Uma família. Uma rede de poder. Uma sucessão de investigações criminais que envolve gabinetes políticos, relações de parentesco, negócios privados e círculos de confiança. Ao seguir o dinheiro, identificar os personagens, recuperar os vínculos e percorrer a sequência dos acontecimentos, emerge Flávio Bolsonaro em suas dimensões políticas e financeiras. Ele chega às urnas sob investigações e revelações sobre relações com suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras.
Quando esses episódios são reunidos e examinados em sua extensão, emerge um quadro que ultrapassa os limites de cada processo isolado e alcança o núcleo da estrutura política que sustenta Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita à Presidência da República. É uma história que percorre décadas, envolve personagens que se repetem em diferentes investigações e expõe a dimensão das relações que ligam a família Bolsonaro a antigos assessores, militares, empresários e operadores financeiros. Há condenações, suspeitas submetidas à Justiça, investigações ainda abertas e casos arquivados.
Começa com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na trama golpista que incluía planos de assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A história envolve também seus irmãos. Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF. Carlos Bolsonaro é investigado por suspeitas de desvio de salários de assessores e de utilização irregular da Agência Brasileira de Inteligência. Jair Renan foi investigado em um caso relacionado a documentos empresariais e crédito bancário.
A saga criminosa do clã começou a aparecer em 1986, quando Jair Bolsonaro, então capitão do Exército, assinou na revista Veja um artigo criticando os salários dos militares. O texto resultou em punição disciplinar e quinze dias de prisão. Em 1987, a revista publicou uma reportagem sobre um plano de explosões em instalações militares para pressionar o comando do Exército a conceder reajustes.
A reportagem atribuiu a iniciativa a Bolsonaro e ao capitão Fábio Passos da Silva. O Conselho de Justificação do Exército considerou que havia elementos para responsabilizá-lo, entre eles uma análise grafotécnica, mas o Superior Tribunal Militar (STM) o absolveu por oito votos a quatro, em 16 de junho de 1988. Bolsonaro foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1990.
A defesa da violência política
A trajetória pública de Jair Bolsonaro é marcada pela defesa da ditadura militar, pela exaltação da tortura e por declarações que pregam a violência. Em 1999, o então deputado federal defendeu o fechamento do Congresso Nacional e afirmou que daria um golpe de Estado no mesmo dia se fosse presidente.
Na mesma entrevista, declarou que o país estaria melhor se o regime militar tivesse matado mais pessoas, citou o então presidente Fernando Henrique Cardoso entre os possíveis alvos e defendeu uma guerra civil como saída para a crise política. Naquele ano, também declarou ser favorável à tortura.
Em julho de 2016, ao atacar a então presidente Dilma Rousseff, Bolsonaro afirmou que o “erro” da ditadura havia sido torturar, e não matar. Em 2018, durante a campanha presidencial, declarou que pretendia fuzilar adversários políticos no Acre e, semanas depois, ameaçou enviar opositores para a “ponta da praia”, expressão associada a um local de execução clandestina durante a ditadura. Essas declarações integram um histórico de manifestações públicas em defesa da violência política e de ruptura com as instituições democráticas.
Em 17 de abril de 2016, ao anunciar seu voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, Bolsonaro dedicou a decisão à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, a quem chamou de “o pavor de Dilma Rousseff”. Ustra comandou o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) de São Paulo entre 1970 e 1974, período em que presos políticos foram submetidos a torturas, estupros e assassinatos.
A Comissão Nacional da Verdade atribuiu a Ustra responsabilidade por graves violações de direitos humanos, incluindo torturas, assassinatos e ocultação de cadáveres. A homenagem de Bolsonaro provocou repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que a classificaram como exaltação de um agente da repressão.
O desprezo pelos desaparecidos políticos
A defesa da ditadura também se manifestou nos ataques à busca pelos desaparecidos da Guerrilha do Araguaia, resistência armada organizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Desde 2005, um cartaz afixado diante de seu gabinete parlamentar ridicularizava a procura pelos restos mortais dos guerrilheiros, com a mensagem de que “quem procura osso é cão”.
Em maio de 2009, o PCdoB apresentou representação por quebra de decoro parlamentar em razão do cartaz. Dois meses depois, na tribuna da Câmara, Bolsonaro atacou a expedição que procurava as ossadas, chamou a iniciativa de fraude, acusou seus responsáveis de comprar depoimentos e qualificou os guerrilheiros de marginais. Também elogiou a operação militar que os aniquilou.
As agressões de Bolsonaro no Congresso Nacional também ficaram registradas em declarações públicas. Em dezembro de 2014, durante um debate no plenário da Câmara, dirigiu-se à deputada Maria do Rosário, do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, declarando que não a estupraria porque ela “não merecia”. A fala retomava uma agressão verbal anterior, ocorrida em 2003. Em 2016, o STF recebeu denúncia por incitação ao crime de estupro e queixa-crime por injúria relacionadas às declarações.
As relações com grupos criminosos
As relações de Bolsonaro com personagens ligados ao crime organizado também integram essa trajetória. Em 2004 e 2005, ele visitou na prisão, ao lado do filho Flávio, o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega. Em 2005, os dois participaram da entrega da Medalha Tiradentes a Adriano, homenagem proposta por Flávio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Anos depois, o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou Adriano como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de matadores de aluguel conhecido como Escritório do Crime. Ele foi investigado por homicídios e outros delitos e morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia, depois de permanecer foragido. A visita e a homenagem são fatos documentados, assim como as acusações que recaíram sobre Adriano.
A interferência na Polícia Federal foi outra controvérsia do governo Bolsonaro. Em abril de 2020, o então ministro da Justiça Sergio Moro, ex-juiz responsável por processos da Operação Lava Jato, deixou o cargo e acusou o presidente de tentar interferir politicamente na corporação, especialmente na direção-geral. O episódio teve como ponto central a exoneração de Maurício Valeixo, então diretor-geral da Polícia Federal. Bolsonaro negou irregularidades e sustentou que tinha competência para nomear e exonerar dirigentes.
A compra da vacina Covaxin, produzida pela empresa indiana Bharat Biotech e intermediada no Brasil pela Precisa Medicamentos, gerou outra investigação envolvendo Bolsonaro. O deputado federal Luis Miranda e seu irmão, servidor do Ministério da Saúde, afirmaram que haviam alertado o presidente sobre possíveis irregularidades no contrato. A suspeita era de prevaricação, crime caracterizado pela omissão de um funcionário público diante de um dever funcional para satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, instalada no Senado em 2021, investigou a atuação do governo federal durante a pandemia, a compra de vacinas, a promoção de medicamentos sem eficácia comprovada e a condução das políticas sanitárias. O relatório final propôs encaminhar suspeitas contra Bolsonaro e integrantes do governo a órgãos de investigação.
Outra investigação examinou a inserção de dados falsos de vacinação nos sistemas do Ministério da Saúde. Em março de 2024, a Polícia Federal indiciou Bolsonaro e Mauro Cid por suspeitas de associação criminosa e falsidade ideológica relacionadas à emissão de certificados de vacinação contra a Covid-19. Os investigadores sustentaram que dados falsos teriam sido inseridos nos sistemas oficiais para emitir comprovantes destinados a Bolsonaro, familiares e outras pessoas, inclusive para viagens aos Estados Unidos.
O caso das joias e dos presentes oficiais começou com objetos recebidos por Bolsonaro durante viagens presidenciais, entre eles itens oferecidos por autoridades da Arábia Saudita, do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos. A Polícia Federal apurou que objetos de alto valor foram retirados do acervo público e vendidos no exterior, com posterior circulação do dinheiro por intermediários. Em julho de 2024, a corporação indiciou Bolsonaro e outras onze pessoas por suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O valor dos bens examinados foi estimado em R$ 6,8 milhões.
As conexões com outros crimes
A morte da vereadora Marielle Franco, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018, também foi associada, no debate público, ao ambiente político e às relações com personagens ligados a milícias. A investigação apontou a participação de agentes e ex-agentes vinculados a esses grupos. Em fevereiro de 2026, o Supremo iniciou o julgamento dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e de outros acusados de planejar os assassinatos. O processo trata da autoria e das circunstâncias do crime.
A família Bolsonaro também foi relacionada a pessoas envolvidas no comércio ilegal de ouro e na mineração clandestina. Em 2023, a Polícia Federal prendeu o empresário Harley Sandoval, suspeito de participar de um esquema de exportação ilegal de aproximadamente 294 quilos de ouro para destinos como Estados Unidos, Dubai e Itália.
A investigação examinou suspeitas de que ouro extraído ilegalmente no Pará, inclusive em áreas indígenas, teria recebido documentação para simular origem legal no Tocantins. Outras operações federais examinaram redes de compradores, empresas e intermediários que movimentaram toneladas de ouro entre 2020 e 2022.
A situação judicial de Jair Bolsonaro também envolve o episódio de uma arma de fogo mantida em sua residência durante a prisão domiciliar. Em junho de 2026, a Polícia Civil do Distrito Federal ouviu o ex-presidente depois que uma arma foi apreendida com um de seus seguranças.
Bolsonaro confirmou ser o proprietário do armamento e afirmou que o mantinha em casa por razões de segurança. Alexandre de Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre a possibilidade de falta grave no cumprimento das medidas judiciais. O episódio acrescentou uma questão à execução da pena.
O caso da cinebiografia de Jair Bolsonaro, conhecida como Dark Horse, é uma das frentes mais recentes de investigação financeira. A Polícia Federal identificou transferências internacionais relacionadas ao financiamento da produção. Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aparece como personagem central da investigação sobre os recursos destinados ao filme. A apuração examina negociações que chegam a US$ 24 milhões, dos quais pelo menos US$ 10,6 milhões foram transferidos, além de um repasse adicional superior a US$ 1,6 milhão ao fundo Havengate Development Fund, no Texas, Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito em julho de 2026, sob relatoria do ministro do STF André Mendonça. A investigação também alcança Eduardo Bolsonaro e pessoas relacionadas à estrutura financeira do fundo Havengate, associado ao advogado Paulo Sergio Camin Calixto, conhecido como Paulo Calixto e ligado à família.
A investigação sobre Dark Horse tem outra frente no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que examina suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura. Os recursos foram destinados por meio de emendas propostas pelo deputado federal Mario Frias, do Partido Liberal (PL) de São Paulo, ex-secretário especial da Cultura durante o governo Jair Bolsonaro e participante da produção do filme.
As relações financeiras sob investigação
Outra investigação abrange as relações empresariais de Flávio Bolsonaro e as despesas de viagens realizadas por ele e seus familiares. Em outubro, a Polícia Federal obteve e-mails que indicavam que uma conta bancária registrada em nome do senador no Santander estava associada a um perfil de usuário principal ligado ao advogado e empresário Willer Tomaz. O banco foi mencionado nos registros examinados durante a investigação sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Willer Tomaz é investigado no contexto da Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos em benefícios previdenciários e uma rede de intermediários financeiros. A operação investiga um esquema de fraudes que, segundo as apurações, pode ter movimentado bilhões de reais. O advogado também aparece em documentos relacionados ao pagamento de voos em jatos executivos utilizados por Flávio e familiares.
Empresas internacionais associadas a Willer, entre elas a Cathedral Holdings e a Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, financiaram trechos de viagens, inclusive deslocamentos entre Portugal e França. A apuração também examina conexões com a Rede Loto, operadora da marca BestBet, autorizada a atuar no mercado de apostas do Rio de Janeiro pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).
A administradora da sociedade individual de advocacia de Flávio Bolsonaro, Letícia Caetano dos Reis, também apareceu no contexto das relações examinadas. Seu irmão, Alexandre Caetano dos Reis, foi investigado por serviços contábeis prestados a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de parte do esquema de descontos indevidos.
A investigação sobre salários desviados
O caso da chamada rachadinha de Flávio Bolsonaro antecede essas investigações. Quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, ele manteve Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-policial militar, como assessor. A movimentação bancária de Queiroz chamou a atenção das autoridades por causa de depósitos, saques e transferências considerados atípicos.
O Ministério Público do Rio de Janeiro apurou se funcionários do gabinete devolviam parte dos salários, em um esquema de recolhimento de vencimentos conhecido como rachadinha. Em novembro de 2020, os promotores denunciaram Flávio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Queiroz foi apontado como operador do mecanismo. A apuração examinou as contas de funcionários, a circulação de dinheiro e os vínculos entre assessores e pessoas próximas ao gabinete. As movimentações de Queiroz também alcançaram Michelle Bolsonaro. Cheques e transferências destinados à então primeira-dama somaram aproximadamente R$ 24 mil. Jair Bolsonaro declarou que o dinheiro correspondia ao pagamento de um empréstimo feito ao antigo assessor.
Adriano Magalhães da Nóbrega, o ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro, também apareceu no contexto das relações de Queiroz e Flávio. O Ministério Público fluminense apontou Adriano como chefe de uma organização criminosa ligada a milícias e suspeita de envolvimento em homicídios. Sua mãe e sua então companheira trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele exercia o mandato de deputado estadual. A contratação delas foi examinada na investigação sobre a rachadinha. Adriano morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial na Bahia.
As suspeitas nos gabinetes familiares
Carlos Nantes Bolsonaro, segundo filho de Jair, foi vereador no Rio de Janeiro por vários mandatos. Seu gabinete também foi investigado por suspeitas de rachadinha. A apuração examinou a contratação de parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Jair Renan. Oito familiares de Ana Cristina ocuparam cargos no gabinete de Carlos. Os investigadores examinaram saques de salários, transferências e a hipótese de que funcionários devolvessem parte dos vencimentos.
Em fevereiro de 2026, a Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro rejeitou o arquivamento do procedimento sobre a rachadinha no gabinete de Carlos e determinou novas diligências. Em junho, a Justiça recebeu denúncia contra Jorge Luiz Fernandes, antigo chefe de gabinete de Carlos, e outros seis suspeitos, em ação sobre o desvio de salários de assessores. O Ministério Público atribuiu ao grupo a movimentação de aproximadamente R$ 1,7 milhão.
Ana Cristina Valle também enfrentou uma cobrança da Justiça Eleitoral relacionada à campanha de 2022. Candidata a deputada distrital pelo Progressistas no Distrito Federal, não foi eleita. Sua prestação de contas declarou despesas de aproximadamente R$ 303,5 mil, mas não comprovou a aplicação de cerca de R$ 134,4 mil em recursos públicos. Em julho de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) determinou o bloqueio de R$ 227.669,95 de suas contas, valor atualizado com correção, multa e honorários, para ressarcimento à União.
Jair Renan Bolsonaro, filho mais novo do ex-presidente, foi investigado por suspeitas de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de dinheiro em um caso relacionado à empresa Bolsonaro Jr. Eventos e Mídia. A Polícia Civil do Distrito Federal examinou documentos financeiros apresentados para obter crédito bancário.
A investigação apontou a suspeita de que informações falsas sobre a situação da empresa foram utilizadas para facilitar a concessão de um empréstimo pelo Santander. Maciel Alves de Carvalho, instrutor de tiro e amigo de Jair Renan, também foi investigado. Em março de 2024, a Justiça recebeu a denúncia contra Jair Renan, que passou à condição de réu.
As relações políticas da família
Rogéria Nantes Bolsonaro, primeira mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, foi vereadora no Rio de Janeiro e manteve atuação política local. Em 2026, seu nome apareceu em uma composição eleitoral anunciada com Márcio Canella, do União Brasil. A composição não se concretizou, e Canella voltou-se para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa fluminense. Em julho, ele foi preso em uma fase da Operação Unha e Carne, que investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e voltou a ser preso em outubro.
Eduardo Nantes Bolsonaro, terceiro filho de Jair, foi deputado federal por São Paulo e escrivão da Polícia Federal. Nos Estados Unidos, intensificou sua atuação junto à extrema direita norte-americana para pressionar autoridades brasileiras. O STF examinou sua participação na articulação de sanções contra integrantes do Judiciário e de medidas econômicas contra o Brasil.
Em junho de 2026, a Primeira Turma condenou Eduardo a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Os ministros concluíram que ele procurou constranger autoridades e interferir no julgamento criminal de seu pai. A condenação também determinou a perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal e a comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fins de inelegibilidade. Em setembro, a Primeira Turma rejeitou por unanimidade o recurso de Eduardo.
A atuação de Eduardo nos Estados Unidos incluiu articulações favoráveis a sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e a tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros. O processo criminal concluiu que as medidas foram empregadas para pressionar o Supremo durante o julgamento de Jair Bolsonaro.
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