas”.

Também conclamou todo o Partido a responder ativamente aos riscos e desafios no caminho à frente. “O desenvolvimento da China está agora em um período em que oportunidades estratégicas coexistem com riscos e desafios, e em que fatores incertos e imprevisíveis estão em ascensão. Devemos estar sempre preparados para resistir a grandes provações, como ventos fortes e ondas furiosas, e até mesmo tempestades violentas”, alertou. À medida que mudanças profundas, nunca vistas em um século, se aceleram, o mundo entrou em um novo período de turbulência e transformação, com a humanidade mais uma vez em uma encruzilhada de escolhas, disse Xi. “Devemos promover continuamente a construção de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”, afirmou.

Xi também enfatizou o avanço da autogovernança plena e rigorosa do Partido, com esforços contínuos para vencer “a dura, prolongada e total batalha contra a corrupção”. “É imperativo que todos nós no Partido jamais esqueçamos nossa aspiração original e missão fundadora, que sempre permaneçamos modestos, prudentes e trabalhadores, e que tenhamos a coragem e a capacidade de prosseguir nossa luta”, acrescentou.

De acordo com as estatísticas mais recentes, presegue a Xinhua, o PCCh agora possui quase 101,29 milhões de membros e mais de 5,43 milhões de organizações partidárias de nível primário. Na reunião, Xi Jinping conferiu a Medalha de 1º de Julho, a mais alta honraria do Partido. Oito pessoas receberam a honraria este ano, incluindo um mediador comunitário, um veterano de guerra, um funcionário do Partido em uma aldeia, um médico rural, um agente comunitário, um especialista agrícola, um especialista em engenharia mecânica e um especialista em engenharia de refino de petróleo, este último homenageado postumamente.

Membros de destaque do Partido, militantes e organizações partidárias de nível primário de todo o país também foram homenageados na reunião que reuniu 3.000 pessoas. O evento contou com a presença de Li Qiang, Zhao Leji, Wang Huning, Cai Qi, Ding Xuexiang e Li Xi Jinping,  todos membros do Comitê Permanente do Birô Político do Comitê Central do PCCh, bem como do vice-presidente Han Zheng.

Xi Jinping afirmou que o PCCh possui qualidades excepcionais sem paralelo entre outros partidos políticos e forças políticas. Ele afirmou que os esforços do Partido ao longo dos últimos 105 anos transformaram fundamentalmente o futuro do povo chinês, pavimentaram o caminho certo para o grande rejuvenescimento da nação chinesa, demonstraram a forte vitalidade do marxismo, tiveram uma profunda influência no curso da história mundial e fizeram do PCCh um poderoso Partido Comunista.

Capacidade de luta do Partido, sua confiança inabalável

Sob a liderança do PCCh, a China se tornou a segunda maior economia do mundo, emergiu como uma das potências inovadoras de crescimento mais rápido do mundo, elevou a expectativa média de vida de sua população para mais de 79 anos e estabeleceu os maiores sistemas de educação, previdência social e saúde do mundo. O Partido permanece comprometido com a busca da verdade e sempre adere à direção correta, disse Xi, acrescentando que está profundamente enraizado no povo e sempre possui uma base sólida.

Ele disse que o PCCh cumpre corajosamente suas missões históricas e sempre mantém a iniciativa estratégica. Acompanha a tendência do desenvolvimento e permanece sempre na vanguarda de seu tempo. Xi também elogiou a coragem e a capacidade de luta do Partido, sua confiança inabalável na vitória e seu compromisso com o aprimoramento contínuo. Tendo liderado o país na erradicação da pobreza extrema, o PCCh delineou um plano para concretizar a modernização até 2035 e transformar a China em uma grande nação socialista moderna em todos os aspectos até meados do século.

Enfatizando a necessidade de manter a liderança absoluta do Partido sobre as Forças Armadas, Xi instou a que se envidassem esforços para alcançar as metas do centenário do Exército de Libertação Popular em 2027 e elevar as Forças Armadas Populares a um patamar de excelência mundial em ritmo acelerado. Ele também conclamou os militares a defenderem resolutamente a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China, e a contribuírem ainda mais para a salvaguarda da paz e do desenvolvimento mundial.

Promover a prosperidade e a estabilidade a longo prazo de Hong Kong e Macau é essencial para alcançar o rejuvenescimento nacional, disse Xi. Resolver a questão de Taiwan e concretizar a reunificação completa da China são uma missão histórica e um compromisso inabalável do Partido Comunista Chinês, afirmou. Ele prometeu ações resolutas para combater os separatistas que buscam a “independência de Taiwan”, opor-se à interferência externa e promover a reunificação nacional.