Em 22 de setembro de 1984, quando mais de seiscentos jovens de diferentes regiões do país se reuniram no salão nobre da Assembleia Legislativa de São Paulo para fundar a União da Juventude Socialista (UJS), a ditadura militar ainda ocupava o poder e a campanha pelas eleições diretas para a Presidência da República mobilizava multidões pelas ruas. O país vivia uma transição política que ainda não havia produzido a democracia constitucional que seria estabelecida alguns anos depois.
Naquele sábado, em meio a faixas, cartazes, manifestações culturais e discursos, nasceu a UJS, espaço de participação política de estudantes, trabalhadores, artistas, esportistas, cientistas e intelectuais jovens e que tinha entre seus objetivos a defesa da liberdade, dos direitos da juventude e do socialismo. O ato de fundação ocorreu, portanto, no interior de um processo mais amplo de reorganização da sociedade brasileira, iniciado ainda durante a abertura política e alimentado pela reconstrução das entidades estudantis, sindicais e populares.
A juventude entra em cena
A história que resultaria naquela assembleia começara muito antes. A participação juvenil na vida pública brasileira atravessara diferentes períodos da formação nacional, aparecendo em movimentos de independência, revoltas e campanhas republicanas, organizações estudantis e mobilizações sociais.
Ao longo do século XIX, estudantes participaram de movimentos políticos e culturais que acompanhavam a circulação das ideias republicanas e abolicionistas. Já no século XX, a organização nacional dos estudantes ganhou novas formas, com congressos e entidades que procuravam reunir jovens de diferentes regiões. A criação da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 1937, consolidaria uma estrutura nacional que teria papel relevante na luta política nas décadas seguintes.
A década de 1920 inseriu outra dimensão nessa história. A fundação do Partido Comunista do Brasil, em 1922, teve como uma de suas premissas a organização da juventude. Em 1925, uma estrutura nacional destinada aos jovens comunistas buscava estabelecer contatos com organizações internacionais e produzir instrumentos de formação e propaganda.
Em 1929, a Federação da Juventude Comunista do Brasil realizou seu primeiro congresso, tratando de questões relacionadas ao antimilitarismo, ao anti-imperialismo e aos perigos de guerra. A organização juvenil também procurava ampliar sua presença para além das fileiras partidárias, criando espaços de atuação entre estudantes, trabalhadores e jovens de diferentes ambientes sociais.
Entre a guerra e a democracia
A ascensão do fascismo na Europa e a aproximação da Segunda Guerra Mundial alteraram profundamente o ambiente político. No Brasil, a juventude passou a participar das campanhas contra o nazifascismo e da mobilização pela entrada do país na guerra ao lado dos Aliados. A UNE, criada às vésperas do Estado Novo, tornou-se uma das organizações envolvidas nesse processo.
A mobilização estudantil ganhou força à medida que os ataques do Eixo e o torpedeamento de navios brasileiros aumentaram a pressão pela definição da posição nacional. Em 1942, o Brasil declarou guerra ao eixo nazifascista (Alemanha, Itália e Japão), e a organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB) abriu uma nova frente de participação juvenil, marcada pelo apoio aos soldados enviados à Europa e pelas campanhas de solidariedade aos combatentes.
Com o fim da guerra, a palavra democracia passou a ocupar novamente o centro da vida política. A derrota do nazifascismo abriu espaço para a reorganização das instituições brasileiras e para o retorno de organizações que haviam sido perseguidas durante o Estado Novo. Em 1945 e 1946, diferentes setores da juventude discutiram a criação de novas formas de organização.
A defesa da paz, a reintegração dos combatentes, o acesso à educação, o trabalho e a participação política apareceram entre as questões mobilizadoras daquele período. O movimento juvenil atravessava, assim, uma transformação: deixava de estar concentrado apenas nos meios universitários e procurava alcançar jovens trabalhadores, camponeses e moradores das periferias urbanas.
A criação da União da Juventude Comunista (UJC), em 1947, ocorreu nesse contexto. A organização nasceu vinculada ao Partido Comunista do Brasil, mas com estrutura própria e propósito de reunir jovens de diferentes origens. Poucos meses depois, porém, foi fechada, no quadro da volta da repressão anticomunista do governo do general Eurico Gaspar Dutra.
A repressão não encerrou a tentativa de organizar a juventude. Novas estruturas apareceram, e a defesa da paz tornou-se uma das principais bandeiras mobilizadoras. Em 1950, a campanha brasileira pela proibição das armas nucleares reuniu milhões de assinaturas, inserindo a juventude em uma mobilização internacional contra a expansão dos arsenais atômicos.
A repressão e a resistência
A Guerra Fria modificou novamente o ambiente mundial. A disputa entre Estados Unidos e União Soviética repercutiu sobre a política brasileira e sobre as organizações juvenis. A perseguição ao comunismo se intensificou, enquanto diferentes correntes procuravam interpretar os acontecimentos internacionais e suas consequências para o país. A UJC passou por debates internos sobre organização, autonomia e relação com o Partido. As discussões no movimento comunista mundial depois do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) também alcançaram as organizações brasileiras. A UJC acabou desaparecendo no processo de reorganização que levaria, em 1962, à reorganização do Partido Comunista do Brasil, que adotaria a sigla PCdoB.
Dois anos depois, o golpe militar de 1964 inauguraria outro ciclo. O regime instalado naquele ano atingiu diretamente os partidos democráticos, as organizações estudantis, sindicais e populares. Prisões, cassações, censura, perseguições, torturas e assassinatos políticos atingiram gerações inteiras. A juventude se destacou no combate à ditadura militar e foi brutalmente reprimida, sobretudo após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968.
Organizações da resistência democrática passaram a atuar sob condições de extrema perseguição. Entre elas estava a União da Juventude Patriótica (UJP), criada no Rio de Janeiro para organizar jovens e preparar militantes para a luta contra a ditadura. A UJP esteve vinculada à preparação da Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB, e vários de seus integrantes foram posteriormente mortos ou desapareceram durante a repressão.
A reconstrução democrática
A anistia de 1979 permitiu o retorno de exilados e abriu espaço para o ressurgimento de organizações políticas e sociais. O movimento estudantil recuperou suas entidades. A UNE foi reconstruída em 1979, e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) retomou sua organização nacional em 1981. Trabalhadores reorganizaram suas centrais e movimentos do campo ganharam novas formas de expressão. A sociedade brasileira voltava a ocupar o espaço público que a ditadura havia tentado controlar durante duas décadas.
Foi nesse ambiente que a Viração, organização com ampla participação de militantes do PCdoB, ganhou espaço no movimento estudantil. Em diferentes universidades, seus integrantes participaram de campanhas por eleições diretas para entidades estudantis, liberdade de organização, fim da censura, anistia e reconstrução democrática. Em 1979, a reconstrução da UNE tornou-se um acontecimento nacional. A partir de então, uma nova geração de dirigentes estudantis passou a atuar em escala nacional, participando dos congressos da entidade e assumindo posições em sua direção.
A campanha pelas Diretas Já levou essa geração para além das universidades. Milhões de brasileiros participaram de comícios e manifestações entre 1983 e 1984. Embora a emenda constitucional que previa eleições diretas para a Presidência não tenha sido aprovada pela Câmara dos Deputados, o movimento modificou a correlação política e acelerou o processo de transição. A criação da UJS ocorreu exatamente nesse intervalo entre o fim da ditadura e a construção de uma nova ordem constitucional.
Nasce a UJS
Naquele 22 de setembro de 1984, a Assembleia Legislativa de São Paulo recebeu jovens que chegavam de diferentes partes do país. O manifesto de fundação tinha como eixo a situação da juventude diante do desemprego, das dificuldades educacionais, da falta de acesso à cultura e ao esporte e das restrições impostas pela ditadura. O documento também articulava essas questões ao projeto político de construção do socialismo. O poeta Castro Alves foi escolhido como patrono da nova organização, e seus versos foram utilizados para abrir o manifesto.
A primeira fase da UJS foi marcada pela campanha por emprego, esporte e cultura e pela expansão da organização para diferentes estados. O primeiro congresso nacional ocorreu em Curitiba. O segundo congresso foi realizado em Vitória, no Espírito Santo, no período de preparação para a Assembleia Nacional Constituinte. O direito de voto aos dezesseis anos, o emprego juvenil e a discussão sobre o serviço militar estiveram entre os temas que ganharam espaço. A organização passou também a discutir uma plataforma mais ampla para a juventude, incluindo educação, saúde, cultura, esporte, meio ambiente, direitos trabalhistas, moradia, transporte e outras questões sociais.
A Constituição de 1988 modificou a condição jurídica da juventude brasileira ao estabelecer o voto facultativo para os jovens de dezesseis anos. A campanha pelo direito de voto aos dezesseis anos havia sido uma das principais bandeiras da UJS durante o processo constituinte. A nova Constituição também ampliou o conjunto de direitos sociais e estabeleceu bases institucionais para a democracia que substituiria definitivamente o ordenamento autoritário.
Os anos 1990
A década de 1990 chegou com a UJS diante de outro cenário. A democracia estava institucionalizada, mas o país passava por profundas transformações econômicas e sociais. A abertura econômica, as privatizações, as reformas administrativas e a reorganização do mercado de trabalho alteraram as condições de vida dos jovens. Ao mesmo tempo, uma nova geração entrou na política durante as mobilizações que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. O movimento dos chamados caras-pintadas, o Fora, Collor!, levou estudantes para as ruas e tornou-se uma das imagens mais conhecidas da participação juvenil naquele período.
Na segunda metade da década, a UJS passou por um processo de crise de identidade e de revisão de seu projeto. Desde 1993, documentos internos discutiam as dificuldades enfrentadas pela entidade e procuravam formular uma nova estratégia para o trabalho juvenil. Em 1996, uma resolução nacional reafirmou a concepção de uma organização juvenil ampla, reunindo comunistas e não comunistas, com autonomia organizativa e direção política e ideológica vinculada ao Partido. O relançamento pretendia recuperar o projeto original de uma organização capaz de atuar no movimento estudantil e nos demais setores da juventude, combinando reivindicações imediatas com a divulgação do socialismo.
O novo período coincidiu com a consolidação de uma geração que havia crescido durante a redemocratização. A UJS voltou a ampliar sua presença nos estados e municípios e passou a atuar simultaneamente em universidades, escolas, bairros, movimentos culturais, organizações esportivas e espaços de participação institucional. A entidade também aprofundou sua relação com a UNE, com a UBES e com outras organizações juvenis.
Um novo século
A passagem para o século XXI encontrou a juventude diante de uma nova configuração econômica e tecnológica. A internet começou a alterar as formas de comunicação e organização, enquanto a expansão do ensino superior modificava a composição social do movimento estudantil. A eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência da República em 2002 também abriu espaço para políticas específicas para a juventude e para a formulação de programas destinados à expansão do acesso à educação, ao esporte, à cultura e ao trabalho.
Nesse período, a UJS participou de campanhas relacionadas à educação, ao acesso à universidade, aos direitos estudantis, à democratização cultural e às políticas públicas de juventude. Em 2004, ano em que completava vinte anos, foi criado o hino da entidade, reunindo referências às Diretas Já, ao voto aos dezesseis anos, ao movimento estudantil, à cultura popular, à história da resistência à ditadura e à própria identidade socialista da organização.
Novas pautas, novas frentes
A agenda juvenil passou a incorporar também novas dimensões. O debate sobre gênero, diversidade sexual, racismo, meio ambiente, tecnologia e comunicação entrou progressivamente na estrutura da organização. Em 2014, uma frente dedicada à população LGBT foi lançada em São Paulo e passou a organizar atividades em diferentes estados. No ano seguinte, experiências de debate sobre direitos e combate à homofobia avançaram em âmbito regional.
A questão racial ganhou espaço ainda mais definido. Em maio de 2018, foi realizado o primeiro encontro nacional voltado à juventude negra e à luta antirracista. Participaram jovens de diferentes estados e foram organizados grupos de trabalho e debates sobre racismo, representação política, acesso à educação e presença negra nos espaços de poder. O encontro marcou a incorporação mais estruturada da pauta racial à organização juvenil.
Junho de 2013 e a marcha golpista
As manifestações de junho de 2013 abriram uma nova etapa da luta política. O movimento, que começou com mobilizações contra o aumento das tarifas de transporte e rapidamente incorporou reivindicações diversas, foi progressivamente atravessado por uma onda golpista. Nos anos seguintes, consolidou-se uma marcha de mobilizações contra o governo federal, que ganhou força nas ruas, nas redes sociais e nos meios de comunicação e resultou, em 2015 e 2016, na campanha pelo impeachment golpista de Dilma Rousseff.
Nesse processo, a UJS passou a atuar de forma cada vez mais intensa na defesa do mandato conferido pelas urnas e da legalidade democrática. A organização esteve nas ruas, participou das articulações estudantis e sociais e integrou a frente ampla de forças políticas, movimentos populares, entidades estudantis, organizações sindicais e diferentes setores da sociedade que se mobilizaram contra o afastamento da presidenta. A disputa deixou de ser apenas institucional e ganhou as ruas, onde a defesa da democracia passou a constituir uma das principais frentes de atuação da juventude organizada.
As estruturas da UJS mobilizaram jovens para atos públicos, plenárias e campanhas em defesa da democracia, ao mesmo tempo em que a entidade mantinha sua atuação nas pautas da educação, das universidades públicas, da ciência, das políticas de juventude e dos direitos sociais. Em 2016, essa presença se expressou nas grandes manifestações contra o impeachment golpista e na participação da UJS em uma frente de defesa da legalidade democrática.
A experiência daquele período também modificou as formas de organização política da UJS. As ruas permaneceram como espaço fundamental de mobilização, mas as redes sociais passaram a ocupar posição cada vez mais central na convocação de atos, na circulação de informações e na produção de conteúdo. A atuação juvenil passou, assim, a combinar assembleias, plenárias, congressos, manifestações de rua, campanhas nacionais e ferramentas digitais, ampliando a velocidade e o alcance da mobilização.
A pandemia e a reorganização
A pandemia de Covid-19 trouxe novos desafios. Em 2020, a UJS realizou seu 20º Congresso de forma virtual, entre junho e julho, devido às condições sanitárias. O programa de debates incluiu a pandemia, o Sistema Único de Saúde (SUS), a ciência, a educação, o trabalho, o feminismo, o racismo, a diversidade sexual, o meio ambiente e a comunicação digital. O congresso também discutiu as formas de organização política em uma situação em que universidades, escolas, espaços culturais e entidades estudantis estavam submetidos ao isolamento social.
O isolamento produziu efeitos particularmente fortes sobre os estudantes. O ensino remoto alterou as relações entre escolas, universidades e estudantes, ampliando problemas de acesso à internet, equipamentos e condições adequadas de estudo. A UJS incorporou essas questões às suas campanhas. Entre as iniciativas do período esteve a defesa do acesso à tecnologia para estudantes de escolas públicas e a pressão pela manutenção de serviços essenciais de alimentação escolar durante a pandemia.
Em 2022, o 21º Congresso Nacional foi realizado em São Paulo, reunindo jovens de diferentes estados. O encontro ocorreu depois de dois anos de pandemia e teve como eixo o direito de sonhar e a reconstrução da capacidade de organização juvenil. A educação, o emprego, a democracia e as condições de vida dos jovens estiveram entre os temas discutidos. A entidade também retomou a realização presencial de atividades nacionais.
Quatro décadas de história
A organização chegava, assim, aos quarenta anos carregando uma trajetória que acompanhava diferentes ciclos da história brasileira. O 22º Congresso Nacional, realizado em São Paulo em julho de 2024, marcou quatro décadas de existência. O encontro reuniu cerca de 2.500 jovens e adotou como tema Defender a alegria e organizar a rebeldia.
O aniversário de quarenta anos reuniu também diferentes gerações que passaram pela organização. Jovens que haviam participado da fundação encontraram uma geração formada em outro Brasil, nascida depois da ditadura, criada durante a consolidação democrática e socializada em um ambiente de internet, redes sociais, universidades expandidas e novas formas de trabalho.
A passagem de uma geração para outra tornou visível uma das características mais permanentes da organização: a renovação periódica de seus quadros. A própria comemoração dos quarenta anos incorporou essa dimensão. O encontro reuniu antigos dirigentes e jovens que ingressavam na organização em um período marcado por mudanças tecnológicas, novas pautas sociais e transformação do mercado de trabalho.
Uma nova geração
A UJS entrou em uma nova etapa. A agenda passou a incluir, com maior intensidade, temas relacionados à precarização do trabalho, às transformações tecnológicas, à inteligência artificial, às plataformas digitais, ao racismo, à questão ambiental, à cultura e às novas formas de participação política. A estrutura atual da entidade mantém frentes específicas de atuação, entre elas ações antirracistas, territoriais, culturais e relacionadas à comunicação digital.
Em 2025, a entidade acompanhou o novo ciclo de debates sobre o desenvolvimento nacional e as transformações econômicas e tecnológicas. A juventude passou a lidar com uma realidade na qual a entrada no mercado de trabalho ocorre cada vez mais sob diferentes formas de contratação, enquanto a educação superior, a formação profissional e o acesso à moradia permanecem entre as principais questões que perpassaram a vida das novas gerações. A agenda ambiental também adquiriu outra dimensão diante dos eventos climáticos extremos e das discussões sobre transição energética e desenvolvimento sustentável
Em julho de 2026, no 22º Congresso, a UJS divulgou uma carta nacional sintetizando temas como trabalho juvenil, precarização, moradia, violência, lazer, cultura, desigualdade, racismo, direitos das mulheres e da população LGBT, soberania nacional e socialismo. O documento registra a continuidade de princípios que acompanham a entidade desde sua fundação, mas aplicada às condições materiais e culturais de uma geração formada no século XXI.
O fio histórico
A passagem do tempo alterou quase tudo ao redor da UJS. Mudaram o regime político, o sistema partidário, a economia, os meios de comunicação, a estrutura do ensino, o mercado de trabalho, as formas de organização social e a própria experiência cotidiana da juventude. Mudaram também as ferramentas da militância. O mimeógrafo, os jornais impressos, os cartazes e os panfletos deram lugar a sites, redes sociais, vídeos, transmissões ao vivo, podcasts e grupos digitais. Congressos que antes dependiam exclusivamente da presença física passaram, durante a pandemia, a ser realizados por plataformas virtuais e depois retornaram ao formato presencial.
A organização também incorporou uma diversidade que se tornou mais visível nas últimas décadas. O encontro nacional de juventude negra de 2018 e a criação de frentes relacionadas à diversidade sexual registraram institucionalmente transformações que já estavam presentes na composição social das novas gerações.
A idade dos militantes também faz da UJS uma organização permanentemente provisória em sua composição. O jovem que ingressa em uma determinada geração sabe que permanecerá por alguns anos e depois deixará espaço para outros. Essa característica produz uma sucessão permanente de dirigentes, militantes, estudantes, trabalhadores, artistas e representantes de diferentes segmentos sociais. A organização percorre as gerações justamente porque cada uma delas recebe o legado de outra e a transmite novamente, transformado pelas experiências de seu tempo.
O fio histórico, entretanto, está registrado nos documentos, nos congressos, nos manifestos, nas campanhas, nas entidades estudantis, nas atividades culturais e nas mobilizações de rua que se sucederam ao longo dessas décadas. A data de 22 de setembro tornou-se, assim, uma marca cronológica de uma história que começou quando o Brasil ainda procurava sair da ditadura e chegou a um país no qual jovens nascidos depois daquele regime passaram a assumir a tarefa de escrever a continuação dessa trajetória.
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